segunda-feira, 28 de novembro de 2016

[RESENHA] John Constantine, Hellblazer - Origens Volume 5: Histórias Raras




Histórias Raras introduz uma pausa na história principal que o roteirista Jamie Delano vinha tecendo desde a edição 1 da revista solo do mago mais trambiqueiro da Vertigo; após a inédita (no Brasil) edição anual de Hellblazer e o primeiro capítulo da próxima grande saga de Constantine - O Homem de Família -, Delano tira uma breve folga  para reorganizar as ideias e é substituído temporariamente por ninguém menos do que Neil Gaiman (Sandman) e Grant Morrison (Homem Animal), dois gênios das HQs que dispensam apresentações. Os artistas que participam desta sobra são David Lloyd, Ron Tiner, Bryan Talbot e Dave McKean, que ilustra a edição roteirizada por Neil Gaiman. Para quem não sabe, Dave McKean é o artista por trás das capas de Hellblazer e Sandman, e também trabalhou com Morrison ilustrando a famosa Graphic Novel do Batman Asilo Arkham: Uma Séria Casa em um Sério Mundo.
 
Hellblazer Anual 1 nos mostra Constantine saindo do sanatório Ravenscar e voltando para a velha Londres, onde tem um encontro com uma misteriosa mulher de cabelos negros. É importante reparar que Ravenscar, mais precisamente o local onde o hospício foi construído, está profundamente ligado a Constantine e à história de sua família, como nos mostra o conto O Santo Sanguinolento. Nele conhecemos um antigo ancestral do mago: Kon-Sten-Tyn, que foi pupilo de Merlin e substituto de Arthur Pendragon como rei da Dumonia (no século XI a Inglaterra ainda não era um único país, sendo dividida em vários reinos). Ravenscar era sua Camelot, e a vida de Kon-Sten-Tyn foi marcada pela longa batalha entre o paganismo e o cristianismo. Seu ódio pelos cristãos era tamanho que ele chegou a oferecer a vida de dois filhos para a Deusa (pelas descrições pode-se supor que a divindade adorada por Kon-Sten-Tyn era a deusa neopagã Ceridwen) a fim de obter mais tempo de vida para se dedicar a esta causa.

Em determinado momento Merlin diz uma frase que resume bem a vida de Kon-Sten-Tyn: “Ravenscar não passa de uma toca inútil, um covil cercado que oferece abrigo vão às bestas do anacronismo. (...) O seu reinado chegou com cinco séculos de atraso.” Kon-Sten-Tyn estava lutando inutilmente contra um poder o qual ele não poderia jamais vencer; ele não percebia que o mundo estava mudando e que, para não ser engolido pelo esquecimento, precisava se adaptar. Este é um conceito interessante, pois pode ser aplicado em diversas situações da vida humana. Muitas pessoas ficam presas às regras e costumes de determinada época, e suas mentes não evoluem junto com o mundo, de modo que não percebem as mudanças pelas quais ele passou.

Assim como o distante ancestral, Constantine também tem sua dose de anacronismo, que pode ser percebido em seu encontro com Martin Peters, antigo colega músico que atendia pelo nome de Destructo Vermin Gobsmack. Nas décadas de 60-70, Martin havia lutado contra o "sistema" junto com Constantine; mas enquanto o mago permaneceu fiel às suas ideias, Martin agora trabalhava para o governo, apoiando Margareth Tatcher e a guerra contra a Argentina pelas Ilhas Falklands. Este encontro leva à segunda parte deste anual: o videoclipe “Venus in the Hardsell”, ou Vênus do Varejo, como ficou traduzido aqui no Brasil o clipe do maior sucesso da banda punk de Constantine, a Membrana Mucosa.

Por que eu gastaria diversas linhas para falar sobre este clipe quando você mesmo pode assisti-lo, na interpretação da banda britânica Spiderlegs:


A participação de Jamie Delano neste encadernado se encerra com a abertura da saga O Homem de Família, na qual Constantine irá enfrentar um inimigo para o qual ele não está preparado: um homem comum. Comum no sentido de que ele não possui poderes sobrenaturais, embora o Homem de Família não possa ser considerado nem um pouco normal: ele é um serial killer! E não um serial killer qualquer, tampouco; ele é conhecido e reverenciado entre os próprios assassinos, chegando a ser mencionado na HQ Sandman, no arco Casa de Bonecas, onde é retratada uma convenção inédita entre assassinos seriais na qual o Homem de Família seria o convidado de honra.

Neste primeiro capítulo somos apresentados a este cruel e sádico assassino e seu modus operandi: o cara simplesmente gosta de assassinar famílias inteiras, de preferência aquelas aparentemente felizes, do tipo de comercial de margarina. A história parte do ponto em que parou no último volume, quando Constantine vai até a casa de um velho conhecido, Jerry O’Flyn, em busca de dinheiro, mas ele acaba descobrindo uma estranha ligação entre o excêntrico negociante e o Homem de Família, e meio sem querer acaba descobrindo a identidade do serial killer, e isso colocará a sua vida e de sua família em um perigo. No entanto, isto já é assunto para o próximo volume!

Constantine Descobre o Segredo de Jerry

As duas edições seguintes compõem um conto escrito pelo escocês Grant Morrison, no qual o mago visita uma velha amiga do sanatório Ravenscar numa pequena cidade inglesa chamada Thursdyke, onde os moradores resolvem organizar uma festa de Carnaval para esquecer dos problemas financeiros que a cidade vem passando. A história tem como tema principal a instalação de uma base nuclear nas proximidades da cidade, bem como o dilema moral enfrentado por seus habitantes: de um lado os riscos inerentes de se viver tão perto de uma base de mísseis nucleares americanos em solo britânico, de outro o tão esperado desenvolvimento econômico que a base poderia proporcionar para a cidade. Uma parte das habitantes é a favor da base, enquanto que outra é contra, e todas essas tensões afloram durante a tal festa de carnaval, que acaba se transformando em um verdadeiro show de horrores quando um cientista da base resolve testar um novo tipo de armamento: uma arma psíquica. Morrison se aproveita da mesma ideia utilizada por Delano em a Máquina do Medo, embora sua trama seja mais concisa e não se perca em meio a tantas reviravoltas desnecessárias.

Os desenhos pigmentados de David Lloyd casam perfeitamente com o clima da história, e Morrison consegue utilizar com eficiência o potencial da narrativa gráfica para impactar o leitor, fazendo uso de diversos recursos visuais, como as máscaras dos aldeões enlouquecidos (o pai descontente com a dedicação exclusiva da esposa ao bebê utiliza uma máscara grotesca de criança ao assassinar a mulher e o filho) e o mitra usado pelo padre da aldeia em formato de ogiva atômica. As três esferas da base de Flyindales estão sempre referenciadas na história, e podem ser vistas nas bolas de bilhar em uma mesa de sinuca e até nos três globos oculares que um homem arranca de seus cães de estimação usando um garfo. 

A Loucura Atinge os Cidadãos de Thusdyke

Histórias Raras se encerra com uma emocionante história de autoria de Neil Gaiman e desenhada com os traços surreais de Dave McKean, na qual descobrimos que nem todos os fantasmas são malignos; alguns simplesmente querem apenas... um abraço! Como todas as obras de Gaiman para a nona arte, é uma história que transcende o universo dos quadrinhos, possuindo uma elevada carga emocional, pois trata principalmente da forma como o ser humano trata um ao outro. A parte em que o mendigo simplesmente desaparece pois não tem ninguém para aquecê-lo no frio é uma triste metáfora para o isolamento que muitas pessoas se impõem frente à falta de empatia demonstrada pelas pessoas que as cercam, e como isso as faz definhar até o ponto de praticamente "desaparecer".


Um final digno para um excelente encadernado, cujo nível é bastante superior ao de seus antecessores, justamente por contar com as presenças ilustres e de peso de Morrison e Gaiman, que acrescentaram, cada um a sua maneira, uma visão própria a este incrível personagem que é John Constantine. Lembrando que esta obra foi publicada aqui no Brasil pela Panini Books em um encadernado com capa cartão e papel LWC,.

Boa leitura!

Capa do Volume 5

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Minhas Coleções - Miniaturas Superman & Cia



Mostrando um pouco mais da minha coleção de miniaturas DC Comics da Eaglemossvou apresentar minhas miniaturas do universo do Superman, tanto de seus principais aliados como de vilões.

Superman 

Começando com o Último Filho de Krypton. Esta miniatura representa o visual clássico do Superman, antes da reformulação de 2011 na qual a famosa cueca por cima da calça foi eliminada. Esta miniatura é bem bacana, as cores estão todas corretas, a postura nobre e preparando-se para alçar voo combinando bem com o personagem. O único problema - e que não é um defeito - é que ela poderia ser maior; esta estatueta ao lado de outros personagens como Bizarro e Superman Ciborgue dá a impressão de que o Super é "baixinho". Tirando isso é uma miniatura excelente!


Lex Luthor

O arquivilão do Superman. Lex Luthor já teve várias interpretações, tanto nos quadrinhos como no cinema, sendo a mais conhecida a de um empresário magnata que se ressente do poder e da fama do Superman, e passa a dedicar sua vida a manchar a imagem do herói e convencer o mundo de que ele é uma ameaça alienígena. Esta miniatura representa o personagem vestindo um traje mecânico que lhe confere grande poder de fogo e capacidade de voo, permitindo que consiga enfrentar Superman em combate corpo a corpo. 

Supergirl

Kara Zor-El é a prima do Superman. Assim como o primo, foi enviada em uma espaçonave para a Terra, mas acabou ficando presa em um asteroide de kriptonita em animação suspensa, de modo que quando chegou à Terra Superman já era adulto. Apesar do traço impecável da miniatura, não gostei desta representação, devido à sexualização exagerada. 

Brainiac

Natural do planeta Colu, este alienígena vaga pelo Universo em sua grande espaçonave em forma de caveira absorvendo o conhecimento de civilizações e depois destruindo-as. Além disso, ele tem o costume de miniaturizar as principais cidades desses mundos e engarrafá-las, para sua própria coleção. Foi o responsável pelo desaparecimento de Kandor, uma cidade kriptoniana, antes do grande cataclismo que destruiu o planeta natal do Superman. Esta miniatura é uma das minhas preferidas, dada a fidelidade com que foi concebida. A textura do uniforme dá um efeito muto bacana, bem com a pose, encarando o crânio de um de seus androides, ao melhor estilo Hamlet. É baseada na interpretação mais recente do personagem, da fase de Geoff Johns na revista Action Comics. 

Bizarro

Um clone malfeito do Superman, criado por Lex Luthor. Sua pele é pálida, suas feições são grotescas e veste o uniforme do Superman com o S invertido. Os poderes também são invertidos: ao invés de visão de calor e sopro gelado, ele tem visão congelante e sopro de fogo. Esta miniatura também está excelente, com o personagem em uma pose vacilante e desajeitada, típica de Bizarro. O colar com a inscrição: Bizarro #1, no entanto, é bem frágil, e qualquer pequeno esforço ou pancada indesejada pode quebrá-lo. 

Metallo

Também já teve algumas interpretações: já foi um criminoso transformado em androide por um cientista, com uma pedra de kriptonita a lhe dar vida; bem como um soldado do exército que se submeteu a uma experiência para transformá-lo em androide afim de poder enfrentar a ameaça alienígena representada pelo Superman. Esta é a versão clássica do personagem, resgatada por Geoff Johns em sua aclamada passagem por Action Comics. Não gosto muito desta versão, preferindo àquela em que ele é retratado como um homem normal, porém com o esqueleto mecânico por baixo da pele falsa e coração de kriptonita.

Apocalypse

Todos o conhecem como aquele que matou o Superman! Quando era apenas um bebê, Apocalypse foi submetido a um terrível experimento de evolução assistida em que era lançado a um território inóspito repleto de feras, assassinado e logo após clonado e lançado de novo para as feras, até que adquirisse a capacidade de sobreviver. O processo de repetiu milhares de vezes, de modo que a criatura se tornou um monstro sem sentimentos a não ser um ódio contra tudo o que fosse vivo, em especial os kriptonianos, que foram quem o criaram. E foi por causa desse mesmo ódio que, quando escapou de sua prisão, a criatura não parou até arrancar o último fôlego de vida do Homem do Amanhã..

A miniatura do Apocalypse, juntamente com o Batman no telhado, foi o primeiro especial da coleção da Eaglemoss a ser lançado aqui no Brasil, vindo inicialmente como um brinde para os assinantes da coleção. Feita de chumbo e com um tamanho diferenciado, essa miniatura por si só já é emblemática, por trazer a criatura segurando em uma das mãos a capa esfarrapada do Superman, como símbolo de que foi ele que derrotou o Homem de Aço. É uma peça de boa qualidade, sem nenhum defeito e fiel nos mínimos detalhes à caracterização do personagem.

Superboy

O clone adolescente do Superman criado pelo Projeto Cadmus. Conner Kent surgiu na famosa minissérie A Morte e o Retorno do Superman. Ele era um dos quatro Supermen que surgiram após Apocalyse matar o maior herói do mundo. Mais tarde é revelado que ele posui DNA tanto do Superman como de seu maior inimigo: Lex Luthor. Integrou equipes de super heróis juvenis, como os Titãs e a Justiça Jovem. A miniatura do Superboy é legalzinha, mostrando o herói com seu uniforme clássico, numa posição em que parece alçar voo ou dar um soco num adversário, vai saber. As feições do personagem que me pareceram, sei lá, meio abobalhadas, mas tirando isso não tenho muito a dizer.

Superman Ciborgue

Outro Superman falso que apareceu após a morte do Superman. Esta miniatura representa a versão clássica do personagem, em que ele é o astronauta Hank Henshaw, o qual foi vítima, junto cm seus colegas de equipe, de uma radiação que mudou sua estrutura genética (muto parecido com a origem do Quarteto Fantástico!). Após esse acidente seu corpo foi destruído, mas sua mente foi capaz de interagir com equipamentos eletrônicos, até que sua consciência foi parar na matriz de nascimento do Superman, que havia ficado em órbita da Terra (na versão de John Byrne, a gestação dos kriptonianos não era feita dentro do útero das mães, mas nessas matrizes de nascimento, e a matriz que iria parir o pequeno Kal-El foi enviada para a Terra no famoso foguete). Ele então copiou o código genético do Superman e criou para si um corpo cibernético semelhante ao do herói. Juntamente com o vilão Mongul (minha maior decepção com esta coleção foi terem deixado de fazer a miniatura de um vilão do porte de Mongul, enquanto fizeram de outros personagens mais bestas, como Detective Chimp!), o Superciborgue foi o responsável pela destruição de Coast City e pela consequente loucura do Lanterna Verde Hal Jordan.

Falando da miniatura em si, está bem fiel ao personagem, com destaque para as partes robóticas do personagem pintadas com uma tinta prateada brilhante.

Lobo

O Maioral! Esta miniatura, em sua versão de chumbo (porque agora a Eaglemoss tem lançado seus especiais em resina metálica, com qualidade mais baixa) é uma das mais procuradas e valorizadas da coleção. É uma das maiores miniaturas entre os especiais, juntamente com a do Antimonitor (14 cm), chegando a 13 cm de altura. É minha miniatura preferida, e a mais bem feita de toda a coleção.

Para quem não conhece, o Lobo é um czarniano, nascido num planeta utópico onde todo mundo vivia em paz... até seu nascimento. Ele exterminou toda a população de Czarnia, e se tornou um caçador de recompensas muito eficaz. Tem um olfato super desenvolvido, superforça e aparentemente é imortal. Sua aparência é inspirada nos integrantes da banda de rock Kiss, e sua personalidade é a de um roqueiro vândalo que gosta de bebedeira, confusão e muita violência. Embora seja um vilão, muitas vezes apareceu como anti-herói.

A miniatura do Lobo retrata com perfeição sua aparência e personalidade, indo desde o charuto, os detalhes de caveira no cinto, seu  bulldog de estimação Dawg e a cabeça de um alienígena sendo pisada.

Antimonitor

Da mesma forma que Darkseid está para Thanos, o Antimonitor está para Galactus. Ele é a maior ameaça intergalática do DCU, e foi o principal vilão da saga Crise nas Infinitas Terras, quando ele começou a destruir o Multiverso. Seu nascimento data da criação do próprio Multiverso, quando um cientista de Oa chamado Krona resolveu observar o Big Bang. Mas sem saber ele contaminou o momento da criação, e o que era para ser um único Universo coeso se tornou um frágil Multiverso, e no Universo de Antimatéria surgiu o Antimonitor. Foi necessário que todos os heróis da Terra e de outros mundos, bem como de outras dimensões, se unissem para derrotar esta poderosa criatura.

A miniatura do Antimonitor que eu tenho é feita de resina metálica e é a maior que eu possuo. Retrata o vilão em sua segunda forma (a primeira eu acho mais ameaçadora, porém menos conhecida), com a armadura semelhante a uma carapaça cobrindo sua acaprência horrenda). É uma miniatura bem feita e representa bem a imponência deste grande vilão.

Superboy Prime

Um dos seres mais poderosos do Multiverso, o Superboy Primordial não começou com um vilão. Natural do Universo Prime, ele também foi enviado para a Terra, mas seu lar não possuía super heróis, e o Superman só existia nas histórias em quadrinhos. Ele lutou ao lado dos heróis do Multiverso quando o Antimonitor destruiu seu lar, e se juntou a Alexander Luthor Jr. da Terra 3 e o Superman da Terra 2 em uma dimensão paraíso. No entanto, ao observar que os maiores heróis da Terra estavam falhando miseravelmente em proteger seu mundo, ele resolveu intervir juntamente com Lex Luthor Jr. Seu objetivo era trazer de volta seu mundo original, com a consequente destruição dos outros universos. Ele cria uma armadura baseada na do Antimonitor capaz de absorver energia solar e dá muito trabalho para os heróis da Terra, chegando a matar o Superboy Conner Kent.

Sua miniatura o retrata em sua versão vilanesca, vestindo a armadura especial e com a capa rasgada como se estivesse em alguma batalha.

Darkseid

Por fim, o maior vilão do DCU: Darkseid! Criado por Jack Kirby, Darkseid faz parte de um grupo de super seres autodenominados Novos Deuses. Há Novos Deuses do bem, os que vivem no planeta paradisíaco Nova Gênese, e os Novos Deuses maus, habitantes do planeta Apokolips, governado com mão de ferro pelo tirano Darkseid. Sua maior obsessão é encontrar a famosa Equação Antivida, a qual teoricamente lhe daria o poder de tirar o livre arbítrio de todos os seres do Universo. Seu grande poder são os raios ômega disparados de seus olhos, os quais são capazes de perseguir o alvo, mudando até mesmo de direção.

A miniatura de Darkseid também faz parte das especiais da coleção, e  retrata o vilão em seu visual clássico, conforme foi concebido por Jack Kirby. Sua pose revela toda sua imponência, mostrando-o como um verdadeiro déspota tirano e impiedoso. A única coisa que não gosto neste visual são as botas compridas, até as coxas, que fazem parecê-lo uma drag queen espacial!

Bem, então é isso, amiguinhos! Espero que tenham gostado e que este post tenha inspirado alguém a adquirir alguma destas miniaturas, mas só um aviso: aqui no Brasil elas estão super inflacionadas! Podem ser compradas nas bancas, no Mercado Livre ou na própria loja virtual da Eaglemoss. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

[RESENHA] Preacher #5: Rumo ao Sul + HOMENAGEM A STEVE DILLON (1962-2016)

Steve Dillon

Estava eu navegando na Internet no dia 22 de Outubro quando me deparo com uma triste notícia: a nona arte acabava de perder um grande colaborador, o artista britânico Steve Dillon, vítima de uma ruptura do apêndice. Sim, aquela doença escrota que causa dores escrotas e que pode ser resolvida com uma simples operação. Infelizmente a vida real não é como nos quadrinhos, onde a morte não é definitiva, e sempre é possível voltar com um reboot ou um soco na realidade.

Dillon ficou famoso no mundo dos quadrinhos principalmente por sua colaboração com o roteirista Garth Ennis em Hellblazer e Preacher, da DC/Vertigo e Justiceiro da Marvel. Os dois possuíam uma conexão que poucos artistas conseguem alcançar na atualidade: os desenhos de Dillon eram capazes de traduzir completamente o espírito dos roteiros loucos de Ennis, e o desenhista é um dos raros casos em que um leitor pode abrir uma HQ e de cara reconhecer seus desenhos, sem precisar ler os créditos.

Para homenagear Steve Dillon, resolvi antecipar a resenha do volume 5 de Preacher, uma vez que o próximo volume, seguindo a sequência das minhas postagens, seria Histórias Antigas, que é justamente uma coletânea com os especiais de Preacher desenhados por outros artistas. Como a falta dessas histórias não afeta o entendimento do Volume 5 - que é totalmente desenhado por Dillon -, resolvi antecipar este volume.

Les Enfants du Sang

É em Preacher Volume 5: Rumo ao Sul, que as coisas começam a dar realmente errado para o trio Jesse, Tulipa e Cassidy. Garth Ennis deixa a ação um pouco de lado para explorar a relação entre estes três personagens, em especial o aspecto "confiança".  Enquanto o Reverendo Mais Irreverente do Mundo precisa recuperar a confiança de sua amada, traída quando ele a abandonara em um hotel na França para lutar contra o Graal sozinho, o vampiro irlandês, durante um porre, revela que está perdidamente apaixonado por Tulipa. É claro que a loira recusa o beberrão, mas fica numa verdadeira sinuca de bico, pois Cassidy e Jesse são grandes amigos, e ela tem medo de estragar essa amizade revelando que o melhor amigo do seu namorado quer furar o olho dele. Assim, vivendo nessa tensão invisível, o trio viaja para Nova Orleans, onde eles irão encontrar um velho amigo de Cassidy, que irá utilizar magia vodu para que Jesse se conecte com a entidade Gênesis e possa descobrir o paradeiro de Deus, com quem ele quer acertar as contas.

O problema é que toda vez que eles seguem os conselhos de Cassidy dá em alguma merda (vide o Retalhador Picador, de Preacher #1), e dessa vez não é diferente. Agora eles irão cruzar o caminho dos Enfants du Sang, um grupo de jovens góticos aspirantes a vampiro que têm uma rixa com Cassidy. Além disso, Xavier, o sacerdote vodu cuja ajuda eles vão procurar, é um antigo desafeto do vampiro, devido a um caso misterioso do passado, envolvendo uma mulher. Pelo visto, não é a primeira vez que Cassidy fura o olho de um amigo.


Durante o ritual vodu Jesse descobre, por meio de Gênesis, sobre a verdadeira história do Santo dos Assassinos (que é revelada no Volume 4: Histórias Antigas), bem como o verdadeiro causador de toda a desgraça na vida do matador. Cassidy reencontra os Enfants du Sang, com resultados nada agradáveis para ele, e é Tulipa quem tem que resolver a parada, mostrando mais uma vez que ela é a integrante mais fodona do trio, pelo menos quando está com uma arma na mão.

Esta história ainda conta com o retorno de um personagem que há muitas edições não dava as caras: o Cara de Cu. O bizarro adolescente consegue finalmente encontrar o pastor Jesse Custer, mas será que finalmente ele terá coragem de se vingar?

Esta história apresenta o enredo mais fraquinho até agora, porém continua repleto de situações absurdas e engraçadas, a maior parte delas protagonizada pelo Cara de Cu, que inacreditavelmente começa a galgar seu caminho de astro do rock. Confesso que de início não gostei muito desse lance de triângulo amoroso no trio de protagonistas, porém isto irá se mostrar importante no futuro da série e para sua conclusão. Os desenhos de Steve Dillon continuam sensacionais, com seu estilo simples e ao mesmo tempo detalhista. O que chama a atenção, como sempre, é a caracterização dos personagens e suas expressões, que são o marco deste incrível artista, que com certeza fará muita falta aos quadrinhos de um modo geral.

Preacher #5 foi publicada no Brasil pela Panini Books em um encadernado em uma edição de luxo com capa dura e papel couchê. Boa leitura!


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

[RESENHA] Jurassic Park (LIVRO), de Michael Crichton


Esta é uma resenha muito especial, pois vou falar sobre um livro do qual particularmente eu gosto muito: Jurassic Park, ou, em português, Parque dos Dinossauros. Como fiz questão de frisar no título desta postagem, estou me referindo à obra literária escrita pelo mestre da ficção científica Michael Crichton, e não ao filme homônimo dirigido por Steven Spielberg que fez tanto sucesso na década de 1990, ainda que algumas comparações entre ambas as obras sejam inevitáveis.

Além da inquestionável qualidade narrativa de Crichton, este livro tem um lugar especial em minha estante devido ao fato de falar sobre essas criaturas incríveis que viveram e caminharam bem aí onde você está sentado há milhões e milhões de anos atrás, e sobre as quais sabemos tão pouco, na verdade apenas aquilo que é possível deduzir analisando seus esqueletos fossilizados, que foi praticamente a única evidência que restou deles após a grande extinção que os varreu da face da Terra e possibilitou que nós, seres humanos, pudéssemos nos tornar a raça dominante do planeta.

Desde que foram descobertos os primeiros fósseis de dinossauros, os assim chamados "Lagartos Terríveis" têm cativado a imaginação das pessoas, principalmente das crianças. E foi justamente quando eu ainda era um pequeno infante que me apaixonei pelos dinossauros, graças à influência de um amiguinho de escola, o Diego Ramalho - que hoje é professor de filosofia e não deve mais lembrar o que é um Parassaurolofo. Naquela época o filme de Spielberg tinha acabado de ser lançado e até hoje não esqueço o momento de espanto e encantamento que foi ver (na enorme tela de 14 polegadas da minha TV de tubos catódicos) o grande tiranossauro fazer picadinho de um jipe com duas crianças presas dentro da cabine do veículo. Como praticamente toda criança inocente dos anos 90 eu achava realmente que se tratava de um dinossauro de verdade, e fiquei triste quando minha mãe me explicou que aquilo na verdade era um grande boneco.

Escavação de um Esqueleto de Dinossauro

Anos depois descobri que o filme, que eu vira dezenas de vezes, era na verdade baseado em um livro, e que o escritor deste livro também havia escrito o roteiro do filme. Ainda assim, por algum motivo (talvez porque quando me tornei adolescente, imbuído de novos interesses, me afastei da maioria das minhas paixões da infância) demorei bastante tempo para ler o livro. Então, quando a Editora Aleph lançou esta bela edição cuja capa encabeça esta postagem, vi a excelente oportunidade de finalmente conhecer a história que deu origem ao filme. E que grata surpresa, pois, apesar de ter uma trama similar, as duas obras não poderiam ser mais diferentes!

A maior parte da história se passa na Ilha Nublar, localizada na Costa Rica, onde uma empresa de bioengenharia chamada Ingen construiu um parque semelhante a um zoológico que possibilitaria aos visitantes entrarem em contato com dinossauros reais, trazidos de volta à vida graças a avançadíssimas técnicas de clonagem. Michael Crichton utiliza a mesma fórmula empregada por ele em Westworld, filme de 1973 roteirizado e dirigido pelo escritor, no qual visitantes de um parque temático, pelo preço certo, podiam ter a sensação de voltar no tempo ao interagir com robôs customizados de caubóis, cavaleiros medievais e gladiadores romanos. Em ambas as obras, um mal funcionamento no parque faz com que as principais atrações saiam de controle e comecem a atacar os visitantes.

Embora esta seja basicamente uma história de aventura, com alguns traços de suspense e terror (Crichton não poupa o leitor com descrições de cenas de evisceração e desmembramentos), o lado da ficção científica - com ênfase no termo "científica" - não é deixado de lado. Uma das características mais marcantes dos livros de Crichton, e que está bastante presente em Jurassic Park, é o uso da ficção para demonstrar para o leitor alguma teoria científica de ponta. Quem ganha espaço nas páginas de Jurassic Park é a Teoria do Caos*, e o porta-voz de Crichton é o personagem Ian Malcolm, um matemático excêntrico que, mesmo cercado por um bando de velociraptores sanguinários encontra tempo para esmiuçar os seus postulados.


Ian Malcolm é contratado pela Ingen para, por meio de seus complicados cálculos, testar a viabilidade da atração turística. No entanto, as equações de Malcolm só mostraram que o parque estava fadado ao fracasso desde o início, por um simples motivo: os cientistas e engenheiros da Ingen estavam lidando com um sistema genuinamente complexo, e, portanto, imprevisível, como se fosse um sistema simples. Qualquer empreendimento que lide com seres vivos já é bastante complexo, ainda mais em se tratando de criaturas extintas há 65 milhões de anos.

O fundador da Ingen e idealizador do projeto do Parque dos Dinossauros, John Hammond, ignora completamente os alertas de Malcoln, em parte porque acredita em sua visão, e também porque precisa tornar o empreendimento lucrativo para seus investidores, sem os quais jamais poderia ter construído o parque. Quem está acostumado com o filme de Spielberg praticamente não reconhecerá aquele velhinho simpático do filme no John Hammond obcecado e sem escrúpulos do livro, de modo que até o carinho pelos netos, Lex e Tim, não passa de puro fingimento, um papel interpretado por ele para convencer os investidores de que o parque é seguro.

É claro que em um dado momento as coisas acabam saindo de controle; porém antes do caos se instaurar já haviam aparecido sinais de que alguma coisa estava errada com a ilha: acidentes durante construção, avistamentos de répteis estranhos no continente, ataques a crianças e idosos. Tudo isso faz com que os investidores enviem um grupo de inspetores de última hora para avaliar as instalações do parque. Este grupo é composto por Alan Grant, um renomado paleontólogo que assume o protagonismo da trama; Ellie Sattler, uma jovem paleobotânica e estagiária de Alan; Donald Genaro, um advogado que representa os investidores; e por último Ian Malcolm.

É quando este grupo está fazendo uma excursão pelo parque que os sistemas de controle sofrem uma pane geral, e todos os dinossauros escapam da ilha. Eles então precisam lutar pela sobrevivência, enquanto os técnicos e engenheiros no prédio de controle tentam reiniciar os sistemas. O enredo aqui é bem parecido com o filme, só que mais rico em detalhes. Há ainda diversas passagens que não foram inseridas na produção cinematográfica, mas apareceram em suas sequências, embora em circunstâncias diferentes, como a cena do aviário. O filme também ignora completamente a questão da fuga dos dinossauros para o continente, o que no livro adquire um status de missão principal.

A famosa Cena do Tiranossauro

Os personagens mais importantes do livro, no entanto, são os próprios dinossauros. Crichton apresenta uma grande variedade deles, e suas descrições são ricas em detalhes. A ideia de dinossauros concebida por ele, e transportada para os filmes graças a revolucionárias técnicas de animação digitail, até hoje está entranhada na imaginação das pessoas. Tal ideia, no entanto, nem sempre é a mais correta de acordo com as descobertas dos paleontólogos. Em exemplo clássico são os velociraptores, descritos por Crichton como dinossauros com cerca de 1,80 m de altura, quando suas versões reais mediam o equivalente a um cachorro médio (clique aqui para ver a comparação). Além disso, há indícios de que estas criaturas eram cobertas de penas, o que destrói ainda mais a imagem aterrorizante criada por Crichton.

O livro é dividido em blocos de capítulos representando cada uma das iterações que levam até o caos absoluto, e cada divisão é marcada por um interlúdio onde aparecem trechos da teoria de Malcolm e o desenho de um fractal, que são figuras ligadas à Teoria de Caos. Basicamente, um fractal é uma figura geométrica que tem uma interessante característica: cada parte que compõe a figura possui a forma da própria figura, como um floco de neve (clique aqui para saber mais). As primeiras imagens, bastante simples, ainda não nos possibilitam enxergar o todo, embora já possamos deduzir alguns de seus contornos; conforme as iterações vão avançando, ou seja, o sistema vai rumando ao caos, as figuras vão ficando mais elaboradas e podemos enxergar o problema em toda sua complexidade. Da mesma forma a trama vai progredindo, primeiro com sinais de que os dinossauros fugiram ao controle, até o momento em que eles dominam toda a ilha.

Esta edição da Aleph está bem bonita, feita com muito capricho para os fãs mais exigentes. As páginas possuem as bordas tingidas de vermelho vivo, fazendo alusão a sangue. As páginas iniciais são preenchidas com belíssimas ilustrações que remetem ao filme de Spielberg, como as ondulações na água denotando o famoso "tremor de impacto" que indica a aproximação de um T-Rex e o mosquito preso dentro do âmbar. Só senti falta de um pequeno detalhe, que é um mapa da Ilha Nublar com suas principais instalações. Na continuação, O Mundo Perdido, a editora corrige essa falha, apresentando um mapa da Ilha Sorna. Esta é, sem dúvida, uma excelente pedida para os fãs da franquia Jurassic Park que desejam conhecer este universo mais profundamente, sob o olhar de seu criador, além de ser recomendadíssimo para aqueles que gostam de uma ficção científica bem contada e plausível.

Para quem não conhece, Michael Crichton (1942-2008) é um escritor estadunidense de thrillers tecnológicos e também de obras de não ficção. Ficou famoso por ser o criador da série ER - Plantão Médico, e por livros como Jurassic Park, O Enigma de Andromeda, Congo e Presa, muitos do quais adaptados para o cinema. Ele teve até mesmo um dinossauro baseado com seu nome: Crichtonsaurus bohlini.



Velociraptor Segundo as Teorias Mais Recentes

*A Teoria do Caos começou a ganhar força na década de 60, quando Edward Lorentz divulgou sua teoria do "Efeito Borboleta": o bater das asas de uma borboleta em Tóquio pode causar uma tempestade em Nova York. Exageros à parte, a Teoria do Caos é um ramo muito importante da matemática que se propõe a estudar sistemas complexos, aqueles com um grande número de variáveis e iterações, muitas vezes representados por equações não-lineares. Uma característica fundamental desses sistemas é sua alta sensibilidade às condições iniciais. Foi estudado que, ao tentar representar matematicamente a formação de uma simples nuvem, uma alteração de 0,0000001% em uma das variáveis no início da formação pode gerar uma alteração gigantesca e completamente imprevisível no resultado final.