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domingo, 22 de abril de 2018

Batman: Cataclismo e Terra de Ningém



Não é fácil morar em Gotham City. Assolada por todo tipo de criminosos, desde gangues de traficantes a assassinos fantasiados mentalmente insanos, o lar do soturno vigilante conhecido como Batman já foi o marco zero de uma epidemia de ebola que quase dizimou a sua população. Como se isto não bastasse para obrigar até o mais corajoso cidadão a fazer as malas e se mandar para Metrópolis ou Central City, Gotham também foi o epicentro de um terremoto de 7.6 pontos na escala Richter que transformou a cidade em uma grande pilha de escombros e a mandou de volta à Idade das Pedras. 

Numa época em que o cinema catástrofe estava na moda (filmes como Volcano, Twister e Armageddom são apenas alguns exemplos), um time de roteiristas composto por Alan Grant, Doug Moench e Chuck Dixon resolveu trazer o tema para as páginas dos quadrinhos. Só havia um pequeno probleminha de ordem geológica com esta ideia: para quem não sabe, Gotham City supostamente estaria localizada na costa leste dos Estados Unidos, perto de Nova York e Washington, uma região do país em que terremotos não são nem um pouco comuns - eles costumam acontecer lá pelas bandas da costa oeste, tipo na Califórnia. Tal fato, porém, não impediu os distintos roteiristas de apostar na ideia de um grande terremoto atingindo a cidade do Cavaleiro das Trevas.

Cataclismo, como ficou conhecida esta saga, foi um grande crossover que se desenrolou nas páginas das revistas Batman, Detective Comics, Shadow of the Bat (A Sombra do Morcego), Asa Noturna, Azrael, Mulher Gato e Robin, nos meses de março e abril de 1998. Na primeira parte deste arco acompanhamos o mesmo evento - o terremoto - sob a ótica do Batman e seus afiliados. Enquanto o Homem Morcego precisa escapar da destruição da mansão Wayne e da Batcaverna, os outros membros da batfamília precisam fazer das tripas o coração para resgatar o maior número possível de civis dos desmoronamentos. A segunda parte é focada na busca por um "novo" vilão que alega ter sido o responsável pelo terremoto e ser capaz de provocar um segundo, caso suas exigências não sejam atendidas. Em um universo em que coexistem seres capazes de destruir toda uma cidade (ou até mesmo o planeta), ninguém duvida de tais alegações, e aqui vemos o Batman assumir o perfil de detetive para descobrir a identidade deste vilão. O final desta história só prova o quanto os criminosos de Gotham City são os mais criativos e ousados de todo o Universo DC. 



Capa da versão americana de Cataclismo

A arte de Cataclismo é bastante afetada pelo formato da série, em que artistas diferentes contribuem com os desenhos em cada edição. Isto gera uma falta de uniformidade que acaba afetando a qualidade da obra como um todo. A grande importância de Cataclismo, porém, foi ela ter sido o ponto de partida para a grandiosa maxissérie que conduziu o universo do Morcego dos tenebrosos anos 90 para os ares mais frescos do século 21: Terra de Ninguém

Nesta história, o governo dos EUA, influenciado pela opinião de que Gotham não valia o esforço de reconstrução devido ao seu extenso histórico de criminalidade e corrupção, decide abandonar a cidade e decretá-la "Terra de Ninguém". Em outras palavras, aqueles que decidiram ficar na cidade após o decreto foram entregues à própria sorte e perderam o direito à cidadania americana. As pontes que ligavam a cidade ao continente foram derrubadas, os túneis bloqueados, e uma força militar permanente foi posicionada em suas fronteiras para impedir qualquer um de entrar ou sair da cidade. Do lado de dentro de Gotham uma nova ordem social foi instaurada, na qual antigos valores e instituições não existiam mais. Num mundo em que "fósforos valem mais do que uma câmera", e a úncia lei que existe é a do mais forte, os gothamitas se dividiram em tribos, umas formadas por membros de gangues de rua, outras encabeçadas pelos mais proeminentes vilões da cidade, como o Pinguim e o Duas Caras, e outras ainda pelos antigos agentes da ordem: o ex-comissário de polícia James Gordon e seus "rapazes de azul", e o time do Morcego. 


Gotham City Dividida

A ideia por trás de Terra de Ninguém foi concebida pelo editor Jordan B. Gorfinkel, e levada à cabo por um seleto time de roteiristas, dentre os quais se destacaram Bob Gale, Scott Beatty, Devin K. Grayson e Greg Rucka. Foram cerca de 80 edições e mais de 2.000 páginas de histórias em quadrinhos publicadas durante todo o ano de 1999, compreendendo todo o período desde que Gotham foi decretada Terra de Ninguém até a reabertura de suas fronteiras. 

A história principal se desenrolou nas páginas dos quatro principais títulos do Morcego na época - Batman, Detective Comics, Shadow of the Bat e Legends of the Dark Knight -, e foi dividia em diversos arcos de histórias individuais e interligadas. Uma Nova Ordem Sem Lei, escrita por Bob Gale e  fantasticamente desenhada por Alex Maleev (Demolidor, fase do Bendis) nos apresenta a nova Gotham City, com todas as suas nuances políticas e divisões territoriais, através do relato de Barbara Gordon, a Oráculo. É nesta história que somos apresentados à nova Batgirl, posto que estava vago desde que Barbara fora aleijada pelo Coringa. Uma frase chama muito a atenção quando a heroína detém dois trombadinhas, e um deles a desdenha pelo fato dela ser mulher: 


"Se você fosse um valentão e apamnhasse de uma mulher, ia admitir? Ou ia dizer que foi um cara enorme com dois metros de altura, forte e com garras? Avisem seus amigos... enqunto tiver gente em Gotham, vai ter um MORCEGO."


A nova Batgirl

Uma das melhores coisas que aconteceram em Terra de Ninguém foi o protagonismo dado a James Gordon. O ex-Comissário de polícia tenta manter Gotham, ou pelo menos uma parte dela, civilizada, enquanto tudo ao seu redor desmorona em caos e barbárie. Para isso ele precisa tomar decisões difíceis - algumas até moralmente duvidosas -, como se aliar a um perigoso vilão para impedir que seu território seja engolido por inimigos. É o que vemos em Ligações Perigosas e A Marca de Cain, de Greg Rucka e Kelley Puckett, respectivamente. As cosias ficam ainda piores em Fruto da Terra, também de autoria de Rucka, quando Billy Pettit, um oficial intransigente e linha-dura, provoca um racha entre os "rapazes de Azul", deixando o território de Gordon ainda mais fragilizado.

Apesar de todos estes percalços, a tarefa mais difícil de Gordon, entretanto, é equilibrar sua posição como líder com sua relação amorosa com a policial Sarah Essen, a qual reprova sua teimosia em não aceitar a ajuda do Batman. Acontece que, após o terremoto, Batman havia deixado a cidade para tentar impedir que ela virasse uma Terra de Ninguém, utilizando-se da influência política de Bruce Wayne, e Gordon não perdoou o herói por acreditar que ele também havia abandonado a cidade em seu pior momento.

E falando no Cruzado de Capa, é muito divertido vê-lo tendo que se adaptar à nova geografia da cidade, bem como a suas novas manias sociais, como a identificação de territórios por meio de pichações. No início, ele tenta absorver para si a tarefa de tentar salvar a cidade do domínio dos vilões, como nos seus primeiros dias de combate ao crime, porém em determinado ponto e acaba percebendo que precisa de ajuda, e reúne mais uma vez a batfamília, que havia sido dispersada após o terremoto, delegando missões específicas a cauda um dos integrantes. Infelizmente, os arcos de histórias vividos pelos agentes do Morcego que servem de tie-ins para a trama principal são o grande ponto fraco desta saga, devido à baixa qualidade dos seus roteiros e desenhos. Acompanhar o Robin enfrentando o Caça-Ratos, Azrael lidando com um homicida dançarino de flamenco e o Asa Noturna tomando o controle de Blackgate das mãos do KGBesta torna-se totalmente desnecessário. Somente o arco da Mulher-Gato salva, e não por causa de sua qualidade, mas por estar diretamente ligado aos eventos finais de Terra de Ninguém. 


Legends of the Dark Knight #119 - Ligações Perigosas 1

Foi durante Terra de ninguém que a Arlequina, famosa parceira de crimes do Coringa, fez a sua estreia no universo regular da DC Comics. Criada pela talentosa dupla Paul Dinni e Bruce Timm exclusivamente para a série animada do Batman em 1992, a personagem caiu rapidamente na graça dos fãs, e no ano seguinte já apareceu nas páginas da revista The Batman Adventures, a qual não integrva a cronologia oficial do Morcego. Assim, em outubro de 1999, foi lançado o especial Batman: Arlequina, aquela com a famosa capa desenhada por Alex Ross que exibia o Coringa vestindo um smoking e dançando com a Arlequina. Esta história, além de narrar a origem da vilã, também explica a ligação dela com a Hera Venenosa, que mais tarde viria a ser explorada na HQ Sereias de Gotham

Uma das coisas que fica claro nesta primeira aparição da Arlequina, e nas que viriam a seguir, é a natureza abusiva do seu relacionamento com o Palhaço do Crime, o qual, a despeito de toda a devoção da moça, a trata com extrema violência, tanto verbal como física. Foi principalmente esta relação que David Ayer falhou em mostrar em seu Esquadrão Suicida, preferindo mostrar os dois vilões como um casalzinho apaixonado.



Capa do Especial Batman - Arlequina


Conforme a saga vai rumando para sua épica (e trágica) conclusão, no arco Fim de Jogo, o ritmo das histórias começa a ficar mais frenético. Batman e Gordon, obviamente, voltam a se tornar aliados, proporcionando a incrível cena em que o herói tenta mais uma vez revelar a sua identidade secreta para o policial, que se recusa a encará-lo sem o capuz. Aqui fica revelado o que todos nós já suspeitamos há tempos: que ele já sabe quem o Batman é por trás da máscara desde a saga Ano Um, porém esta informação nunca foi importante para ele.

É perto do final que Lex Luthor aparece como o grande "salvador" de Gotham, ao apoiar a revogação da lei que transformou a cidade em uma Terra de Ninguém. Suas reais intenções, porém, se revelam nem um pouco altruístas: seu objetivo era se tornar dono de grande parte das propriedades de Gotham, por meio de aquisições fraudulentas. É claro que seu plano acaba sendo exposto pelo Batman, porém a popularidade que ele angariou como bem-feitor da cidade acabou levando-o posteriormente a se eleger presidente dos Estados Unidos da América. 

Mas quem verdadeiramente brilha no final de Terra de Ninguém é o Coringa. Quando tudo parecia estar se encaminhando para uma solução satisfatória o vilão executa sua cartada final, sequestrando todos os bebês nascidos na cidade durante o último ano. Apesar de ter seu plano desbaratado, ele inflige outra tragédia na vida de James Gordon, atingindo outra pessoa de sua família. O confronto final entre Gordon e o Coringa traz a melhor cena deste arco, sem sombra de dúvida. O ex-comissário tem a chance de acabar de uma vez por todas com o vilão, mas opta por não fazê-lo, e ao invés disso dispara contra o joelho do Coringa, que, mesmo em meio à dor, faz piada com a ironia da situação: a de que ele provavelmente não andaria mais, assim como a filha de Gordon (numa referência aos eventos de A Piada Mortal).


Batman Revela sua Identidade Secreta

Seja por seu tamanho exagerado, que intimida a maioria dos leitores, ou por ser fruto da esquecível década de 90, Terra de Ninguém é uma fase que poucos fãs de do Batman conhecem, e por isso mesmo muitos deles desconhecem seu enorme legado. O jogo Batman - Arkham City, o filme Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, de Christopher Nolan, e a saga Ano Zero, escrita por Scott Snyder durante a ase dos Novos 52, se inspiraram claramente em diversos elementos de Terra de Ninguém. Ainda assim, foi um período de grandes acontecimentos para a cronologia do Batman, e uma das passagens mais divertidas da trajetória do herói dos quadrinhos.

Batman: Terra de Ninguém ficou muito tempo longe das prateleiras, até recentemente, quando foi republicada no Brasil pela editora Eaglemoss, em uma coleção especial em seis volumes de capa dura, incluindo a saga Cataclismo. Esta edição traz todo o run principal da saga, porém deixa de fora o especial da Arlequina, que foi publicado separadamente pela Panini Comics. Boa leitura!


Batman - Terra de Ninguém (Eaglemoss)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

RESENHA | Justiça


Muitos de nós, fãs incondicionais de quadrinhos de super heróis, crescemos assistindo àquele famoso desenho animado dos Superamigos, da Hanna-Barbera, que trazia os mais importantes personagens da DC Comics em sua versão animada (se você foi um dos que assistiram este desenho, saiba, meu amigo, que está ficando velho!). Muitos de nós, aliás, tivemos nosso primeiro contato com personagens como Batman, Superman e Mulher Maravilha através desta animação. Havia uma temporada deste desenho - intitulada O Desafio dos Superamigos -, em que os super heróis enfrentavam uma sinistra equipe formada por alguns dos maiores super vilões da DC Comics da época: a Legião do Mal. Foi desta série que veio a inspiração para a criação de Justiça, uma maxi-série em 12 edições concebida pela lenda viva da nona arte Alex Ross (Marvels, Reino do Amanhã, Terra X), com roteiros de Jim Krueger (Terra X) e lápis de Doug Braithwaite.

Legião do Mal - Alex Ross (acima) / Superamigos (abaixo)

Se existe um motivo básico para ler esta história, sem sombra de dúvida é a fabulosa arte de Alex Ross. Cada quadro do artista é, literalmente, uma pintura, que impressiona por sua aparência realística, apesar da caracterização clássica dos personagens (não é mistério para ninguém que Alex Ross é um entusiasta do estilo clássico da Era de Prata dos quadrinhos). Somente ele para desenhar um Superman ultrarrealista vestindo seu famoso uniforme azul, amarelo e vermelho, e com a cueca por cima da calça! E o que dizer das splash pages mostrando, nos mínimos detalhes, épicas cenas de batalha entre diversos heróis e vilões da DC: um verdadeiro prato cheio para os fãs de histórias de super heróis em sua forma mais clássica! No entanto, seria injusto atribuir todo o crédito da arte apenas a Alex Ross, já que nesta nesta Graphic Novel em particular ele colaborou com o desenhista britânico Doug Braithwaite, o qual forneceu os esboços a lápis sobre os quais Ross pintou. Felizmente, o estilo do traço de Braithwaite é bastante parecido com o de Alex Ross, de modo que o resultado foi um verdadeiro amálgama da arte de ambos.

Superman, por Alex Ross

Mas não é só por causa da belíssima arte que vale a pena ler Justiça: o roteiro de Jim Krueger também tem seus méritos. A premissa básica de Justiça é bastante interessante: e se os maiores super vilões do planeta decidissem empregar seus dons, normalmente utilizados em crimes mesquinhos ou em planos de dominação mundial, para resolver os problemas da humanidade? É justamente isto que acontece no primeiro ato de Justiça: motivados por um pesadelo compartilhado, no qual a Liga da Justiça falha em salvar o mundo de um Armagedom nuclear, os vilões decidem se unir e fazer aquilo que os maiores heróis do planeta não se dispuseram a fazer até então: curar doenças, resolver o problema da fome, transformar desertos em florestas, enfim, melhorar a vida dos humanos comuns. A grande questão é: será que todos estes atos são genuinamente altruístas, ou há algum plano maligno por trás de tudo? Pois, ao mesmo tempo em que anunciam seu plano de salvação para o planeta, os vilões lançam um ataque orquestrado e avassalador contra a Liga da Justiça, inutilizando seus membros mais poderosos.

Ataque à Mulher Maravilha

Um ponto negativo do enredo de Justiça é justamente o fato de o conceito principal da trama não ser desenvolvido ao longo da história, que embarca em uma linha mais voltada para o embate clássico entre heróis e vilões. Além disso, falta coragem quando nenhum dos heróis derrubados sofre qualquer dano permanente, mesmo o Aquaman, que tem um pedaço do cérebro cirurgicamente removido por Brainiac. Mesmo a questão das identidades civis dos membros da Liga da Justiça, descobertas durante o ataque da Legião do Mal, é resolvida de maneira simples e rápida, para que, ao final, o status quo dos heróis continue o mesmo de antes. Ao final de Justiça, absolutamente nada muda para os heróis, a não ser o conhecimento de que eles não são, afinal, invencíveis. Mas esta é, por si só, a essência da Era de Prata: de que, apesar de tudo parecer que irá dar errado no começo, os verdadeiros heróis encontrarão as forças para dar a volta por cima e fazer com que tudo volte ao normal.

A conclusão da história é nada menos do que épica, e faz jus ao título que Alex Ross originalmente usaria: Vs (Versus). É herói contra vilão, ou melhor, em alguns casos, chega a ser herói contra herói, já que os vilões voltam os pupilos dos membros da Liga da Justiça contra seus antigos mentores. Numa batalha que toma grande parte das três últimas edições, vários heróis da DC Comics tomam parte do conflito: além da Liga e dos Jovens Titãs, temos a Patrulha do Destino, os Homens Metálicos e a Família Marvel (não, não estou falando dos Vingadores!). Sendo esta uma história com o dedo de Alex Ross, um personagem que ganha bastante destaque é o Capitão Marvel, que tem diversas cenas excelentes ao lado do Superman.

O Capitão Marvel

Apesar do grande número de personagens, o roteirista soube onde colocar cada um deles e empregar seus poderes com bastante eficiência, até mesmo personagens secundários como o Homem Elástico ou os Homens Metálicos. E por falar nos coloridos robôs do Dr. Magnus, não se pode concluir uma resenha de Justiça sem falar nas controversas armaduras usadas pelos heróis da Liga da Justiça no confronto final com a Legião do Mal. Alex Ross nunca escondeu que o preço para publicar Justiça foi criar uma linha de personagens que a DC pudesse utilizar para vender bonecos. Esta não foi a primeira vez que uma editora fez isso, tampouco a última; contudo, Krueger insere a necessidade das armaduras de forma bem natural e coerente em seu roteiro, de modo que o novo visual não causa nenhum problema à história em si, a não ser por ter tirado o glamour das cenas finais, que teriam sido muito melhores com os heróis em seus trajes clássicos.

A Liga da Justiça com suas Armaduras

Não ouso dizer que Justiça seja um clássico, um divisor de águas para o gênero, uma obra-prima dos quadrinhos; porém ela é uma excelente pedida para quem gosta de uma boa história de super heróis, repleta de ação, planos mirabolantes, reviravoltas e dezenas dos personagens mais clássicos da Editora das Lendas lutando entre si, tudo isso retratado com uma arte soberba. Justiça é uma homenagem a uma era dos quadrinhos em que as coisas eram mais simples e ingenuamente otimistas, quando os enredos ainda não haviam sido contaminados pelo cinismo da década de 80. Enfim, Justiça é uma carta de amor escrita e desenhada por um grande fã para outros fãs.

E se o amigo leitor estiver se perguntando como fazer para ler esta HQ, existem algumas opções: a primeira é ler as edições individuais que foram publicadas pela Panini na época do lançamento, e que com sorte podem ser encontradas no Mercado Livre; a segunda, e mais indicada, é adquirir a Edição Definitiva lançada por esta mesma editora no Brasil, uma versão de luxo lindíssima publicada em tamanho grande, maior que o formato americano (mais comumente utilizado pela Panini). O problema desta edição é que, assim como todas as edições definitivas publicadas pela Panini, ela se esgota muito rápido nos sites de venda, então não é nada fácil encontrá-la à venda. Mas não perca a esperança: por último há a versão da Eaglemoss, que saiu na coleção de Graphic Novels da DC da editora inglesa nos números #27 e #28, e que podem ser encontrados facilmente no site da editora. Boa leitura!

Capa da Edição Definitiva de Justiça

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Minhas Coleções - Batman Universe: Aliados

A Bat-família

Quem me conhece sabe que eu sou aficionado por miniaturas de super heróis, e que coleciono um número razoavelmente grande delas. Dentre as minhas miniaturas, há aquelas que ocupam lugar de destaque, devido à importância que elas têm para mim, como fã. É claro que, se eu pudesse, e isso quer dizer: se eu tivesse espaço suficiente(!), exibiria todas as minhas miniaturas, bonecos, carrinhos e naves. Contudo, como ainda não alcancei este objetivo - e a cada dia que passa para concretizá-lo eu praticamente precisarei inaugurar um museu - só posso tirar algumas da caixa por vez.

Mas essa regra não se aplica às miniaturas sobre as quais vou falar nesta postagem; pois estas estão sempre em exibição. E por que elas ocupam um lugar tão especial na minha coleção? Porque elas são, na verdade, uma coleção à parte; são o motivo pelo qual eu assinei esta coleção, são as miniaturas que integram o Universo do Batman!

Como eu já mencionei, estas miniaturas constituem uma coleção dentro da coleção, já que elas têm em comum o fato de serem personagens que integram o vasto universo do Morcego. Só a Galeria de Vilões do Batman tem provavelmente umas 20 miniaturas, e olha que vários vilões ficaram de fora! Tanto que eu tive que dividir esta postagem em duas para falar de todas as miniaturas do Batverse.

Nesta primeira postagem, irei falar sobre os aliados do Batman, aqueles considerados sua Batfamília. Tais personagens dividem os fãs: há aqueles, como eu, que preferem as histórias solo do Morcegão, onde ele atua sozinho, sem ninguém para atrapalhá-lo ajudá-lo em suas missões. É nessas histórias que ele aparece mais soturno, violento, do jeito que ele foi concebido. Porém há aqueles que acham que a vida do Batman precisa de um pouco de cor, que ele não precisa fazer tudo sozinho, que sua violência precisa ser equilibrada por um fator "emocional". Daí surgiu a ideia de inserir novos personagens para auxiliar o Batman no combate ao crime, com os quais ele viria a desenvolver laços afetivos, paternais ou amorosos. O primeiro a integrar a Batfamília, é óbvio, foi o menino prodígio, o Robin. Mas depois os autores julgaram necessário que houvesse uma figura feminina, e então criaram a Batgirl e a Batwoman. Sem contar a Mulher Gato, que ora aparece como vilã, ora como aliada, e um potencial interesse amoroso do Cruzado de Capa.

Batman On The Roof

A coleção de miniaturas DC conta com 3 edições do Batman: a primeira, com o herói sozinho na pose clássica se ocultando com a capa; uma do Homem Morcego em sua bat-moto; e por fim ele sobre um telhado com uma gárgula, que é a que eu irei mostrar aqui nesta postagem. As duas últimas que eu citei fazem parte das edições especiais, porém a que ele está na motocicleta eu não tenho.

Como podem ver, esta miniatura em que ele está sobre o telhado é bastante emblemática. É uma miniatura grande e com bastante detalhes, mas é lamentável a baixa qualidade da pintura e algumas falhas na montagem da estatueta, o que não é algo fora do comum nos produtos da Eaglemoss, pelo menos aqui no Brasil.

Alguns destes problemas eu consegui ajeitar, usando minhas brilhantes técnicas de pintura; porém acho que realmente dei mole, devia ter feito logo e uma reclamação e pedido a troca imediata, como fiz em outras ocasiões. Dei qualquer jeito, acho que fiz um bom trabalho e esta miniatura consegue representar bem o Homem Morcego dentro da minha coleção.

Robin (Tim Drake)

O Robin que a Eaglemoss tomou como modelo para esta miniatura é o Tim Drake, o terceiro a assumir a identidade do famoso sidequick do Batman. Particularmente eu gosto desa versão do uniforme do menino prodígio, com o uniforme todo vermelho e com detalhes em preto e amarelo. No entanto, acho que a coleção ficaria mais "canônica" se tivessem optado pelo traje original, mas isso é apenas um detalhe. Também ficou muito interessante o bastão removível do Robin, que nesta miniatura é uma peça removível, caso contrário, haveria grande probabilidade de que ele quebraria durante o transporte da miniatura na caixa.

Asa Noturna

O Asa Noturna não poderia ficar de fora desta coleção. Quando se tornou adulto, Dick Grayson - o primeiro Robin - decidiu que era hora de sair da sombra do Morcego e passar a trilhar uma carreira solo. Ele se tornou o Asa Noturna, nome oriundo de um velho combatente do crime do planeta natal do Superman, Krypton. Um fato interessante foi que Dick se livrou da capa, passando a usar um uniforme mais tático. Só que o uniforme do Asa Noturna nem sempre foi este que a Eaglemoss se baseou em sua miniatura; as primeiras versões eram muito, mas muto toscas, até ele mudar para esta versão, que, na minha opinião, é a melhor. Pode-se reparar que ele está portando seus famosos bastões curtos, que são suas principais armas. Também tive que fazer alguns retoques nessa miniatura; não por apresentar algum defeito na pintura, mas porque o tom de azul original era muito escuro, e quase não se discernia os detalhes em azul no seu uniforme. Por isso, apliquei um tom mais parecido com os dos quadrinhos, e achei que o serviço não ficou de todo ruim.

Batgirl (Barbara Gordon)

Barbara Gordon é a filha adotiva do Comissário Gordon e também uma combatente do crime nas horas vagas, usando a alcunha de Batgirl. Ela também tem um forte laço com o primeiro Robin, Dick Grayson, ao lado do qual costumava sair para prender criminosos, até o fatídico dia em que o Coringa a baleou e condenou-a a precisar de uma cadeira de rodas para se locomover. Isso foi o fim de sua carreira como Batgirl e o início de sua fase como a Oráculo. Esta miniatura está bastante fiel à personagem, tirando só o detalhe de ela parecer ter escoliose, de tão inclinada que ficou sua coluna. Tirando esse detalhe, é a uma miniatura bastante bonita.

Mulher Gato

Selina Kyle é a Mulher Gato, uma habilidosa ladra que veste um uniforme baseado nos seus animais favoritos: os gatos. Assim como esses adoráveis bichanos, seu corpo é capaz de fazer as mais impossíveis acrobacias para realizar seus roubos e também fugir, além de possuir garras muito afiadas no caso de precisar contra-atacar. Inicialmente uma vilã, seu senso de moral é muito volúvel, e não são poucas as ocasiões em que ela passa para o lado do Batman, só para depois decepcioná-lo ao voltar para o crime. Selina é o mais perto que o Batman já chegou de ter uma relação realmente amorosa, ao ponto dele chegar a revelar sua verdadeira identidade para ela.

A miniatura da mulher gato está bastante fiel aos quadrinhos, inclusive no detalhe dos olhos verdes. A Eaglemoss optou por retratá-la usando o famoso traje de látex brilhante, ao invés do uniforme clássico roxo, que eu acho horrível. Ela está portando seu inseparável chicote, que é seu acessório mais clássico.

Azrael

Azrael é um personagem fruto dos anos 90. Foi criado antes da mega saga A Queda do Morcego, e sua verdadeira identidade é Jean-Paul Valley. Azrael é um assassino da Ordem de São Dumas, e sofreu lavagem cerebral dos fanáticos religiosos da ordem para obter as habilidades necessárias para o trabalho. Após uma rusga com o Cruzado de Capa, Azrael passou para o lado do bem, e chegou até a assumir o Manto do Morcego quando Bruce Wayne teve a coluna fraturada por Bane, mas a experiência não deu muito certo (nem para ele, nem para os fãs). Quanto à miniatura que o representa, não tenho muito o que falar sobre ela, a não ser o fato de que está bastante bem feita.

Capuz Vermelho

Nenhuma morte nos quadrinhos é definitiva, e cedo ou tarde algum personagem morto acaba voltando miraculosamente à vida. Foi o caso de Jason Todd, o segundo a ocupar o posto de Robin. Ele foi assassinado pelo Coringa na minissérie Uma Morte em Família, e após algumas décadas no limbo retornou após os eventos de Crise Infinita. Mas ele voltou mudado, e iniciou uma cruzada criminosa ao assumir a alcunha de Capuz Vermelho. Ele declarou guerra aos chefões do crime de Gotham, em especial o Máscara Negra. Mas ele não era totalmente mal: sua visão de bem é que era um tanto quanto distorcida. De certa forma, ele se via como um combatente do crime ao eliminar seus rivais e manter sob rédeas curtas os que sobraram, além de proibir que drogas fossem vendidas a crianças. É claro que suas ações o colocaram em rota de colisão com seu antigo mentor, e não demorou muito para que se enfrentassem. Com o tempo, Jason passou para o lado dos mocinhos, mas sempre como um anti-herói, assim como a Mulher Gato.

A miniatura do Capuz Vermelho está bem bacana e fiel ao personagem. Ele foi representado usando suas duas pistolas automáticas, mostrando que ele não está para brincadeira.

Caçadora

Helena Bartinelli é outra personagem que teve bastante dificuldade para se integrar à bat-família, pois, assim como o Capuz Vermelho, ela não levava muita fé na regra sagrada de não matar instituída por Batman. Apesar de ser filha de um mafioso, o objetivo de Helena é destruir o crime organizado em Gotham City. Para isso ela se vestiu como a Caçadora e utilizou o treinamento que recebeu de seu tio para combater o crime.

A miniatura da Caçadora está muito bem feita e fiel, retratado-a com o uniforme novo que ela recebeu durante a saga Silêncio, empunhando suas principais armas, duas bestas. Esta é, sem dúvida, uma das miniaturas mais bonitas da coleção e uma de minhas preferidas.


Batgirl (Cassandra Cain)
Cassandra Cain é uma verdadeira arma viva; filha de dois dos maiores assassinos do Universo DC - Lady Shiva e David Cain - desde criança foi treinada em artes marciais, porém durante os eventos catastróficos da megassaga Terra de Ninguém ela se tornou pupila do Batman e assumiu a identidade da Batgirl, usando o uniforme que pode ser observado na miniatura acima. Interessante ressaltar que a primeira pessoa que usou este uniforme foi a Caçadora, mas o Batman não permitiu que ela fosse a Batgirl por não a considerar digna. Esta miniatura está bem legal também, com destaque para a pose que ela faz, com o batarangue em uma das mãos enquanto segura a enorme capa com a outra. O capuz totalmente fechado também passa um aspecto bem sombrio a ela. 

Batwoman
Uma personagem da era pré-crise, recentemente a Batwoman retornou ao universo do Morcego agora com a identidade de Kate Kane, uma filha de militares que perdeu a mãe e a irmã gêmea durante um ataque. Ela foi expulsa do exército por ser gay, e foi treinada pelo próprio pai para se tornar uma combatente do crime. Moradora de Gotham, era óbvio que ela herdaria o manto do morcego. Na versão pós-Flashpoint Kate Kane é parente da mãe de Bruce Wayne, portanto seria uma prima do Homem Morcego. 

Tive bastante problemas com essa miniatura, pois quando a recebi vi que ela veio com vários defeitos, mas desta vez não dei mole e logo pedi a troca! Esta miniatura está lá na rabeira da coleção, e é possível perceber que as últimas receberam um tratamento mais desleixado pela editora com relação à qualidade do material e ao próprio molde em si. Mas até que essa não é uma das piores. Ela retrata a Batwoman com sua capa esvoaçando, e a tinta preta brilhante emula com sucesso o látex preto do uniforme da moça, e sua pele extremamente pálida também é retratada fielmente. Só o batarangues que deixam a desejar, parecendo qualquer coisa disforme, menos uma lâmina afiada.

Os Aliados do Batman

Então é isso, pessoal. Espero que tenham gostado. Na próxima postagem mostrarei minhas miniaturas dos vilões do Batman, só não decidi que se farei isso em uma ou duas postagens, pois, como já havia dito, a galeria de vilões do Cavaleiro das Trevas é muito extensa. Para quem se interessou, ainda dá tempo de adquirir várias dessas miniaturas, através do site da Eaglemoss, Até a próxima! 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Minhas Coleções - Miniaturas Superman & Cia



Mostrando um pouco mais da minha coleção de miniaturas DC Comics da Eaglemossvou apresentar minhas miniaturas do universo do Superman, tanto de seus principais aliados como de vilões.

Superman 

Começando com o Último Filho de Krypton. Esta miniatura representa o visual clássico do Superman, antes da reformulação de 2011 na qual a famosa cueca por cima da calça foi eliminada. Esta miniatura é bem bacana, as cores estão todas corretas, a postura nobre e preparando-se para alçar voo combinando bem com o personagem. O único problema - e que não é um defeito - é que ela poderia ser maior; esta estatueta ao lado de outros personagens como Bizarro e Superman Ciborgue dá a impressão de que o Super é "baixinho". Tirando isso é uma miniatura excelente!


Lex Luthor

O arquivilão do Superman. Lex Luthor já teve várias interpretações, tanto nos quadrinhos como no cinema, sendo a mais conhecida a de um empresário magnata que se ressente do poder e da fama do Superman, e passa a dedicar sua vida a manchar a imagem do herói e convencer o mundo de que ele é uma ameaça alienígena. Esta miniatura representa o personagem vestindo um traje mecânico que lhe confere grande poder de fogo e capacidade de voo, permitindo que consiga enfrentar Superman em combate corpo a corpo. 

Supergirl

Kara Zor-El é a prima do Superman. Assim como o primo, foi enviada em uma espaçonave para a Terra, mas acabou ficando presa em um asteroide de kriptonita em animação suspensa, de modo que quando chegou à Terra Superman já era adulto. Apesar do traço impecável da miniatura, não gostei desta representação, devido à sexualização exagerada. 

Brainiac

Natural do planeta Colu, este alienígena vaga pelo Universo em sua grande espaçonave em forma de caveira absorvendo o conhecimento de civilizações e depois destruindo-as. Além disso, ele tem o costume de miniaturizar as principais cidades desses mundos e engarrafá-las, para sua própria coleção. Foi o responsável pelo desaparecimento de Kandor, uma cidade kriptoniana, antes do grande cataclismo que destruiu o planeta natal do Superman. Esta miniatura é uma das minhas preferidas, dada a fidelidade com que foi concebida. A textura do uniforme dá um efeito muto bacana, bem com a pose, encarando o crânio de um de seus androides, ao melhor estilo Hamlet. É baseada na interpretação mais recente do personagem, da fase de Geoff Johns na revista Action Comics. 

Bizarro

Um clone malfeito do Superman, criado por Lex Luthor. Sua pele é pálida, suas feições são grotescas e veste o uniforme do Superman com o S invertido. Os poderes também são invertidos: ao invés de visão de calor e sopro gelado, ele tem visão congelante e sopro de fogo. Esta miniatura também está excelente, com o personagem em uma pose vacilante e desajeitada, típica de Bizarro. O colar com a inscrição: Bizarro #1, no entanto, é bem frágil, e qualquer pequeno esforço ou pancada indesejada pode quebrá-lo. 

Metallo

Também já teve algumas interpretações: já foi um criminoso transformado em androide por um cientista, com uma pedra de kriptonita a lhe dar vida; bem como um soldado do exército que se submeteu a uma experiência para transformá-lo em androide afim de poder enfrentar a ameaça alienígena representada pelo Superman. Esta é a versão clássica do personagem, resgatada por Geoff Johns em sua aclamada passagem por Action Comics. Não gosto muito desta versão, preferindo àquela em que ele é retratado como um homem normal, porém com o esqueleto mecânico por baixo da pele falsa e coração de kriptonita.

Apocalypse

Todos o conhecem como aquele que matou o Superman! Quando era apenas um bebê, Apocalypse foi submetido a um terrível experimento de evolução assistida em que era lançado a um território inóspito repleto de feras, assassinado e logo após clonado e lançado de novo para as feras, até que adquirisse a capacidade de sobreviver. O processo de repetiu milhares de vezes, de modo que a criatura se tornou um monstro sem sentimentos a não ser um ódio contra tudo o que fosse vivo, em especial os kriptonianos, que foram quem o criaram. E foi por causa desse mesmo ódio que, quando escapou de sua prisão, a criatura não parou até arrancar o último fôlego de vida do Homem do Amanhã..

A miniatura do Apocalypse, juntamente com o Batman no telhado, foi o primeiro especial da coleção da Eaglemoss a ser lançado aqui no Brasil, vindo inicialmente como um brinde para os assinantes da coleção. Feita de chumbo e com um tamanho diferenciado, essa miniatura por si só já é emblemática, por trazer a criatura segurando em uma das mãos a capa esfarrapada do Superman, como símbolo de que foi ele que derrotou o Homem de Aço. É uma peça de boa qualidade, sem nenhum defeito e fiel nos mínimos detalhes à caracterização do personagem.

Superboy

O clone adolescente do Superman criado pelo Projeto Cadmus. Conner Kent surgiu na famosa minissérie A Morte e o Retorno do Superman. Ele era um dos quatro Supermen que surgiram após Apocalyse matar o maior herói do mundo. Mais tarde é revelado que ele posui DNA tanto do Superman como de seu maior inimigo: Lex Luthor. Integrou equipes de super heróis juvenis, como os Titãs e a Justiça Jovem. A miniatura do Superboy é legalzinha, mostrando o herói com seu uniforme clássico, numa posição em que parece alçar voo ou dar um soco num adversário, vai saber. As feições do personagem que me pareceram, sei lá, meio abobalhadas, mas tirando isso não tenho muito a dizer.

Superman Ciborgue

Outro Superman falso que apareceu após a morte do Superman. Esta miniatura representa a versão clássica do personagem, em que ele é o astronauta Hank Henshaw, o qual foi vítima, junto cm seus colegas de equipe, de uma radiação que mudou sua estrutura genética (muto parecido com a origem do Quarteto Fantástico!). Após esse acidente seu corpo foi destruído, mas sua mente foi capaz de interagir com equipamentos eletrônicos, até que sua consciência foi parar na matriz de nascimento do Superman, que havia ficado em órbita da Terra (na versão de John Byrne, a gestação dos kriptonianos não era feita dentro do útero das mães, mas nessas matrizes de nascimento, e a matriz que iria parir o pequeno Kal-El foi enviada para a Terra no famoso foguete). Ele então copiou o código genético do Superman e criou para si um corpo cibernético semelhante ao do herói. Juntamente com o vilão Mongul (minha maior decepção com esta coleção foi terem deixado de fazer a miniatura de um vilão do porte de Mongul, enquanto fizeram de outros personagens mais bestas, como Detective Chimp!), o Superciborgue foi o responsável pela destruição de Coast City e pela consequente loucura do Lanterna Verde Hal Jordan.

Falando da miniatura em si, está bem fiel ao personagem, com destaque para as partes robóticas do personagem pintadas com uma tinta prateada brilhante.

Lobo

O Maioral! Esta miniatura, em sua versão de chumbo (porque agora a Eaglemoss tem lançado seus especiais em resina metálica, com qualidade mais baixa) é uma das mais procuradas e valorizadas da coleção. É uma das maiores miniaturas entre os especiais, juntamente com a do Antimonitor (14 cm), chegando a 13 cm de altura. É minha miniatura preferida, e a mais bem feita de toda a coleção.

Para quem não conhece, o Lobo é um czarniano, nascido num planeta utópico onde todo mundo vivia em paz... até seu nascimento. Ele exterminou toda a população de Czarnia, e se tornou um caçador de recompensas muito eficaz. Tem um olfato super desenvolvido, superforça e aparentemente é imortal. Sua aparência é inspirada nos integrantes da banda de rock Kiss, e sua personalidade é a de um roqueiro vândalo que gosta de bebedeira, confusão e muita violência. Embora seja um vilão, muitas vezes apareceu como anti-herói.

A miniatura do Lobo retrata com perfeição sua aparência e personalidade, indo desde o charuto, os detalhes de caveira no cinto, seu  bulldog de estimação Dawg e a cabeça de um alienígena sendo pisada.

Antimonitor

Da mesma forma que Darkseid está para Thanos, o Antimonitor está para Galactus. Ele é a maior ameaça intergalática do DCU, e foi o principal vilão da saga Crise nas Infinitas Terras, quando ele começou a destruir o Multiverso. Seu nascimento data da criação do próprio Multiverso, quando um cientista de Oa chamado Krona resolveu observar o Big Bang. Mas sem saber ele contaminou o momento da criação, e o que era para ser um único Universo coeso se tornou um frágil Multiverso, e no Universo de Antimatéria surgiu o Antimonitor. Foi necessário que todos os heróis da Terra e de outros mundos, bem como de outras dimensões, se unissem para derrotar esta poderosa criatura.

A miniatura do Antimonitor que eu tenho é feita de resina metálica e é a maior que eu possuo. Retrata o vilão em sua segunda forma (a primeira eu acho mais ameaçadora, porém menos conhecida), com a armadura semelhante a uma carapaça cobrindo sua acaprência horrenda). É uma miniatura bem feita e representa bem a imponência deste grande vilão.

Superboy Prime

Um dos seres mais poderosos do Multiverso, o Superboy Primordial não começou com um vilão. Natural do Universo Prime, ele também foi enviado para a Terra, mas seu lar não possuía super heróis, e o Superman só existia nas histórias em quadrinhos. Ele lutou ao lado dos heróis do Multiverso quando o Antimonitor destruiu seu lar, e se juntou a Alexander Luthor Jr. da Terra 3 e o Superman da Terra 2 em uma dimensão paraíso. No entanto, ao observar que os maiores heróis da Terra estavam falhando miseravelmente em proteger seu mundo, ele resolveu intervir juntamente com Lex Luthor Jr. Seu objetivo era trazer de volta seu mundo original, com a consequente destruição dos outros universos. Ele cria uma armadura baseada na do Antimonitor capaz de absorver energia solar e dá muito trabalho para os heróis da Terra, chegando a matar o Superboy Conner Kent.

Sua miniatura o retrata em sua versão vilanesca, vestindo a armadura especial e com a capa rasgada como se estivesse em alguma batalha.

Darkseid

Por fim, o maior vilão do DCU: Darkseid! Criado por Jack Kirby, Darkseid faz parte de um grupo de super seres autodenominados Novos Deuses. Há Novos Deuses do bem, os que vivem no planeta paradisíaco Nova Gênese, e os Novos Deuses maus, habitantes do planeta Apokolips, governado com mão de ferro pelo tirano Darkseid. Sua maior obsessão é encontrar a famosa Equação Antivida, a qual teoricamente lhe daria o poder de tirar o livre arbítrio de todos os seres do Universo. Seu grande poder são os raios ômega disparados de seus olhos, os quais são capazes de perseguir o alvo, mudando até mesmo de direção.

A miniatura de Darkseid também faz parte das especiais da coleção, e  retrata o vilão em seu visual clássico, conforme foi concebido por Jack Kirby. Sua pose revela toda sua imponência, mostrando-o como um verdadeiro déspota tirano e impiedoso. A única coisa que não gosto neste visual são as botas compridas, até as coxas, que fazem parecê-lo uma drag queen espacial!

Bem, então é isso, amiguinhos! Espero que tenham gostado e que este post tenha inspirado alguém a adquirir alguma destas miniaturas, mas só um aviso: aqui no Brasil elas estão super inflacionadas! Podem ser compradas nas bancas, no Mercado Livre ou na própria loja virtual da Eaglemoss. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

MINHAS COLEÇÕES #1

O Gotham Vertiginosa orgulhosamente apresenta: MINHA COLEÇÃO DE MINIATURAS DE CHUMBO DC DA EAGLEMOSS!!!!!

Minha coleção

Em 2013 a empresa Eaglemoss lançou aqui no Brasil uma coleção de miniaturas de chumbo dos personagens de quadrinhos da DC Comics. A coleção de miniaturas da Marvel já era um sucesso, mas ao contrário desta última, a da DC já vinha com os principais personagens logo no começo da coleção: Batman, Superman, Coringa, Lanterna Verde, Flash... não resisti! Assinei durante um ano, recebendo um total de 26 miniaturas, porém quando se trata de coleções muito grandes (e eu já havia aprendido a lição com a coleção de naves Star Wars da DeAgostini) sempre tem uma gama de itens menos interessantes que você é obrigado a adquirir para ter os que realmente quer. Assim, não renovei a coleção, e fui adquirindo apenas as que me interessavam mais, via Mercado Livre, Ebay, bancas de jornal e, mais recentemente, através do próprio site da Eaglemoss, que também comercializa as miniaturas individualmente, de acordo com a disponibilidade.

Dentre as dezenas de miniaturas que integram minha coleção, decidi começar por um grupo de personagens que, digamos, não é lá muito conhecido pelo público em geral, embora recentemente a DC Comics tenha anunciado sua mais nova animação: Justice League Dark, e também existam planos para um filme em live action da Liga da Justiça Sombria. Tais personagens têm uma característica em comum: seus poderes são baseados em magia, e, ao contrário da Liga da Justiça original, eles combatem inimigos sobrenaturais, muitos deles oriundos do além.Vamos conhece-los!

O Monstro do Pântano

Começamos com o Monstro do Pântano. Na coleção da Eaglemoss, esta peça integra o conjunto de miniaturas especiais, que se diferenciam das demais pelo tamanho, basicamente. No começo essas miniaturas eram de chumbo, mas recentemente começaram a ser produzidas em resina metálica, que é muito mais leve. Houveram muitas reclamações com relação à qualidade, mas desta peça em específico não tenho nada a reclamar. Está muito bonita e fiel ao personagem, até mesmo os tubérculos que nascem nas costas do personagem, que nas histórias agem como poderosos alucinógenos, estão lá, conforme pode ser visto na foto abaixo.

Monstro do Pântano - Costas

Quanto ao personagem propriamente dito, não há muito sobre o que falar que já não tenha dito muito aqui no blog. Para quem quiser conhecer mais da história dele clique aqui e aqui.

Constantine

Uma das últimas miniaturas da coleção, o lançamento da miniatura do Constantine ainda está um pouco distante aqui no Brasil, mas como não gosto de esperar, a adquiri (infelizmente, por um preço mais caro) no Mercado Livre. Esta miniatura capturou a essência do personagem: o visual clássico, com o capote bege surrado, e até mesmo o cigarro. A camisa branca está manchada com uns respingos de sangue, provavelmente de algum ritual que não deu certo. Trata-se de outro personagem sobre o qual eu já falei bastante aqui no Gotham, e se você ainda não viu pode conferir clicando aqui e aqui.

Etrigan, o Demônio

Meu primeiro contato com Etrigan foi no desenho da Liga da Justiça, quando ainda passava no SBT, nos episódios 20 e 21: Um Cavaleiro das Sombras. Etrigan é um demônio que foi trancafiado no corpo de um homem chamado Jason Blood pelo seu irmão Merlin, na época do Rei Artur. Apesar de não ser um cara "do bem", Etrigan muitas vezes se alia aos heróis da DC quando algum grande mal ameaça a Terra. Quando ele precisa tomar o lugar de Jason Blood, o misterioso demonologista de Gotham precisa proferir o seguinte poema:

"Transforma-te, homem, transforma-te! Abandone as impurezas da carne, Pois no peito de fogo o coração arde! Abandone a forma humana, vilã! Erga-se o demônio Etrigan!"

Esta miniatura também integra o grupo de miniaturas especiais, feitas de resina metálica. Na minha opinião ela também encerrou bem as características monstruosas do personagem, que exibe claramente sua natureza demoníaca.

Vingador Fantasma

O Vingador Fantasma é um dos personagens mais misteriosos do Universo DC. Sua origem até hoje não foi explicada com clareza: seria ele um homem normal ou um espírito? Um anjo que não se aliou a Lúcifer nem ao Céu? Ou um cientista do futuro que observou a origem do Universo? Ou seria Judas Iscariotes, como mostrado na saga pós reboot Novos 52. Enfim, tudo que sei é que ele age mais como um observador durante os grandes eventos da editora, não assumindo um papel muito ativo, emba aparente possuir grandes poderes.

Senhor Destino

Senhor Destino é uma identidade usada por vários personagens: Kent Nelson, Eric Strauss e Hector Hall. Seus poderes vêm do elmo de Nabu, que pertencera a Nabu, um Lorde da Ordem. Os Lordes da Ordem pertencem a uma raça de seres muito antigos e místicos que combatem os Lordes do Caos. Os Lordes da Ordem controlam os Agentes da Ordem, conferindo-lhes grandes poderes mágicos. O Senhor Destino é um destes Agentes da Ordem, e integra a famosa Sociedade da Justiça da América.

Desafiador

O Desafiador é o fantasma do acrobata Boston Brand, assassinado por um misterioso homem que usava um gancho na mão. A entidade hindu Rama Kushina lhe deu a chance de vagar pela Terra em busca de seu assassino, até vingar sua morte. Como um fantasma, ele não pode ser visto pela maioria das pessoas, exceto por aqueles com dons sobrenaturais, e possui a habilidade de possuir corpos. Já apareceu várias vezes nas histórias do Monstro do Pântano, onde era visto ajudando as almas dos mortos a passarem para o além. Ele estava presente quando o Monstro do Pântano encontrou a alma de Alec Holland, quem ele pensava ser antes de descobrir que era um vegetal com as memórias de Holland.

A Tumba de Boston Brand

A miniatura do Desafiador é bastante interessante. Ele está de pé sobre o túmulo quebrado de Boston Brand, indicando que ele não está morto. Mas há uma pequena falha nesta miniatura: a letra D no peito do personagem não está pintada de branco, mas de vermelho, e mal pode ser notada. É uma falha não só da minha miniatura, mas de todas deste personagem; provavelmente um erro da editora, que escapou aos olhos dos licenciadores.

Espectro

O Espectro é um dos seres mais poderosos do Universo DC. Ele é um Espírito da Vingança de Deus, e normalmente escolhe um hospedeiro morto, como o policial de Gotham Jin Corrigan, Crispus Allen e até mesmo Hal Jordan, para exercer a vingança de Deus contra pessoas corruptas. Seus poderes são imensos, de forma que seu corpo pode crescer até ficar maior que o próprio planeta, domina o teletransporte, cria ilusões para aterrorizar criminosos e pode transmutar a matéria.

Esta miniatura está muito fiel ao personagem, que aparece ameaçador com uma das mãos estendidas pronto para estender a vingança divina àqueles que a merecem!

Zatanna

Zatanna é uma maga filha do feiticeiro John Zatara, famosa por trajar vestes de mágica (incluindo cartola) e por pronunciar seus feitiços de trás para a frente. Seus poderes são muito grandes; ela é capaz de transformar pessoas em coelhos, por exemplo, curar ferimentos e manipular a mente das pessoas, porém suas habilidades têm um limite, e se ela usá-las por muito tempo pode ficar exaurida. Já teve um caso com John Constantine na juventude, e viu pai morrer na sua frente enquanto combatiam o Mal invocado pela seita brujeria.

Sua miniatura está muito bonita, com a famosa pose segurando a cartola, provavelmente após conjurar algum feitiço.

Então é isso, galera! Espero que tenham gostado! Se quiserem conhecer mais sobre esta coleção, visitem o site da Eaglemoss ou procurem nas bancas de jornal próximo a suas casas!

SITE DA EAGLEMOSS