Mostrando postagens com marcador Séries. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Séries. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Batman | A Série Animada


Aproveitando a onda do Batman Day, que neste ano de 2017 tem como objetivo celebrar o 25º aniversário da Arlequina, nada mais justo do que falar sobre a animação que revelou a Princesa do Crime: a série animada do Batman. Depois do filme Batman, do Tim Burton, foi este desenho animado que me atraiu para o fantástico universo do Homem Morcego, antes mesmo de ter lido minha primeira HQ do Batman.

Produzida por Bruce Timm, esta série animada foi ao ar nos EUA entre os anos 1992 e 1995, e fez parte da infância de muitas crianças da década de 90, inclusive a deste que vos escreve. Mas não eram só as crianças que curtiam assistir Batman: The Animated Series: o objetivo deste desenho era alcançar diversas faixas etárias, e para isso assumiu um tom muito mais sombrio do que os desenhos convencionais da época (não estou considerando aqui os animes japoneses).

O Batman 

A série possui um visual único, inspirado principalmente nos filmes de Tim Burton. Gotham City é retratada como uma cidade atemporal, onde se misturam objetos claramente pertencentes à época da produção e outros típicos da década de 40, como carros antigos e dirigíveis, além do vestuário retrô. Outro aspecto interessante é o clima noir sempre presente na produção, no qual se destaca o lado mais detetivesco do herói.

Os fãs dos quadrinhos do Cavaleiro das Trevas também não poderiam se sentir mais representados, pois a série animada adaptou diversos arcos famosos da trajetória do personagem nos quadrinhos, como pode ser visto nos episódios The Demon Quest, Legends of The Dark Knight e The Laughing Fish. Muitos episódios tiveram roteiros escritos por Paul Dini, uma verdadeira lenda dentro da Warner Bros Animations, e que também assina várias histórias em quadrinhos do Batman.

A dublagem da produção também é outro quesito que merece nota, já que, tanto na versão norte-americana, com Kevin Conroy interpretando Bruce Wayne/Batman e Mark Hamill arrasando na voz do Coringa, como na versão dublada para o português, com o Márcio Seixas entregando a voz definitiva do Homem Morcego.

Coringa e Arlequina

Batman TAS foi adaptado para os quadrinhos em uma série própria, e além de render algums filmes, como Batman: A Máscara do Fantasma - que adaptou parte da obra clássica de Frank Miller, Batman: Ano Um - e Batman & Mr. Freeze: Sub Zero, que mostrou a origem do Senhor Frio, retratando-o como um vilão amargurado.

O sucesso desta animação foi tamanho que ela venceu quatro premiações Emmy, sendo a principal delas o Outstanding Animated Program em 1993 pelo episódio Robin's Reckoning Part 1, que mostra parceiro mirim do Batman em uma jornada para se vingar do assassino de seus pais. Este é um dos episódios mais memoráveis da série, justamente pelo tom mais maduro do enredo, e por narrar a origem do primeiro Robin, Dick Grayson.

Robin 

Um dos maiores legados desse desenho é a crianção da Arlequina. Criada despretensiosamente por Paul Dini e Bruce Timm como uma parceira criminosa do Coringa, uma contraparte vilanesca do Robin, ela foi um sucesso instantâneo e não demorou muito para ser transportada para os quadrinhos - num dos raros casos em que um personagem faz o caminho inverso da TV para a nona arte. Atualmente sua fama alcançou enormes proporções graças à sua participação no filme Esquadrão Suicida, interpretada por Margot Robie. Aliás, só para constar, a Arlequina é uma das poucas coisas que salva neste filme horrível. 

Para quem quer conhecer melhor esta personagem, uma ótima pedida é assistir ao episódio Mad Love, que faz parte da The New Batman Adventures Series, e que adaptou a famosa Graphic Novel de Paul Dini que conta como a psiquiatra Harleen Quinzel se apaixonou por seu paciente, o Coringa, e foi completamente corrompida por ele, tornando-se a vilã Arlequina. 

Para terminar esta postagem, vou sugerir 10 episódios, que eu considero os melhores da Série Animada do Batman, para o leitor assistir neste Batman Day:

1) Duas Caras, Partes 1 e 2
A origem do vilão Duas Caras. 

2) A Busca do Demônio, Partes 1 e 2
Batman se une ao misterioso homem chamado Ra's Al Ghul para resgatar o Robin e a bela Tália Al Ghul.

3) Batman Está no Meu Porão
Ferido, o Batman é protegido do Pinguim e seus capangas por duas crianças que sofriam buyling.

4)Identidade Dupla
Arnold Wesker, o Ventríloquo, é liberado do Asilo Arkham, mas seus antigos capangas não irão deixá-lo em paz por muito tempo, e o tentarão a utilizar novamente o boneco Scarface.

5) Uma Bala para Bullock
Batman precisa proteger o rabugento ajudante do Comissário Gordon da vingança de um criminoso.

6) Dor de Crescimento
Robin tenta proteger uma menina de um homem que a persegue, que acaba se revelando o Cara de Barro. Mas qual a verdadeira relação da menina com o monstruoso vilão?

7) Casa e Jardim
A Hera Venenosa aparentemente se regenerou, casou-se e agora cria duas crianças, mas algo parece errado nesta família aparentemente perfeita?

8) Histórias do Cavaleiro da Noite
Alguns jovens contam várias histórias sobre o Batman. Cada uma dessas histórias adapta algum quadrinho famoso do personagem, sendo o principal deles O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.

9) O Ajuste de Contas do Robin, Partes 1 e 2
Dick Grayson decide se vingar do criminoso que matou seus pais. Este episódio também mostra a origem do Robin (flashback). 

10) A Beira do Abismo
Após uma luta contra o Espantalho, A Batgirl supostamente morre e o Comissário Gordon, ressentido, emprega todos os seus recursos para capturar o Batman, a quem culpa pela morte da filha.

Fique abaixo com o trailer de abertura da série animada, só para aumentar a nostalgia! Feliz Batman Day!


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quadrinhos em Série | Arrow



Há várias séries baseadas em personagens de quadrinhos disponíveis atualmente nas mais diversas plataformas, mas será que vale a pena assistir a todas elas? Este post inicia um um guia sobre as principais séries de super heróis sendo exibidas atualmente, com algumas informações para ajudar o leitor a decidir qual acompanhar, baseado em minha opinião pessoal. Justamente por isso somente falarei das séries que já assisti a pelo menos uma temporada completa.

A primeira série que irei avaliar é Arrow, já que ela foi a primeira série a explorar o rico multiverso da DC Comics na televisão desde que os filmes de heróis se tornaram uma moda. Produzida por Greg Berlanti ("Greg move your head!"), Mark Guggenheim e Andrew Kreisberg, a série protagonizada por Stephen Amell foi ao ar pelo canal The CW em 2012. Aqui no Brasil ela é exibida pelo canal pago Warner Channel, pelo SBT com o nome Arqueiro, e também consta no catálogo da Netflix.

1. Informações Sobre a Série


A primeira temporada de Arrow adaptou a origem do herói conhecido como Arqueiro Verde, alter-ego de Oliver Queen (Amell), playboy bilionário e mulherengo herdeiro de uma poderosa corporação industrial. Após sobreviver ao naufrágio de seu iate, Oliver ficou perdido na misteriosa ilha chamada Lian Yu por 5 anos. Após ser resgatado, ele retorna para Starlig City de posse de uma lista de nomes de supostos criminosos e corruptos, e decide caçá-los utilizando as habilidades de arquearia que ele aprendeu com um misterioso homem enquanto estava na ilha.

Com cada temporada contando com 23 episódios, a trama principal não é desenvolvida em todos eles, de modo que os espaços vazios são preenchidos pelo chamado "vilão da semana", aproximando a série do modelo procedural das séries policiais comuns. Além disso, a produção também usa o famoso esquema já explorado à exaustão em Lost, de intercalar momentos do presente com flashbacks de eventos ocorridos no tempo em que Oliver estava preso na ilha. Apesar de manjado, este modelo funcionou bem enquanto os eventos dos flashbacks possuíam relação com os do presente

Sendo uma série com classificação etária livre, Arrow foi feita para ser uma série para a família toda, o que é uma característica das produções do canal The CW.  Assim, ela é recheada de dramas pessoais e familiares, o que não necessariamente transforma a série em um dramalhão, mas abre as portas para explorar um lado mais pessoal de seus personagens.

2. Pontos Positivos


Manu Bennett como Exterminador

Nas duas primeiras temporadas tivemos uma visão mais pé no chão e realista do Arqueiro Verde, bastante inspirada ns fases de Mike Grell e de Andy Diggle com o personagem nos quadrinhos, bem como a trilogia de filmes do Batman dirigida por Christopher Nolan, o que agradou bastante aos fãs. Ele não agia ainda como um herói propriamente dito, mas como um vigilante procurado pela polícia e apelidado pela mídia como "o Capuz". A evolução do nome do personagem até ele se tornar o Arqueiro Verde que conhecemos acompanha sua jornada como herói, e essa jormada levou algumas temporadas para ser concluída.

Outro aspecto importante do início da carreira do Oliver como vigilante é que ele não usava as famosas flechas especiais, apenas as flechas comuns - simples, porém letais -, o que o tornava um criminoso aos olhos da polícia. Seu principal antagonista na corporação era o detetive Quentin Lance (Paul Blackthorne), o qual também tinha uma rixa pessoal contra Oliver Queen, já que uma de suas filhas, Sara Lance (Caity Lotz), havia morrido no naufrágio do iate de Oliver, com quem ela tinha um affair. O pior dessa história toda é que na época Oliver namorava Laurel (Katie Cassidy), a outra filha de Quentin.

A série foca bastante no lado humano de Oliver, através de suas relações com sua família, amigos e com a própria cidade. Ele evolui como personagem ao longo das temporadas, deixando aos poucos de ser um vigilante solitário para aceitar a ajuda de outros em sua cruzada, como o ex-militar, guarda-costas e melhor amigo John Diggle (David Ramsey) e a especialista em informática Felicity Smoak (Emily Brett Rickards). Uma consequência natural disso é que aos poucos ele vai deixando de lado seus métodos letais para agir mais como um super herói, e com isso ganhando a confiança da cidade e da polícia.

O Team Arrow

Mas a melhor coisa em Arrow são seus vilões. A série foi a principal responsável pela popularização do Exterminador, brilhantemente interpretado por Manu Bennet, que nos entregou um vilão realmente ameaçador. Sua origem está diretamente ligada ao tempo em que Oliver ficou em Liam Yu, e a série aproveita muito bem o recurso dos flashbacks para explicar as motivações do vilãoOutro adversário que impressionou foi Prometheus (Josh Segarra), o vilão da quinta temporada. Segarra rapidamente conquistou os fãs com um vilão totalmente psicótico, capaz de sacrificar a própria esposa para atingir o Arqueiro.

Por fim, é preciso destacar o fato de que Arrow foi o pontapé inicial para um universo - ou melhor, multiverso - compartilhado de heróis e vilões da DC nas séries de TV. Após o sucesso da série tivemos o lançamento de Flash, Legends of Tomorrow e Supergirl. Diversos personagens importantes da editora já apareceram neste multiverso: Superman, Caçador de Marte, Nuclear, Eléktron, Flash Reverso, Gorila Grodd, Ra's al Ghul, Vixen, Constantine, dentre outros.


Crossover entre Arrow, Flash, Legends of Tomorrow e Supergirl


3. Pontos Negativos


A partir da mid season finale da terceira temporada Arrow teve uma expressiva queda de qualidade. Um dos motivos para isso foi a insistência dos roteiristas em forçar um romance entre Oliver e Felicity. Minha resistência a este romance não se deve apenas ao fato dele ignorar um dos aspectos mais clássicos do personagem, que é sua relação amorosa com a Canário Negro, mas também porque este romance trouxe uma carga dramática desnecessária para a série, digna de uma novela mexicana. A personagem de Emily Brett Rickards, sempre muito carismática por causa de seu humor, se tornou uma chorona melodramática insuportavelmente chata.

Além do "Olicity", tivemos também um desgaste do formato da série: se por um lado os flashbacks se tornaram desnecessários quando deixaram de ter relevância para os eventos da trama principal, sendo exibidos mais como uma obrigação, por outro a velha receita, repetida desde a primeira temporada, do vilão que ameaça a destruir a cidade de Oliver - seja com terremoto, supersoldados assassinos, bomba biológica ou atômica - tornou a série extremamente previsível e repetitiva.

Matt Nable como Ra's al Ghul

Mas o que mais incomodou os fãs foi a apelação dos roteiristas em transformar o Arqueiro Verde em uma cópia do Batman. Não apenas alguns traços da personalidade de Bruce Wayne foram reproduzidos pelo Arqueiro Verde, como alguns arcos da HQ e até mesmo vilões, como Ra's al Ghul e a Liga dos Assassinos, o Vagalume, o Dollmaker, o Pistoleiro e a Caçadora. Com isso, o Arqueiro Verde que vimos na TV acabou perdendo muito das características de sua contraparte dos quadrinhos - humor ácido e um seu forte senso social e político - para dar lugar a uma versão mais sombria, sisuda e amargurada do herói, características marcantes do Homem Morcego.

Finalmente, preciso falar sobre um aspecto que não é necessariamente um defeito, mas também incomodou alguns fãs. A ampliação do team Arrow, bem como a introdução dos metahumanos, se por um lado abriram as portas para vários acontecimento legais dos quadrinhos e propiciaram o surgimento do Arrowverse, por outro tornaram os roteiros mais cômicos, distanciando a série da sua pegada original, mais realista. Qualquer um com uma fantasia de couro e conhecimento mínimo de karatê pode se tornar um vigilante e lutar contra bandidos de verdade, fortemente armados. Enquanto levou um certo tempo e muito treinamento para Roy Harper (Colton Haynes) se tornar o Arsenal, bastou que Laurel treinasse boxe e vestisse uma fantasia apertada de couro para se tornar a Canário Negro, isso porque nem quis falar sobre o Mad Dog ou o "Senhor Incrível".

Laurel como Canário Negro


4. Conclusão

 

Apesar de seus defeitos, ainda vale à pena assistir Arrow. Apesar da terceira temporada problemática e do fiasco da quarta, a série se redimiu no seu quinto ano, com uma das tramas mais aclamadas desde a estreia da série. 

Arrow ainda se mantém como o maior carro chefe da DC na televisão, e um caminho para as pessoas conhecerem personagens dos quadrinhos que dificilmente serão adaptados para o cinema. Além disso, a criação de um universo compartilhado proporciona a possibilidade de se adaptarem vários arcos legais dos quadrinhos, como Invasion, que uniu as quatro principais séries de heróis da CW em um plot comum. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Game of Thrones: Um Guia para Iniciantes


Game of Thrones é uma das séries de TV mais consagradas da atualidade. Como a maioria já deve saber, mas não custa mencionar, sua trama é baseada na série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor George R. R. Martin. Apesar dos produtores David Banioff e D. B. Weiss terem omitidos diversos personagens e subtramas, ainda assim esta é uma das séries com o maior elenco que eu já vi, e isso acaba acarretando alguns problemas de entendimento da trama para aqueles que estão começando a adentrar no fantástico Universo de Gelo e Fogo pela primeira vez. Só para se ter uma ideia, há muitos personagens que só aparecem brevemente em algum episódio para depois retornar algumas temporadas depois com algum papel importante, e nem sempre os flashbacks introdutórios que precedem os episódios são suficientes para relembrar alguns telespectadores desavisados. Para piorar, há diversos acontecimentos do passado dos personagens que afetam diretamente a trama da série, os quais só são explicados (quando são) por meio de conversas arrastadas envolvendo nomes e lugares que acabam passando batidos pelos espectadores.

Para ajudar essas pessoas é que resolvi fazer esta postagem, que será um resumo dos muitos acontecimentos que precederam os eventos narrados na série, explicando o contexto em que eles ocorreram. Também falarei sobre Os Sete Reinos de Westeros, sua cultura, seus costumes, suas organizações e sua religião.

I. Westeros


Mapa de Westeros

Para começar é preciso falar do óbvio. A série é ambientada em um mundo medieval fictício, e se passa em grande parte no continente de Westeros. Uma particularidade muito interessante deste mundo é que lá verão e inverno não são estações regulares. É possível, por exemplo, que o inverno dure muitos anos, como foi durante a chamada Longa Noite, quando os Caminhantes Brancos (whitewalkers ou Outros) surgiram pela primeira vez. A chegada do inverno sempre foi uma das grandes expectativas da série, porque com a chegada do frio e da neve também o exército de zumbis dos whitewalkers (apresentado logo no começo do primeiro episódio da série) irá se revelar.

O continente de Westeros é composto pelos Sete Reinos. São eles: O Reino do Norte, o Reino do Vale e da Montanha, o Reino das Ilhas e dos Rios, o Reino do Rochedo, o Reino da Campina, o Reino das Terras da Tempestade e o Reino de Dorne. Ao norte de tudo isso fica a Muralha, literalmente um grande muro de pedra que vai de costa a costa, e que foi construído pelos habitantes originais de Westeros, os Filhos da Floresta (ou Crianças da Floresta) para manter os whitewalkers afastados.

Inicialmente os Sete Reinos eram independentes, e cada um deles era governado por uma "Casa" (família de nobres). Por exemplo, o Rochedo era governado pelos Lannisters, enquando o Norte pertencia aos Starks. Cada uma das Casas de Westeros possui um escudo com um emblema, além de uma frase que é seu lema. Mais uma vez usando o exemplo dos Lannisters e Starks, o escudo dos primeiros é um leão dourado sobre um campo vermelho, e seu lema é "Ouça-me Rugir". Já o escudo dos Starks exibe um lobo cinzento correndo sobre um campo branco, e seu lema, eternizado pelo ator Sean Bean, que interpretou Ned Stark, é: "O Inverno Está Chegando".


II. A Guerra da Conquista


Aegon,  Conquistador, e suas Irmãs Visenya e Rhaenys

A independência dos Sete Reinos acabou quando Aegon Targaryen e suas irmãs chegaram a Westeros montados em dragões e empreenderam a chamada Guerra da Conquista. Os Targaryen eram uma família oriunda do continente oriental, chamado Essos, e integraram o império de Valíria. Quando ocorreu o cataclismo que destruiu Valíria e a dizimou a maior parte dos senhores de dragões (nobres capazes de montar e controlar dragões usando magia), apenas os Targaryen escaparam, indo morar na ilha chamada Pedra do Dragão, na costa leste de Westeros (que mais tarde viria a ser a casa de Stannis Baratheon e Dhaenerys Targaryen). Após algum tempo eles se voltaram para o oeste e iniciaram a campanha de anexação dos Sete Reinos.

Após diversas batalhas, pouco a pouco as Grandes Casas foram se rendendo. Três episódios deste conflito se tornaram icônicos. O primeiro foi a destruição do Castelo de Harrenhal, nas Terras Fluviais. Apesar de ser inexpugnável contra um ataque de homens, o castelo não resistiu às chamas de Balerion, o dragão de Aegon, e derreteu como uma vela. Foi para este castelo que Arya, Gendry e Torta-Quente foram levados cativos na segunda temporada. O segundo evento foi o chamado Campo de Fogo, no qual os três dragões Targaryen incineraram os exércitos da Campina, feito que Dhaenerys reproduziu em menor escala no quarto episódio da sétima temporada. E por último teve a rendição dos Starks, quando Torrhen Stark, último Rei do Norte, se ajoelhou e ficou conhecido como "O Rei que se ajoelhou". Agora percebemos o porquê da resistência de John Snow em se ajoelhar perante Dhaenerys: isso o tornaria o segundo Rei do Norte a se ajoelhar a um Targaryen, o que seria uma grande humilhação perante seus súditos.

Aegon Queimando Harrenhal

Ilustração mostrando o Campo de Fogo

O Rei que se Ajoelhou

Encerrado o conflito, Aegon reinou soberano ao lado das irmãs, mandou construir a Fortaleza Vermelha em Porto Real (local de seu primeiro desembarque em Westeros) e forjou o Trono de Ferro com as espadas dos inimigos que derrotara em batalha. O único reino que não foi conquistado foi o reino sulista de Dorne, que permaneceu independente por mais de um século, até que finalmente foi anexado pelos Targaryen por meio de casamento. Com isso finalmente os Targaryen tinham o controle absoluto de Westeros, o qual durou cerca de 300 anos. Durante este período os Targaryen enfrentaram duas rebeliões e uma guerra civil, e viram pouco a pouco seus dragões morrerem, até que só o que sobrou deles foram esqueletos uardados no porão da Fortaleza Vermelha e alguns ovos não chocados.

III. A Guerra do Usurpador


Rhaegar Targaryen Corteja Lyanna Stark

A derrocada dos Targaryen começou quando Rhaegar Targaryen, filho do Rei Aerys II e herdeiro do Trono de Ferro, se apaixonou por Lyanna Stark, irmã de Eddard (Ned) e Brandon Stark, apesar de ser casado com Elia Martell, de Dorne. Ele supostamente sequestrou Lyanna, que estaria prometida em casamento a Robert Baratheon, amigo de Ned (no entanto, tudo indica que a moça também amava o príncipe Targaryen). Furioso, Brandon foi a Porto Real desafiar Rhaegar, mas só conseguiu ser preso pelo Rei Aerys. O pai de Brandon foi convocado à capital para responder pelo erro do filho, e ao exigir um julgamento por combate, foi queimado vivo, pois Aerys, já demonstrando sinais de loucura, alegou que o campeão dos Targaryen era o fogo. Brandon assistiu ao próprio pai morrer queimado, com uma corda no pescoço e uma espada fora do alcance. Ele morreu enforcado e assim começou uma guerra civil nos Sete Reinos, liderada por Ned Stark e Robert Baratheon.

A batalha decidiva deste conflito foi a Batalha do Tridente, onde Robert derrotou Rhaegar às margens do grande rio, abrindo caminho para os exércitos rebeldes chegarem à capital. Em Porto Real, o rei Aerys estava cada vez mais louco. Ele mandou seu piromante esconder milhares de tonéis de fogovivo (a mesma substância altamente inflamável que Tyrion Lannister empregou na Batalha da Água Negra e que mais tarde Cercei utilizou para explodir o septo de Baelor) nos subterrâneos de Porto Real, para explodir a cidade caso perdesse. Tywin Lannister, que outrora fora a Mão do Rei (uma espécie de acessor do Rei) e que permanecera neutro no conflito, chegou com suas tropas a Porto Real alegando que viera para lutar pelos Targaryen, mas assim que entrou virou a casaca e iniciou o saque de Porto Real. A única coisa que evitou Aerys de queimar tudo foi o filho de Tywin, Jamie Lannister, que na época já era integrante da Guarda Real. Jamie assassinou o Rei Louco e ficou conhecido como Regicida, aquele que matou o rei que jurara proteger. Para se assegurar de que nenhum Targaryen sobrevivesse, Tywin ordenou que seu vassado, Gregor Clegane, assassinasse os filhos de Rhaegar e sua esposa, Elia Martell. Este fato explica o ódio dos dorneses pelos Lannisters, principalmente contra Gregor Clegane, a Montanha. No entanto, eles não conseguiram pôr as mãos nos outros filhos de Aerys, Viserys e Dhaenerys, os quais foram levados para o exílio em Essos.

A Batalha do Tridente

Após o fim da rebelião, Ned Stark, incomodado pelo rumo sangrento que o confronto tomou quando Robert se aliou aos Lannisters, retornou ao norte, mas antes foi até Dorne, no local onde ficava a Torre da Alegria, onde Lyanna estava sendo mantida. Ele e alguns companheiros enfrentaram os remanescentes da Guarda Real em uma incrível batalha de espadas, mas quando Ned finalmente alcançou a irmã ela já estava à beira da morte. Ela havia dado luz ao filho de Rhaegar, e fez Ned prometer que iria criar o menino. Sem escolha, o nortenho levou o filho consigo para Winterfell, e inventou a história de que ele era um bastardo, e o chamou de John Snow. É preciso salientar que o fato de John ser um Targaryen ainda não foi confirmado nos livros, cujos eventos após a batalha na Torre da Alegria são apenas subentendidos, mas na série este fato foi mostrado como certo.

O reinado de Robert transcorreu tranquilamente nos anos que se seguiram. O único percalço foi rebelião dos povo das Ilhas de Ferro, a qual foi suprimida com a ajuda de Ned. Derrotado, Balon Greyjoy teve que entregar seu filho, Theon Greyjoy, como refém a Ned. Por isso vemos o jovem vivendo em Winterfell no início da série, e é possível ver que ele não era tratado como um refém.

O reinado de Robert acabou quando seu Mão foi envenenado, e Ned Stark foi convidado para assumir a posição. É aí que a série começa, com a viagem dos Starks para o sul, quando todos os seus problemas começam. Depois disso ocorre a morte de Robert, a separação dos herdeiros Stark, e a Guerra dos Cinco Reis. Enquanto isso, do outro lado do Mar Estreito, os dragões voltam à vida e Dhaenerys inicia sua campanha para retomar seu reino de direito. O que ninguém sabe, no entanto, é que ao norte da Muralha os whitewalkers se agitam novamente, e se preparam para atacar os Sete Reinos quando o inverno chegar. Mas para saber como a história termina, só vendo a série!

IV.  Meistres, Religião e a Patrulha da Noite


Um Meistre

É comum também que cada família de nobres de Westeros tenha em seu castelo um meistre. Os meistres fazem parte de uma ordem de sábios, curandeiros e cientistas, cuja sede, a Cidadela, fica localizada na cidade da Vilavelha. O que caracteriza um meistre é a corrente que eles usam no pescoço, em que cada elo é feito de um metal diferente, que simboliza os vários tipos de conhecimento que o meistre domina.

A religião oficial de Westeros é a Fé dos Sete, que nasceu em Essos. Este culto substituiu a antiga religião do continente, na qual os Velhos Deuses eram reverenciados. O principal local de culto a estes deuses eram nos chamados Bosques Sagrados, onde haviam os represeiros, árvores de folhas rubras e tronco branco, onde eram desenhados rostos humanos. Poucos lugares em Westeros ainda possuem represeiros, Winterfell sendo um deles.

Os Sete Deuses

A Fé dos Sete cultua os Novos Deuses, um panteão de sete divindades que na verdade compõe um único deus (uma analogia à Santíssima Trindade Cristã). São eles: o Pai, a Mãe, o Guerreiro, a Donzela, o Ferreiro, a Velha e o Estranho. Por isso o principal símbolo desta religião é a estrela de sete pontas. Os locais de culto são chamados de septos, e seus sacerdotes são denominados septãos e septãs. A sede da religião fica em Porto Real, na catedral chamada Septo de Baelor.

Por último, há ainda uma última religião que surgiu recentemente em Westeros: o culto a R'hllor, o Senhor da Luz. Seus sacerdotes são extremamente fanáticos, pois veem o mundo de maneira dualista: ou a pessoa serve ao Senhor da Luz ou ao Senhor das Trevas. O fogo está sempre presente no culto de R'hllor, já que o fogo cria a luz. Várias são as habilidades dos servos de R'hllor: visões, transmutação, ressurreição de mortos, controle do fogo. Essa religião ainda prega o retorno de Azor Ahai, uma espécie de messias que empunhará a espada mágica chamada Luminífera, com a qual derrotará os Outros. Muito se especula sobre esta figura: alguns acham que seja John Snow, outros que será Dhaenerys, e alguns ainda especulam que será a união dos dois (esta é a minha opinião). Alguns seguidores famosos de R'hllor são Melisandre de Ashai e Thoros de Myr, e ambos já apareceram na série.

Melisandre

Como já foi mencionado aqui, o limite norte de Westeros é marcado pela Muralha. Construída com feitiços para impedir o avanço dos whitewalkers, a Muralha é protegida pelos membros da Patrulha da Noite, uma organização milenar composta por homens juramentados cuja única função é vigiar o norte. Com os anos a existência dos whitewalkers virou lenda, e muitos na Patrulha nem mesmo acreditam neles, pensando que a função da Muralha é manter os Sete Reinos protegidos dos selvagens que vivem nas Terras "Para Lá da Muralha", onde é sempre inverno. A Patrulha da Noite é constituída basicamente por criminosos condenados (ser sentenciado a viver na Muralha é a segunda pior pena do reino depois da morte) e também por alguns nobres indesejados por suas casas. Com o tempo seu número caiu drasticamente, e muitas das fortificações ao longo da Muralha foram desguarnecidas.


A Muralha

Não tenho dúvidas de que muita coisa ficou de fora deste resumo, mas minha intenção não era fazer uma enciclopédia de Game of Thrones, mas fornecer algumas informações para servir de base a quem está começando a assistir a série agora e não leu os livros. É claro que a leitura do material fonte é fortemente recomendada, mas não é obrigatória para entender a série. Caso eu tenha cometido algum equívoco, é só deixar nos comentários que eu conserto. Ah, e em breve farei algumas postagens sobre as principais Casas de Westeros! Até a próxima!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Séries Vertiginosas: Fringe



Após a decepção com a season finale de Lost, confesso que fiquei com um pé atrás quando foi anunciada a nova produção de J. J. Abrams: Fringe. No entanto, carente como estava de uma boa série de ficção científica, resolvi arriscar, e numa tarde despretensiosa assisti ao episódio piloto. A partir de então só parei no último episódio, em 2013, após 6 temporadas e exatos 100 episódios.

Criada por J. J. Abrams em parceira com Alex Kurtzman e Roberto Orci, e exibida na terra do Tio Sam pela Fox (aqui no Brasil ela foi ao ar pelo canal pago Warner Channel), Fringe começou como uma típica série estilo procedural, aquele em que os personagens principais têm que resolver o famoso caso da semana. Bons exemplos deste tipo de série são as de investigação criminal, tais como CSI, NCIS ou Criminal Minds. A diferença é que os casos semanais de Fringe não eram nem um pouco convencionais. Imagine um terrorista que ataca um avião com um vírus capaz de fazer com que a pele de uma pessoa fique translúcida, além de derreter todos os seus órgãos vitais; ou uma substância que, quando aplicada em uma mulher grávida, faz com que o bebê em seu útero cresça a uma velocidade espantosa, até que, em poucas horas, ele seja um velho de mais de 100 anos de idade. São estes tipos de bizarrice que a equipe liderada pela agente Olivia Dunham (Anna Torv) precisam lidar todos os dias. Conforme você vai assistindo a série, logo perceberá que a maioria dos episódios sempre começa com alguém morrendo de uma forma estranha ou nojenta, a segunda opção ocorrendo de forma mais frequente.

A inspiração em obras como Arquivo X e a própria Lost se faz claramente presente; Fringe parece uma fusão perfeita entre ambas, unindo o lado policial e investigativo da primeira às conspirações e mistérios da segunda. A instigante abertura já indicava quais temas seriam abordados: nanotecnologia, inteligência artificial, animação suspensa, neurociência, hipnose, singularidades, buracos de minhoca. Tudo parte da chamada "Ciência de Borda", a qual engloba teorias que se situam na fronteira entre a ciência e a ficção, entre o real e o fantasioso. Daí o nome da série, já que Fringe em inglês significa borda ou fronteira.

Olivia Dunham

A série acompanha o dia a dia da Divisão Fringe, um ramo do FBI liderado pelo agente Phillip Broyles (Lance Reddick) que investiga estranhos casos que ele classifica como o "Padrão". Nas palavras do próprio Broyles: "alguém está fazendo experiências e usando o mundo como laboratório". A principal agente desta estranha divisão é Olivia Dunham, uma policial obcecada pelo trabalho, pouco vaidosa e com vida social praticamente inexistente. Para resolver os estranhos casos do Padrão ela conta com a ajuda de Walter Bishop, um cientista com transtornos mentais que trabalhou em projetos não convencionais para o governo dos EUA durante a Guerra Fria; e seu filho, Peter Bishop (Joshua Jackson), um jovem inteligente, porém cheio de segredos.

Walter é interpretado pelo brilhante John Noble, famoso pelo seu papel na trilogia O Senhor dos Anéis - onde ele foi Denethor. Ele é dono de uma voz incomparável, a qual é sua marca registrada, e é responsável pela maioria dos alívios cômicos da série. Mas não se engane pensando que seu papel é superficial ou meramente de um coadjuvante; o relacionamento entre os Bishops confere um grande peso dramático à série, sendo um dos principais pilares que sustentam a trama principal. Na verdade, se é que dá para definir um tema principal para esta série, é a questão da paternidade, do amor que um pai sente por um filho e das coisas que ele é capaz de fazer para salvá-lo, nem que isso signifique destruir um Universo inteiro.

Walter e Peter Bishop

Ao longo das duas primeiras temporadas Fringe foi construindo sua própria mitologia, até que a partir de meados da terceira temporada ela começou a abandonar os casos semanais para focar mais nos eventos da história principal. A partir da revelação do aterrador segredo de Walter a série toma um outro rumo, mergulhando de vez no universo Sci Fi. 

Inspirando-se diretamente em obras dos quadrinhos como a Crise nas Infinitas Terras, a série introduziu na TV o conceito dos universos paralelos e dos doppelgangers (sósias de outra dimensão), usados largamente hoje em The Flash e de certa forma em Stranger Things. E as semelhanças com a recente série da Netflix não param por aí: foi em Fringe que vi pela primeira vez os experimentos em tanques de privação, e o uso de substância psicotrópicas em crianças para lhes conferir poderes telecinéticos. Outra ideia interessante dos criadores, e que foi muito bem desenvolvida, foram os transmorfos (shapeshifters), seres híbridos humano/máquina capazes de assumir a forma de outras pessoas (como a Mística dos X-Men). A tese da viagem no tempo também não fica de fora (afinal estamos falando de uma série de ficção científica aqui), ficando a cargo dos misteriosos Observadores, claramente inspirados nos Eternos do livro O Fim da Eternidade, de Isaac Asimov. A série também aborda a teoria dos Primeiros Homens (First People) e da Máquina do Juízo Final (Vacuum), que é um dos maiores mistérios da trama, e que possui uma solução bastante simples e inteligente.

Setembro, um dos Observadores

O que não falta em Fringe são referências à cultura pop moderna, desde menções a personagens dos quadrinhos, filmes e artistas da música, até a participação de verdadeiros ícones da ficção cietífica, como Christopher Lloyd - o Dr. Brown de De Volta para o Futuro e Leonard Nimoy - o eterno Spock da série Star Trek. Também é possível encontrar dezenas de easter eggs escondidos pela série, como quando vemos no universo paralelo dois Observadores deixando um cinema, onde estava em cartaz o filme De Volta para o Futuro, estrelado por Eric Stoltz. Stoltz havia sido escalado para interpretar Marty McFly, antes de ser substituído por Michael J. Fox. Aparentemente no outro Universo isso não aconteceu!

Uma outra característica marcante da série é a sua abertura. Na sequência inicial aparecem os nomes das ciências de borda que a série abordará, alternando-se com um conjunto de símbolos (glifos). Estes mesmos símbolos aparecem nos intervalos e ao final de cada episódio, e juntos eles possuem um significado específico que remete à trama abordada no episódio. Estes símbolos podem ser resolvidos usando-se esta tabela. A cor do pano de fundo também tem um importante significado: ela indica em qual universo se passará o episódio (azul para o universo original, vernelho para o alternativo), bem como a época em que ele se passa, como no caso do episódio "Peter" (S02E16), que se passa em 1985. Neste episódio a abertura foi produzida num estilo retrô, remetendo aos anos 80, com direito até aos famosos sintetizadores de som da época. No vídeo abaixo é possível ver todas as aberturas.




A quinta e última temporada de Fringe difere totalmente das outras, e é uma ode à própria mitologia da série. Ela se passa em um futuro distópico, onde os seres humanos vivem oprimidos sob o jugo dos Observadores, e Olivia, Peter e Walter são tratados como verdadeiras lendas. Eles são trazidos de volta à vida por um grupo de rebeldes liderados pela jovem Etta, que é nada mais nada menos do que a filha de Peter e Olivia. Juntos, eles precisam encontrar as várias partes de um elaborado plano que Walter elaborou no passado para destruir os Observadores.

Esta temporada pode ser considerada quase que uma série à parte; como trata apenas da trama principal, não tendo muita encheção de linguiça, é uma temporada curta, com apenas 13 episódios. O dilema moral que Walter enfrentou nas temporadas anteriores passa para Peter, que tem de lidar com a questão da paternidade e da perda. A questão das ciências de borda é aplicada aqui sob outra perspectiva: agora já bastante experientes, os personagens principais utilizarão todas as tecnologias bizarras com as quais lidaram anteriormente em sua batalha contra os Observadores.



Recomendo fortemente esta série para aqueles apaixonados por ficção científica de verdade, aos que acreditam que a ciência e o conhecimento não têm fronteiras, e que a única forma de atravessar esta fronteira é através da experimentação, da coragem de sair da teoria para a prática. Gostaria de poder falar mais sobre Fringe, mas a única forma de saber mais obre este maravilhoso universo é assistindo série, pois deixei muita coisa de fora; para falar sobre tudo seria preciso escrever um livro!

Infelizmente, neste universo a Netflix anda não colocou Fringe em seu catálogo; assim, se você não tiver como viajar para um universo alternativo, só resta vasculhar pela Grande Rede em busca dos episódios. Não posso disponibilizá-los aqui, mas posso dar uma dica de onde achá-los. Este mistério, caro leitor, eu deixo para você desvendar.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Séries Vertiginosas: Jericho


Inaugurando o quadro Séries Vertiginosas, vou falar sobre esta incrível série que assisti entre os anos de 2008 e 2009: Jericho. Uma série com um roteiro espetacular, em que a cada episódio eu me via roendo cada pedaço de unha que ainda tinha nos dedos para ver como os habitantes de uma pacata cidade do meio oeste americano resolveriam os problemas escabrosos que vinham ao seu encontro após os EUA sofrerem um holocausto nuclear. Uma série que tinha tudo para dar certo, para ser um grande sucesso de crítica e audiência, porém... não rolou! Queixando-se da baixa audiência, a emissora CBS decidiu cancelar a série ao final da primeira temporada, deixando uma legião de fãs desesperados, pois a season finale terminara com um grande cliffhanger e muitas questões não respondidas. No entanto, numa reviravolta inédita, graças à insistência dos fãs mais fiéis, a CBS encomendou uma segunda temporada, mais curta, para finalizar a trama e dar um final digno para Jericho.

Tudo começa quando os moradores da cidade fictícia de Jericho, localizada no estado do Kansas, avistam uma nuvem de fogo em formato de cogumelo, marca inconfundível de uma explosão nuclear, se erguer da direção de onde ficava a cidade de Denver. Não demora muito para eles descobrirem que esta não foi a única explosão: por todo o território norte-americano, diversas cidades haviam sido bombardeadas por armas atômicas, num ataque fulminante que mandou a maior potência do planeta de volta para a Idade das Trevas. Sem energia elétrica, telefone e internet, os moradores de Jericho ficam completamente isolados do mundo exterior, e precisam se organizar para sobreviver às dificuldades que se lhes impõem, como a falta de recursos médicos, escassez de alimentos, o frio do inverno, além de cidades hostis querendo se apropriar à força dos valiosos recursos da cidade.

Robert Hawkings (esquerda), Gray Anderson, Dale, Emily, Jake (centro),
Heather, Eric, Johnston, Gail, Bonnie e Stanley (direita)

O personagem principal da série é Jake Green (Skeet Ulrich), um jovem que retorna a Jericho no dia da explosão após passar alguns anos longe de casa. De início sabemos pouco sobre ele, apenas que no período em que ficou fora da cidade esteve metido com coisas ilegais. Ele é o filho de Johnston Green (Gerald McRaney), um veterano de guerra que tem sido prefeito da cidade por vários mandatos consecutivos, e irmão de Eric Green (Kenneth Mitchell), que aos olhos da cidade é um cidadão exemplo, embora nunca tenha saído da sombra do pai. A experiente Pamela Reed interpreta Gail, mãe de Jake, que encarna com furor o papel da grande matrona, sempre preocupada com a segurança dos filhos e a saúde do marido.

Após a explosão nuclear que destruiu Denver, Jake se torna uma espécie de líder na cidade, não um líder político, mas aquele tipo de pessoa que todo mundo procura quando tem um problema. Toda vez que uma dificuldade insolúvel aparece, ele é o primeiro a propor alguma solução, mesmo que arriscada. Sua coragem e caráter acabam chamando a atenção da jovem Heather Lisinski (Sprague Grayden), que, embora pareça uma ingênua professora de crianças, é uma verdadeira especialista quando se trata de equipamentos mecânicos, melhor do que muito marmanjo. Eu fui dos que torceram para que os dois ficassem juntos, mas infelizmente para a moça, o coração de Jake pertence mesmo é a Emily Sullivan. Interpretada pela bela Ashley Scott, ela é filha de Jonah Prowse, um notório contraventor que costumava atuar na cidade, e que volta e meia aparece tanto para causar problemas como para ajudar a resolvê-los (embora sempre visando obter alguma vantagem).

Emily, Jake e Heather

O debate político está muito presente em Jericho, nas figuras de Johnston Green e do seu maior opositor, Gray Anderson (Michael Gaston). Gaston interpreta seu papel com uma competência absurda, e seu sucesso é constatado pelo fato de que logo nos pegamos odiando-o com todas as forças devido a sua politicagem cara de pau, praticada até nos momentos em que a união se faz mais necessária. Gray constantemente questiona as decisões de Johnston, e todo o tempo espalha notícias alarmantes para insuflar a população contra o prefeito. Quando Johnston está mais fraco, ele se aproveita e toma o poder para si, mas em pouco tempo ele acaba percebendo o erro que cometera.

Assim como muitos líderes atualmente, seja na política ou no comando de empresas, Gray é um sujeito extremamente técnico: todas as suas decisões são tomadas com base em números e gráficos, e não pelo bem das pessoas. Um claro exemplo disso é quando, ao perceber que os recursos da cidade não serão suficientes para mantê-los vivos no inverno, ele decide mandar embora todos os refugiados que se instalaram na cidade após as explosões. É o típico "farinha pouca, meu pirão primeiro", que até daria certo, se ele não fosse precisar dessas mesmas pessoas quando estourasse a guerra contra a cidade vizinha de New Bern.

Johnston Green e Gray Anderson

Jericho é dessa séries que desenvolvida para todos os tipos de público - desde aqueles que gostam de uma boa ação até aqueles mais chegados num dramalhão familiar. E o que não falta em Jericho é drama. Eric Green, o filho "certinho" de Johnston e Gail, esconde de todos que trai sua esposa, a devotada médica April (Darby Stanchfield), com a dona do principal bar da cidade, Mary Bailey (Clare Carey). No entanto, a série não faz uma abordagem hipócrita neste caso: Mary sabe que o que eles fazem é errado, mas é incapaz de resistir à atração que sente pelo número dois da cidade. E, quando finalmente conseguem ficar juntos, ela precisa enfrentar a resistência de Gail à união deles.

Outro núcleo muito querido da série é o do fazendeiro e melhor amigo de Jake, Stanley Richmond (Brad Bayer), que precisa manter a fazenda de seus pais falecidos e ao mesmo tempo cuidar de sua irmã Bonny (Shoshannah Stern), que é deficiente auditiva. Numa prova de que grandes tragédias aproximam pessoas que em circunstâncias normais jamais se identificariam, o jovem se apaixona por Mimi Clark (Alicia Coppola), uma fiscal da receita federal que viera a Jericho justamente para confiscar a fazenda de Stanley.

Robert Hawkings

Por último há Robert Hawkings (Lennie James), um misterioso homem que alega ter sido policial e que se muda para Jericho com a família pouco antes dos ataques. Ele é a ponte de ligação da cidade com os eventos catastróficos que ocorreram no restante do país. Não demora muito para percebermos que ele não é quem realmente diz; sua verdadeira identidade é um mistério, e às vezes chegamos a pensar que ele é um dos terroristas que causaram os ataques, principalmente quando é revelado que ele possui uma das bombas atômicas escondida no porão de casa.

Jake acaba descobrindo o segredo de Hawkings, que decide então contar toda a verdade: ele era um agente da CIA infiltrado no grupo terrorista, porém um traidor em sua equipe fez com que os ataques acontecessem antes do planejado, e ele não teve escolha a não ser fugir com sua família para o único lugar seguro no país, uma cidade que não sofreria com as precipitações radioativas das explosões e que possuía todos os recursos capazes de mantê-la de pé durante os meses de dificuldade: Jericho. No entanto, os verdadeiros conspiradores que orquestraram os ataques ainda estavam soltos por aí, e enviaram agentes para recuperar a bomba de Hawkings, pois ela era a única prova que o ataque não havia sido causado por países estrangeiros, mas por agentes internos.

Jericho Vs. New Bern

O segredo que Hawkings acaba ficando em segundo plano quando ele precisa se unir a Jake para impedir que a cidade de Jericho seja invadida pelos moradores de New Bern. Liderados por Phil Constantino, antigo xerife da cidade vizinha, os homens de New Bern pretendiam tomar as fazendas e a mina de sal de Jericho para si, uma vez que eles não tinham meios de se sustentar. No final há um grande conflito entre as duas cidades, no qual um importante personagem morre, e tudo parece perdido para os rapazes de Jericho. É neste ponto que a primeira temporada se encerra, deixando os espectadores sem saber quem venceria o conflito.

Antes de falar sobre a conclusão, preciso falar sobre minha avaliação quanto aos detalhes técnicos desta obra. O que mais se destaca é a fotografia: a série foi filmada em grande parte em Van Nuys, no estado da Califórnia. Com belos cenários externos de montanhas e planícies, somos transportados realmente para uma cidade do meio do continente norte-americano, onde predominam grandes fazendas de milho. A trilha sonora também é bem legal, com algumas músicas bem conhecidas tocando sempre que há um momento de grande emoção, como por exemplo Iris, do Goo Goo Dolls ao final do episódio piloto. As cenas de ação são muito muito bem filmadas, e há pouca necessidade de efeitos especiais, que com certeza encareceriam a obra e a deixariam menos realística, caso fossem mal aplicados. A cena da batalha final entre Jericho e New Bern é uma das melhores de todo o seriado, com direito a tanque de guerra e tudo!

A Segunda Temporada (CONTÉM SPOILERS)


A Nova Bandeira Americana

Composta por apenas 7 episódios, essa temporada foi concebida para dar fim à trama iniciada na temporada anterior, por isso vários desenvolvimentos de personagens são deixados de lado para focar na história principal. O próprio conflito de Jericho com New Bern é interrompido logo após começar, num grande anticlímax. Uma tropa do exército norte-americano aparece de supetão e impede a carnificina entre os habitantes das duas cidades, e impõem uma nova ordem. Logo ficamos sabendo que eles fazem parte de uma nova nação: os Estados Aliados da América, formados pelos estados do oeste dos EUA até o Rio Mississipi. Este novo país, que possui inclusive uma nova bandeira, baseada na antiga, está crescendo cada vez mais, e sua única resistência consiste nos estados do leste, que ainda são fiéis à antiga Constituição, e pelo estado do Texas.

A princípio não haveria nenhum problema, se não fosse pelo fato de que esta nova nação é controlada por uma corporação chamada Jennings & Hall, e que eles são os verdadeiros conspiradores por trás dos ataques nucleares que destruíram a antiga ordem. Jericho explorou ao máximo o conceito das teorias da conspiração, e às vezes até eu mesmo começo a achar que o cancelamento precoce da série fez parte de uma conspiração de fato, devido aos pensamentos subversivos que essa história poderia suscitar nos americanos. Você pode achar que eu estou exagerando, e talvez esteja, mas basta pensar sobre as várias teorias conspiratórias que cercam o ataque de 11 de setembro às Torres Gêmeas: há muitos indícios, verdadeiros ou não, de que os edifícios poderiam ter sido implodidos, e muitos teorizam que o próprio governo norte-americano, ou uma parte dele, pode ter causado os ataques propositalmente. Afinal, que lucrou mais com tais ataques? A decisão política de atacar o Afeganistão foi rápida, a população estava completamente de acordo com a guerra, a indústria bélica ia de vento em poupa, e em menos de cinco anos os poços de petróleo iraquianos estavam sob o controle de empresas ocidentais. Coincidência, não? Ou talvez tenha sido tudo da forma como a mídia anunciou, nunca saberemos. Jericho sutilmente faz um paralelo com as teorias conspiratórias do 11 de setembro: os ataques nucleares também ocorreram em setembro, e foram orquestrados por membros do antigo governo que pretendiam estabelecer uma nova nação, e as empresas que os apoiaram lucrariam muito, pois seriam as únicas a operar no novo regime.

Major Beck

Deixando as teorias da conspiração e voltando à série, Jake e os demais personagens precisam lidar com o novo encarregado da cidade: o major Edward Beck (Esai Morales). Embora suas responsabilidades sejam de manter a ordem, suas verdadeiras instruções são para achar a bomba atômica perdida. Beck não é um cara mau, mas apenas um soldado zeloso que cumpre ordens sem questioná-las, mesmo quando está mais do que claro que quem está dando as ordens é um tirano. As coisas pioram muito quando os chefes do novo governo mandam um novo administrador, um membro dos Ravenwood, o exército particular da Jennings & Hall, afim de liberar Beck para cumprir sua verdadeira missão. O problema é que os Ravenwood, antes da ordem ser restaurada no país, agiam como um exército mercenário pilhando várias cidades em busca de recursos, e haviam causado muitos problemas em Jericho na temporada anterior. O novo administrador, ressentido por ter sido expulso da cidade anteriormente, agora quer aproveitar sua nova posição de poder para transformar a vida de Jake e seus amigos num inferno. O problema é que as atitudes de John Goetz (D. B. Sweeney)  passam do limite e acabam causando a morte de outra personagem querida pelos fãs.

Jake Leva a Bomba para o Texas

No final Hawkings e Jake (que estranhamente deixa de lado suas responsabilidades na cidade) conseguem levar a bomba atômica até o Texas, após vários percalços, e revelam para o mundo o segredo por trás dos ataques. No entanto, o final fica em aberto, pois diante deles se desenrola a possibilidade de começar a nova Guerra Civil americana. No entanto, para mim a série foi muito bem finalizada, uma vez que ela nunca foi sobre o destino do país, e sim dos habitantes daquela pequena cidade de interior chamada Jericho, e isso a série consegue nos entregar com um estupendo sucesso. Com certeza vale a pena conferir esta produção, ainda mais agora que ela encontra-se disponível no catálogo brasileiro da Netflix, apenas na versão legendada. Boa diversão!

Assista ao trailer: