quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Minhas Coleções - Miniaturas Superman & Cia



Mostrando um pouco mais da minha coleção de miniaturas DC Comics da Eaglemossvou apresentar minhas miniaturas do universo do Superman, tanto de seus principais aliados como de vilões.

Superman 

Começando com o Último Filho de Krypton. Esta miniatura representa o visual clássico do Superman, antes da reformulação de 2011 na qual a famosa cueca por cima da calça foi eliminada. Esta miniatura é bem bacana, as cores estão todas corretas, a postura nobre e preparando-se para alçar voo combinando bem com o personagem. O único problema - e que não é um defeito - é que ela poderia ser maior; esta estatueta ao lado de outros personagens como Bizarro e Superman Ciborgue dá a impressão de que o Super é "baixinho". Tirando isso é uma miniatura excelente!


Lex Luthor

O arquivilão do Superman. Lex Luthor já teve várias interpretações, tanto nos quadrinhos como no cinema, sendo a mais conhecida a de um empresário magnata que se ressente do poder e da fama do Superman, e passa a dedicar sua vida a manchar a imagem do herói e convencer o mundo de que ele é uma ameaça alienígena. Esta miniatura representa o personagem vestindo um traje mecânico que lhe confere grande poder de fogo e capacidade de voo, permitindo que consiga enfrentar Superman em combate corpo a corpo. 

Supergirl

Kara Zor-El é a prima do Superman. Assim como o primo, foi enviada em uma espaçonave para a Terra, mas acabou ficando presa em um asteroide de kriptonita em animação suspensa, de modo que quando chegou à Terra Superman já era adulto. Apesar do traço impecável da miniatura, não gostei desta representação, devido à sexualização exagerada. 

Brainiac

Natural do planeta Colu, este alienígena vaga pelo Universo em sua grande espaçonave em forma de caveira absorvendo o conhecimento de civilizações e depois destruindo-as. Além disso, ele tem o costume de miniaturizar as principais cidades desses mundos e engarrafá-las, para sua própria coleção. Foi o responsável pelo desaparecimento de Kandor, uma cidade kriptoniana, antes do grande cataclismo que destruiu o planeta natal do Superman. Esta miniatura é uma das minhas preferidas, dada a fidelidade com que foi concebida. A textura do uniforme dá um efeito muto bacana, bem com a pose, encarando o crânio de um de seus androides, ao melhor estilo Hamlet. É baseada na interpretação mais recente do personagem, da fase de Geoff Johns na revista Action Comics. 

Bizarro

Um clone malfeito do Superman, criado por Lex Luthor. Sua pele é pálida, suas feições são grotescas e veste o uniforme do Superman com o S invertido. Os poderes também são invertidos: ao invés de visão de calor e sopro gelado, ele tem visão congelante e sopro de fogo. Esta miniatura também está excelente, com o personagem em uma pose vacilante e desajeitada, típica de Bizarro. O colar com a inscrição: Bizarro #1, no entanto, é bem frágil, e qualquer pequeno esforço ou pancada indesejada pode quebrá-lo. 

Metallo

Também já teve algumas interpretações: já foi um criminoso transformado em androide por um cientista, com uma pedra de kriptonita a lhe dar vida; bem como um soldado do exército que se submeteu a uma experiência para transformá-lo em androide afim de poder enfrentar a ameaça alienígena representada pelo Superman. Esta é a versão clássica do personagem, resgatada por Geoff Johns em sua aclamada passagem por Action Comics. Não gosto muito desta versão, preferindo àquela em que ele é retratado como um homem normal, porém com o esqueleto mecânico por baixo da pele falsa e coração de kriptonita.

Apocalypse

Todos o conhecem como aquele que matou o Superman! Quando era apenas um bebê, Apocalypse foi submetido a um terrível experimento de evolução assistida em que era lançado a um território inóspito repleto de feras, assassinado e logo após clonado e lançado de novo para as feras, até que adquirisse a capacidade de sobreviver. O processo de repetiu milhares de vezes, de modo que a criatura se tornou um monstro sem sentimentos a não ser um ódio contra tudo o que fosse vivo, em especial os kriptonianos, que foram quem o criaram. E foi por causa desse mesmo ódio que, quando escapou de sua prisão, a criatura não parou até arrancar o último fôlego de vida do Homem do Amanhã..

A miniatura do Apocalypse, juntamente com o Batman no telhado, foi o primeiro especial da coleção da Eaglemoss a ser lançado aqui no Brasil, vindo inicialmente como um brinde para os assinantes da coleção. Feita de chumbo e com um tamanho diferenciado, essa miniatura por si só já é emblemática, por trazer a criatura segurando em uma das mãos a capa esfarrapada do Superman, como símbolo de que foi ele que derrotou o Homem de Aço. É uma peça de boa qualidade, sem nenhum defeito e fiel nos mínimos detalhes à caracterização do personagem.

Superboy

O clone adolescente do Superman criado pelo Projeto Cadmus. Conner Kent surgiu na famosa minissérie A Morte e o Retorno do Superman. Ele era um dos quatro Supermen que surgiram após Apocalyse matar o maior herói do mundo. Mais tarde é revelado que ele posui DNA tanto do Superman como de seu maior inimigo: Lex Luthor. Integrou equipes de super heróis juvenis, como os Titãs e a Justiça Jovem. A miniatura do Superboy é legalzinha, mostrando o herói com seu uniforme clássico, numa posição em que parece alçar voo ou dar um soco num adversário, vai saber. As feições do personagem que me pareceram, sei lá, meio abobalhadas, mas tirando isso não tenho muito a dizer.

Superman Ciborgue

Outro Superman falso que apareceu após a morte do Superman. Esta miniatura representa a versão clássica do personagem, em que ele é o astronauta Hank Henshaw, o qual foi vítima, junto cm seus colegas de equipe, de uma radiação que mudou sua estrutura genética (muto parecido com a origem do Quarteto Fantástico!). Após esse acidente seu corpo foi destruído, mas sua mente foi capaz de interagir com equipamentos eletrônicos, até que sua consciência foi parar na matriz de nascimento do Superman, que havia ficado em órbita da Terra (na versão de John Byrne, a gestação dos kriptonianos não era feita dentro do útero das mães, mas nessas matrizes de nascimento, e a matriz que iria parir o pequeno Kal-El foi enviada para a Terra no famoso foguete). Ele então copiou o código genético do Superman e criou para si um corpo cibernético semelhante ao do herói. Juntamente com o vilão Mongul (minha maior decepção com esta coleção foi terem deixado de fazer a miniatura de um vilão do porte de Mongul, enquanto fizeram de outros personagens mais bestas, como Detective Chimp!), o Superciborgue foi o responsável pela destruição de Coast City e pela consequente loucura do Lanterna Verde Hal Jordan.

Falando da miniatura em si, está bem fiel ao personagem, com destaque para as partes robóticas do personagem pintadas com uma tinta prateada brilhante.

Lobo

O Maioral! Esta miniatura, em sua versão de chumbo (porque agora a Eaglemoss tem lançado seus especiais em resina metálica, com qualidade mais baixa) é uma das mais procuradas e valorizadas da coleção. É uma das maiores miniaturas entre os especiais, juntamente com a do Antimonitor (14 cm), chegando a 13 cm de altura. É minha miniatura preferida, e a mais bem feita de toda a coleção.

Para quem não conhece, o Lobo é um czarniano, nascido num planeta utópico onde todo mundo vivia em paz... até seu nascimento. Ele exterminou toda a população de Czarnia, e se tornou um caçador de recompensas muito eficaz. Tem um olfato super desenvolvido, superforça e aparentemente é imortal. Sua aparência é inspirada nos integrantes da banda de rock Kiss, e sua personalidade é a de um roqueiro vândalo que gosta de bebedeira, confusão e muita violência. Embora seja um vilão, muitas vezes apareceu como anti-herói.

A miniatura do Lobo retrata com perfeição sua aparência e personalidade, indo desde o charuto, os detalhes de caveira no cinto, seu  bulldog de estimação Dawg e a cabeça de um alienígena sendo pisada.

Antimonitor

Da mesma forma que Darkseid está para Thanos, o Antimonitor está para Galactus. Ele é a maior ameaça intergalática do DCU, e foi o principal vilão da saga Crise nas Infinitas Terras, quando ele começou a destruir o Multiverso. Seu nascimento data da criação do próprio Multiverso, quando um cientista de Oa chamado Krona resolveu observar o Big Bang. Mas sem saber ele contaminou o momento da criação, e o que era para ser um único Universo coeso se tornou um frágil Multiverso, e no Universo de Antimatéria surgiu o Antimonitor. Foi necessário que todos os heróis da Terra e de outros mundos, bem como de outras dimensões, se unissem para derrotar esta poderosa criatura.

A miniatura do Antimonitor que eu tenho é feita de resina metálica e é a maior que eu possuo. Retrata o vilão em sua segunda forma (a primeira eu acho mais ameaçadora, porém menos conhecida), com a armadura semelhante a uma carapaça cobrindo sua acaprência horrenda). É uma miniatura bem feita e representa bem a imponência deste grande vilão.

Superboy Prime

Um dos seres mais poderosos do Multiverso, o Superboy Primordial não começou com um vilão. Natural do Universo Prime, ele também foi enviado para a Terra, mas seu lar não possuía super heróis, e o Superman só existia nas histórias em quadrinhos. Ele lutou ao lado dos heróis do Multiverso quando o Antimonitor destruiu seu lar, e se juntou a Alexander Luthor Jr. da Terra 3 e o Superman da Terra 2 em uma dimensão paraíso. No entanto, ao observar que os maiores heróis da Terra estavam falhando miseravelmente em proteger seu mundo, ele resolveu intervir juntamente com Lex Luthor Jr. Seu objetivo era trazer de volta seu mundo original, com a consequente destruição dos outros universos. Ele cria uma armadura baseada na do Antimonitor capaz de absorver energia solar e dá muito trabalho para os heróis da Terra, chegando a matar o Superboy Conner Kent.

Sua miniatura o retrata em sua versão vilanesca, vestindo a armadura especial e com a capa rasgada como se estivesse em alguma batalha.

Darkseid

Por fim, o maior vilão do DCU: Darkseid! Criado por Jack Kirby, Darkseid faz parte de um grupo de super seres autodenominados Novos Deuses. Há Novos Deuses do bem, os que vivem no planeta paradisíaco Nova Gênese, e os Novos Deuses maus, habitantes do planeta Apokolips, governado com mão de ferro pelo tirano Darkseid. Sua maior obsessão é encontrar a famosa Equação Antivida, a qual teoricamente lhe daria o poder de tirar o livre arbítrio de todos os seres do Universo. Seu grande poder são os raios ômega disparados de seus olhos, os quais são capazes de perseguir o alvo, mudando até mesmo de direção.

A miniatura de Darkseid também faz parte das especiais da coleção, e  retrata o vilão em seu visual clássico, conforme foi concebido por Jack Kirby. Sua pose revela toda sua imponência, mostrando-o como um verdadeiro déspota tirano e impiedoso. A única coisa que não gosto neste visual são as botas compridas, até as coxas, que fazem parecê-lo uma drag queen espacial!

Bem, então é isso, amiguinhos! Espero que tenham gostado e que este post tenha inspirado alguém a adquirir alguma destas miniaturas, mas só um aviso: aqui no Brasil elas estão super inflacionadas! Podem ser compradas nas bancas, no Mercado Livre ou na própria loja virtual da Eaglemoss. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

[RESENHA] Preacher #5: Rumo ao Sul + HOMENAGEM A STEVE DILLON (1962-2016)

Steve Dillon

Estava eu navegando na Internet no dia 22 de Outubro quando me deparo com uma triste notícia: a nona arte acabava de perder um grande colaborador, o artista britânico Steve Dillon, vítima de uma ruptura do apêndice. Sim, aquela doença escrota que causa dores escrotas e que pode ser resolvida com uma simples operação. Infelizmente a vida real não é como nos quadrinhos, onde a morte não é definitiva, e sempre é possível voltar com um reboot ou um soco na realidade.

Dillon ficou famoso no mundo dos quadrinhos principalmente por sua colaboração com o roteirista Garth Ennis em Hellblazer e Preacher, da DC/Vertigo e Justiceiro da Marvel. Os dois possuíam uma conexão que poucos artistas conseguem alcançar na atualidade: os desenhos de Dillon eram capazes de traduzir completamente o espírito dos roteiros loucos de Ennis, e o desenhista é um dos raros casos em que um leitor pode abrir uma HQ e de cara reconhecer seus desenhos, sem precisar ler os créditos.

Para homenagear Steve Dillon, resolvi antecipar a resenha do volume 5 de Preacher, uma vez que o próximo volume, seguindo a sequência das minhas postagens, seria Histórias Antigas, que é justamente uma coletânea com os especiais de Preacher desenhados por outros artistas. Como a falta dessas histórias não afeta o entendimento do Volume 5 - que é totalmente desenhado por Dillon -, resolvi antecipar este volume.

Les Enfants du Sang

É em Preacher Volume 5: Rumo ao Sul, que as coisas começam a dar realmente errado para o trio Jesse, Tulipa e Cassidy. Garth Ennis deixa a ação um pouco de lado para explorar a relação entre estes três personagens, em especial o aspecto "confiança".  Enquanto o Reverendo Mais Irreverente do Mundo precisa recuperar a confiança de sua amada, traída quando ele a abandonara em um hotel na França para lutar contra o Graal sozinho, o vampiro irlandês, durante um porre, revela que está perdidamente apaixonado por Tulipa. É claro que a loira recusa o beberrão, mas fica numa verdadeira sinuca de bico, pois Cassidy e Jesse são grandes amigos, e ela tem medo de estragar essa amizade revelando que o melhor amigo do seu namorado quer furar o olho dele. Assim, vivendo nessa tensão invisível, o trio viaja para Nova Orleans, onde eles irão encontrar um velho amigo de Cassidy, que irá utilizar magia vodu para que Jesse se conecte com a entidade Gênesis e possa descobrir o paradeiro de Deus, com quem ele quer acertar as contas.

O problema é que toda vez que eles seguem os conselhos de Cassidy dá em alguma merda (vide o Retalhador Picador, de Preacher #1), e dessa vez não é diferente. Agora eles irão cruzar o caminho dos Enfants du Sang, um grupo de jovens góticos aspirantes a vampiro que têm uma rixa com Cassidy. Além disso, Xavier, o sacerdote vodu cuja ajuda eles vão procurar, é um antigo desafeto do vampiro, devido a um caso misterioso do passado, envolvendo uma mulher. Pelo visto, não é a primeira vez que Cassidy fura o olho de um amigo.


Durante o ritual vodu Jesse descobre, por meio de Gênesis, sobre a verdadeira história do Santo dos Assassinos (que é revelada no Volume 4: Histórias Antigas), bem como o verdadeiro causador de toda a desgraça na vida do matador. Cassidy reencontra os Enfants du Sang, com resultados nada agradáveis para ele, e é Tulipa quem tem que resolver a parada, mostrando mais uma vez que ela é a integrante mais fodona do trio, pelo menos quando está com uma arma na mão.

Esta história ainda conta com o retorno de um personagem que há muitas edições não dava as caras: o Cara de Cu. O bizarro adolescente consegue finalmente encontrar o pastor Jesse Custer, mas será que finalmente ele terá coragem de se vingar?

Esta história apresenta o enredo mais fraquinho até agora, porém continua repleto de situações absurdas e engraçadas, a maior parte delas protagonizada pelo Cara de Cu, que inacreditavelmente começa a galgar seu caminho de astro do rock. Confesso que de início não gostei muito desse lance de triângulo amoroso no trio de protagonistas, porém isto irá se mostrar importante no futuro da série e para sua conclusão. Os desenhos de Steve Dillon continuam sensacionais, com seu estilo simples e ao mesmo tempo detalhista. O que chama a atenção, como sempre, é a caracterização dos personagens e suas expressões, que são o marco deste incrível artista, que com certeza fará muita falta aos quadrinhos de um modo geral.

Preacher #5 foi publicada no Brasil pela Panini Books em um encadernado em uma edição de luxo com capa dura e papel couchê. Boa leitura!


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

[RESENHA] Jurassic Park (LIVRO), de Michael Crichton


Esta é uma resenha muito especial, pois vou falar sobre um livro do qual particularmente eu gosto muito: Jurassic Park, ou, em português, Parque dos Dinossauros. Como fiz questão de frisar no título desta postagem, estou me referindo à obra literária escrita pelo mestre da ficção científica Michael Crichton, e não ao filme homônimo dirigido por Steven Spielberg que fez tanto sucesso na década de 1990, ainda que algumas comparações entre ambas as obras sejam inevitáveis.

Além da inquestionável qualidade narrativa de Crichton, este livro tem um lugar especial em minha estante devido ao fato de falar sobre essas criaturas incríveis que viveram e caminharam bem aí onde você está sentado há milhões e milhões de anos atrás, e sobre as quais sabemos tão pouco, na verdade apenas aquilo que é possível deduzir analisando seus esqueletos fossilizados, que foi praticamente a única evidência que restou deles após a grande extinção que os varreu da face da Terra e possibilitou que nós, seres humanos, pudéssemos nos tornar a raça dominante do planeta.

Desde que foram descobertos os primeiros fósseis de dinossauros, os assim chamados "Lagartos Terríveis" têm cativado a imaginação das pessoas, principalmente das crianças. E foi justamente quando eu ainda era um pequeno infante que me apaixonei pelos dinossauros, graças à influência de um amiguinho de escola, o Diego Ramalho - que hoje é professor de filosofia e não deve mais lembrar o que é um Parassaurolofo. Naquela época o filme de Spielberg tinha acabado de ser lançado e até hoje não esqueço o momento de espanto e encantamento que foi ver (na enorme tela de 14 polegadas da minha TV de tubos catódicos) o grande tiranossauro fazer picadinho de um jipe com duas crianças presas dentro da cabine do veículo. Como praticamente toda criança inocente dos anos 90 eu achava realmente que se tratava de um dinossauro de verdade, e fiquei triste quando minha mãe me explicou que aquilo na verdade era um grande boneco.

Escavação de um Esqueleto de Dinossauro

Anos depois descobri que o filme, que eu vira dezenas de vezes, era na verdade baseado em um livro, e que o escritor deste livro também havia escrito o roteiro do filme. Ainda assim, por algum motivo (talvez porque quando me tornei adolescente, imbuído de novos interesses, me afastei da maioria das minhas paixões da infância) demorei bastante tempo para ler o livro. Então, quando a Editora Aleph lançou esta bela edição cuja capa encabeça esta postagem, vi a excelente oportunidade de finalmente conhecer a história que deu origem ao filme. E que grata surpresa, pois, apesar de ter uma trama similar, as duas obras não poderiam ser mais diferentes!

A maior parte da história se passa na Ilha Nublar, localizada na Costa Rica, onde uma empresa de bioengenharia chamada Ingen construiu um parque semelhante a um zoológico que possibilitaria aos visitantes entrarem em contato com dinossauros reais, trazidos de volta à vida graças a avançadíssimas técnicas de clonagem. Michael Crichton utiliza a mesma fórmula empregada por ele em Westworld, filme de 1973 roteirizado e dirigido pelo escritor, no qual visitantes de um parque temático, pelo preço certo, podiam ter a sensação de voltar no tempo ao interagir com robôs customizados de caubóis, cavaleiros medievais e gladiadores romanos. Em ambas as obras, um mal funcionamento no parque faz com que as principais atrações saiam de controle e comecem a atacar os visitantes.

Embora esta seja basicamente uma história de aventura, com alguns traços de suspense e terror (Crichton não poupa o leitor com descrições de cenas de evisceração e desmembramentos), o lado da ficção científica - com ênfase no termo "científica" - não é deixado de lado. Uma das características mais marcantes dos livros de Crichton, e que está bastante presente em Jurassic Park, é o uso da ficção para demonstrar para o leitor alguma teoria científica de ponta. Quem ganha espaço nas páginas de Jurassic Park é a Teoria do Caos*, e o porta-voz de Crichton é o personagem Ian Malcolm, um matemático excêntrico que, mesmo cercado por um bando de velociraptores sanguinários encontra tempo para esmiuçar os seus postulados.


Ian Malcolm é contratado pela Ingen para, por meio de seus complicados cálculos, testar a viabilidade da atração turística. No entanto, as equações de Malcolm só mostraram que o parque estava fadado ao fracasso desde o início, por um simples motivo: os cientistas e engenheiros da Ingen estavam lidando com um sistema genuinamente complexo, e, portanto, imprevisível, como se fosse um sistema simples. Qualquer empreendimento que lide com seres vivos já é bastante complexo, ainda mais em se tratando de criaturas extintas há 65 milhões de anos.

O fundador da Ingen e idealizador do projeto do Parque dos Dinossauros, John Hammond, ignora completamente os alertas de Malcoln, em parte porque acredita em sua visão, e também porque precisa tornar o empreendimento lucrativo para seus investidores, sem os quais jamais poderia ter construído o parque. Quem está acostumado com o filme de Spielberg praticamente não reconhecerá aquele velhinho simpático do filme no John Hammond obcecado e sem escrúpulos do livro, de modo que até o carinho pelos netos, Lex e Tim, não passa de puro fingimento, um papel interpretado por ele para convencer os investidores de que o parque é seguro.

É claro que em um dado momento as coisas acabam saindo de controle; porém antes do caos se instaurar já haviam aparecido sinais de que alguma coisa estava errada com a ilha: acidentes durante construção, avistamentos de répteis estranhos no continente, ataques a crianças e idosos. Tudo isso faz com que os investidores enviem um grupo de inspetores de última hora para avaliar as instalações do parque. Este grupo é composto por Alan Grant, um renomado paleontólogo que assume o protagonismo da trama; Ellie Sattler, uma jovem paleobotânica e estagiária de Alan; Donald Genaro, um advogado que representa os investidores; e por último Ian Malcolm.

É quando este grupo está fazendo uma excursão pelo parque que os sistemas de controle sofrem uma pane geral, e todos os dinossauros escapam da ilha. Eles então precisam lutar pela sobrevivência, enquanto os técnicos e engenheiros no prédio de controle tentam reiniciar os sistemas. O enredo aqui é bem parecido com o filme, só que mais rico em detalhes. Há ainda diversas passagens que não foram inseridas na produção cinematográfica, mas apareceram em suas sequências, embora em circunstâncias diferentes, como a cena do aviário. O filme também ignora completamente a questão da fuga dos dinossauros para o continente, o que no livro adquire um status de missão principal.

A famosa Cena do Tiranossauro

Os personagens mais importantes do livro, no entanto, são os próprios dinossauros. Crichton apresenta uma grande variedade deles, e suas descrições são ricas em detalhes. A ideia de dinossauros concebida por ele, e transportada para os filmes graças a revolucionárias técnicas de animação digitail, até hoje está entranhada na imaginação das pessoas. Tal ideia, no entanto, nem sempre é a mais correta de acordo com as descobertas dos paleontólogos. Em exemplo clássico são os velociraptores, descritos por Crichton como dinossauros com cerca de 1,80 m de altura, quando suas versões reais mediam o equivalente a um cachorro médio (clique aqui para ver a comparação). Além disso, há indícios de que estas criaturas eram cobertas de penas, o que destrói ainda mais a imagem aterrorizante criada por Crichton.

O livro é dividido em blocos de capítulos representando cada uma das iterações que levam até o caos absoluto, e cada divisão é marcada por um interlúdio onde aparecem trechos da teoria de Malcolm e o desenho de um fractal, que são figuras ligadas à Teoria de Caos. Basicamente, um fractal é uma figura geométrica que tem uma interessante característica: cada parte que compõe a figura possui a forma da própria figura, como um floco de neve (clique aqui para saber mais). As primeiras imagens, bastante simples, ainda não nos possibilitam enxergar o todo, embora já possamos deduzir alguns de seus contornos; conforme as iterações vão avançando, ou seja, o sistema vai rumando ao caos, as figuras vão ficando mais elaboradas e podemos enxergar o problema em toda sua complexidade. Da mesma forma a trama vai progredindo, primeiro com sinais de que os dinossauros fugiram ao controle, até o momento em que eles dominam toda a ilha.

Esta edição da Aleph está bem bonita, feita com muito capricho para os fãs mais exigentes. As páginas possuem as bordas tingidas de vermelho vivo, fazendo alusão a sangue. As páginas iniciais são preenchidas com belíssimas ilustrações que remetem ao filme de Spielberg, como as ondulações na água denotando o famoso "tremor de impacto" que indica a aproximação de um T-Rex e o mosquito preso dentro do âmbar. Só senti falta de um pequeno detalhe, que é um mapa da Ilha Nublar com suas principais instalações. Na continuação, O Mundo Perdido, a editora corrige essa falha, apresentando um mapa da Ilha Sorna. Esta é, sem dúvida, uma excelente pedida para os fãs da franquia Jurassic Park que desejam conhecer este universo mais profundamente, sob o olhar de seu criador, além de ser recomendadíssimo para aqueles que gostam de uma ficção científica bem contada e plausível.

Para quem não conhece, Michael Crichton (1942-2008) é um escritor estadunidense de thrillers tecnológicos e também de obras de não ficção. Ficou famoso por ser o criador da série ER - Plantão Médico, e por livros como Jurassic Park, O Enigma de Andromeda, Congo e Presa, muitos do quais adaptados para o cinema. Ele teve até mesmo um dinossauro baseado com seu nome: Crichtonsaurus bohlini.



Velociraptor Segundo as Teorias Mais Recentes

*A Teoria do Caos começou a ganhar força na década de 60, quando Edward Lorentz divulgou sua teoria do "Efeito Borboleta": o bater das asas de uma borboleta em Tóquio pode causar uma tempestade em Nova York. Exageros à parte, a Teoria do Caos é um ramo muito importante da matemática que se propõe a estudar sistemas complexos, aqueles com um grande número de variáveis e iterações, muitas vezes representados por equações não-lineares. Uma característica fundamental desses sistemas é sua alta sensibilidade às condições iniciais. Foi estudado que, ao tentar representar matematicamente a formação de uma simples nuvem, uma alteração de 0,0000001% em uma das variáveis no início da formação pode gerar uma alteração gigantesca e completamente imprevisível no resultado final.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Séries Vertiginosas: Jericho


Inaugurando o quadro Séries Vertiginosas, vou falar sobre esta incrível série que assisti entre os anos de 2008 e 2009: Jericho. Uma série com um roteiro espetacular, em que a cada episódio eu me via roendo cada pedaço de unha que ainda tinha nos dedos para ver como os habitantes de uma pacata cidade do meio oeste americano resolveriam os problemas escabrosos que vinham ao seu encontro após os EUA sofrerem um holocausto nuclear. Uma série que tinha tudo para dar certo, para ser um grande sucesso de crítica e audiência, porém... não rolou! Queixando-se da baixa audiência, a emissora CBS decidiu cancelar a série ao final da primeira temporada, deixando uma legião de fãs desesperados, pois a season finale terminara com um grande cliffhanger e muitas questões não respondidas. No entanto, numa reviravolta inédita, graças à insistência dos fãs mais fiéis, a CBS encomendou uma segunda temporada, mais curta, para finalizar a trama e dar um final digno para Jericho.

Tudo começa quando os moradores da cidade fictícia de Jericho, localizada no estado do Kansas, avistam uma nuvem de fogo em formato de cogumelo, marca inconfundível de uma explosão nuclear, se erguer da direção de onde ficava a cidade de Denver. Não demora muito para eles descobrirem que esta não foi a única explosão: por todo o território norte-americano, diversas cidades haviam sido bombardeadas por armas atômicas, num ataque fulminante que mandou a maior potência do planeta de volta para a Idade das Trevas. Sem energia elétrica, telefone e internet, os moradores de Jericho ficam completamente isolados do mundo exterior, e precisam se organizar para sobreviver às dificuldades que se lhes impõem, como a falta de recursos médicos, escassez de alimentos, o frio do inverno, além de cidades hostis querendo se apropriar à força dos valiosos recursos da cidade.

Robert Hawkings (esquerda), Gray Anderson, Dale, Emily, Jake (centro),
Heather, Eric, Johnston, Gail, Bonnie e Stanley (direita)

O personagem principal da série é Jake Green (Skeet Ulrich), um jovem que retorna a Jericho no dia da explosão após passar alguns anos longe de casa. De início sabemos pouco sobre ele, apenas que no período em que ficou fora da cidade esteve metido com coisas ilegais. Ele é o filho de Johnston Green (Gerald McRaney), um veterano de guerra que tem sido prefeito da cidade por vários mandatos consecutivos, e irmão de Eric Green (Kenneth Mitchell), que aos olhos da cidade é um cidadão exemplo, embora nunca tenha saído da sombra do pai. A experiente Pamela Reed interpreta Gail, mãe de Jake, que encarna com furor o papel da grande matrona, sempre preocupada com a segurança dos filhos e a saúde do marido.

Após a explosão nuclear que destruiu Denver, Jake se torna uma espécie de líder na cidade, não um líder político, mas aquele tipo de pessoa que todo mundo procura quando tem um problema. Toda vez que uma dificuldade insolúvel aparece, ele é o primeiro a propor alguma solução, mesmo que arriscada. Sua coragem e caráter acabam chamando a atenção da jovem Heather Lisinski (Sprague Grayden), que, embora pareça uma ingênua professora de crianças, é uma verdadeira especialista quando se trata de equipamentos mecânicos, melhor do que muito marmanjo. Eu fui dos que torceram para que os dois ficassem juntos, mas infelizmente para a moça, o coração de Jake pertence mesmo é a Emily Sullivan. Interpretada pela bela Ashley Scott, ela é filha de Jonah Prowse, um notório contraventor que costumava atuar na cidade, e que volta e meia aparece tanto para causar problemas como para ajudar a resolvê-los (embora sempre visando obter alguma vantagem).

Emily, Jake e Heather

O debate político está muito presente em Jericho, nas figuras de Johnston Green e do seu maior opositor, Gray Anderson (Michael Gaston). Gaston interpreta seu papel com uma competência absurda, e seu sucesso é constatado pelo fato de que logo nos pegamos odiando-o com todas as forças devido a sua politicagem cara de pau, praticada até nos momentos em que a união se faz mais necessária. Gray constantemente questiona as decisões de Johnston, e todo o tempo espalha notícias alarmantes para insuflar a população contra o prefeito. Quando Johnston está mais fraco, ele se aproveita e toma o poder para si, mas em pouco tempo ele acaba percebendo o erro que cometera.

Assim como muitos líderes atualmente, seja na política ou no comando de empresas, Gray é um sujeito extremamente técnico: todas as suas decisões são tomadas com base em números e gráficos, e não pelo bem das pessoas. Um claro exemplo disso é quando, ao perceber que os recursos da cidade não serão suficientes para mantê-los vivos no inverno, ele decide mandar embora todos os refugiados que se instalaram na cidade após as explosões. É o típico "farinha pouca, meu pirão primeiro", que até daria certo, se ele não fosse precisar dessas mesmas pessoas quando estourasse a guerra contra a cidade vizinha de New Bern.

Johnston Green e Gray Anderson

Jericho é dessa séries que desenvolvida para todos os tipos de público - desde aqueles que gostam de uma boa ação até aqueles mais chegados num dramalhão familiar. E o que não falta em Jericho é drama. Eric Green, o filho "certinho" de Johnston e Gail, esconde de todos que trai sua esposa, a devotada médica April (Darby Stanchfield), com a dona do principal bar da cidade, Mary Bailey (Clare Carey). No entanto, a série não faz uma abordagem hipócrita neste caso: Mary sabe que o que eles fazem é errado, mas é incapaz de resistir à atração que sente pelo número dois da cidade. E, quando finalmente conseguem ficar juntos, ela precisa enfrentar a resistência de Gail à união deles.

Outro núcleo muito querido da série é o do fazendeiro e melhor amigo de Jake, Stanley Richmond (Brad Bayer), que precisa manter a fazenda de seus pais falecidos e ao mesmo tempo cuidar de sua irmã Bonny (Shoshannah Stern), que é deficiente auditiva. Numa prova de que grandes tragédias aproximam pessoas que em circunstâncias normais jamais se identificariam, o jovem se apaixona por Mimi Clark (Alicia Coppola), uma fiscal da receita federal que viera a Jericho justamente para confiscar a fazenda de Stanley.

Robert Hawkings

Por último há Robert Hawkings (Lennie James), um misterioso homem que alega ter sido policial e que se muda para Jericho com a família pouco antes dos ataques. Ele é a ponte de ligação da cidade com os eventos catastróficos que ocorreram no restante do país. Não demora muito para percebermos que ele não é quem realmente diz; sua verdadeira identidade é um mistério, e às vezes chegamos a pensar que ele é um dos terroristas que causaram os ataques, principalmente quando é revelado que ele possui uma das bombas atômicas escondida no porão de casa.

Jake acaba descobrindo o segredo de Hawkings, que decide então contar toda a verdade: ele era um agente da CIA infiltrado no grupo terrorista, porém um traidor em sua equipe fez com que os ataques acontecessem antes do planejado, e ele não teve escolha a não ser fugir com sua família para o único lugar seguro no país, uma cidade que não sofreria com as precipitações radioativas das explosões e que possuía todos os recursos capazes de mantê-la de pé durante os meses de dificuldade: Jericho. No entanto, os verdadeiros conspiradores que orquestraram os ataques ainda estavam soltos por aí, e enviaram agentes para recuperar a bomba de Hawkings, pois ela era a única prova que o ataque não havia sido causado por países estrangeiros, mas por agentes internos.

Jericho Vs. New Bern

O segredo que Hawkings acaba ficando em segundo plano quando ele precisa se unir a Jake para impedir que a cidade de Jericho seja invadida pelos moradores de New Bern. Liderados por Phil Constantino, antigo xerife da cidade vizinha, os homens de New Bern pretendiam tomar as fazendas e a mina de sal de Jericho para si, uma vez que eles não tinham meios de se sustentar. No final há um grande conflito entre as duas cidades, no qual um importante personagem morre, e tudo parece perdido para os rapazes de Jericho. É neste ponto que a primeira temporada se encerra, deixando os espectadores sem saber quem venceria o conflito.

Antes de falar sobre a conclusão, preciso falar sobre minha avaliação quanto aos detalhes técnicos desta obra. O que mais se destaca é a fotografia: a série foi filmada em grande parte em Van Nuys, no estado da Califórnia. Com belos cenários externos de montanhas e planícies, somos transportados realmente para uma cidade do meio do continente norte-americano, onde predominam grandes fazendas de milho. A trilha sonora também é bem legal, com algumas músicas bem conhecidas tocando sempre que há um momento de grande emoção, como por exemplo Iris, do Goo Goo Dolls ao final do episódio piloto. As cenas de ação são muito muito bem filmadas, e há pouca necessidade de efeitos especiais, que com certeza encareceriam a obra e a deixariam menos realística, caso fossem mal aplicados. A cena da batalha final entre Jericho e New Bern é uma das melhores de todo o seriado, com direito a tanque de guerra e tudo!

A Segunda Temporada (CONTÉM SPOILERS)


A Nova Bandeira Americana

Composta por apenas 7 episódios, essa temporada foi concebida para dar fim à trama iniciada na temporada anterior, por isso vários desenvolvimentos de personagens são deixados de lado para focar na história principal. O próprio conflito de Jericho com New Bern é interrompido logo após começar, num grande anticlímax. Uma tropa do exército norte-americano aparece de supetão e impede a carnificina entre os habitantes das duas cidades, e impõem uma nova ordem. Logo ficamos sabendo que eles fazem parte de uma nova nação: os Estados Aliados da América, formados pelos estados do oeste dos EUA até o Rio Mississipi. Este novo país, que possui inclusive uma nova bandeira, baseada na antiga, está crescendo cada vez mais, e sua única resistência consiste nos estados do leste, que ainda são fiéis à antiga Constituição, e pelo estado do Texas.

A princípio não haveria nenhum problema, se não fosse pelo fato de que esta nova nação é controlada por uma corporação chamada Jennings & Hall, e que eles são os verdadeiros conspiradores por trás dos ataques nucleares que destruíram a antiga ordem. Jericho explorou ao máximo o conceito das teorias da conspiração, e às vezes até eu mesmo começo a achar que o cancelamento precoce da série fez parte de uma conspiração de fato, devido aos pensamentos subversivos que essa história poderia suscitar nos americanos. Você pode achar que eu estou exagerando, e talvez esteja, mas basta pensar sobre as várias teorias conspiratórias que cercam o ataque de 11 de setembro às Torres Gêmeas: há muitos indícios, verdadeiros ou não, de que os edifícios poderiam ter sido implodidos, e muitos teorizam que o próprio governo norte-americano, ou uma parte dele, pode ter causado os ataques propositalmente. Afinal, que lucrou mais com tais ataques? A decisão política de atacar o Afeganistão foi rápida, a população estava completamente de acordo com a guerra, a indústria bélica ia de vento em poupa, e em menos de cinco anos os poços de petróleo iraquianos estavam sob o controle de empresas ocidentais. Coincidência, não? Ou talvez tenha sido tudo da forma como a mídia anunciou, nunca saberemos. Jericho sutilmente faz um paralelo com as teorias conspiratórias do 11 de setembro: os ataques nucleares também ocorreram em setembro, e foram orquestrados por membros do antigo governo que pretendiam estabelecer uma nova nação, e as empresas que os apoiaram lucrariam muito, pois seriam as únicas a operar no novo regime.

Major Beck

Deixando as teorias da conspiração e voltando à série, Jake e os demais personagens precisam lidar com o novo encarregado da cidade: o major Edward Beck (Esai Morales). Embora suas responsabilidades sejam de manter a ordem, suas verdadeiras instruções são para achar a bomba atômica perdida. Beck não é um cara mau, mas apenas um soldado zeloso que cumpre ordens sem questioná-las, mesmo quando está mais do que claro que quem está dando as ordens é um tirano. As coisas pioram muito quando os chefes do novo governo mandam um novo administrador, um membro dos Ravenwood, o exército particular da Jennings & Hall, afim de liberar Beck para cumprir sua verdadeira missão. O problema é que os Ravenwood, antes da ordem ser restaurada no país, agiam como um exército mercenário pilhando várias cidades em busca de recursos, e haviam causado muitos problemas em Jericho na temporada anterior. O novo administrador, ressentido por ter sido expulso da cidade anteriormente, agora quer aproveitar sua nova posição de poder para transformar a vida de Jake e seus amigos num inferno. O problema é que as atitudes de John Goetz (D. B. Sweeney)  passam do limite e acabam causando a morte de outra personagem querida pelos fãs.

Jake Leva a Bomba para o Texas

No final Hawkings e Jake (que estranhamente deixa de lado suas responsabilidades na cidade) conseguem levar a bomba atômica até o Texas, após vários percalços, e revelam para o mundo o segredo por trás dos ataques. No entanto, o final fica em aberto, pois diante deles se desenrola a possibilidade de começar a nova Guerra Civil americana. No entanto, para mim a série foi muito bem finalizada, uma vez que ela nunca foi sobre o destino do país, e sim dos habitantes daquela pequena cidade de interior chamada Jericho, e isso a série consegue nos entregar com um estupendo sucesso. Com certeza vale a pena conferir esta produção, ainda mais agora que ela encontra-se disponível no catálogo brasileiro da Netflix, apenas na versão legendada. Boa diversão!

Assista ao trailer: