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sexta-feira, 12 de maio de 2017

O filme pode até ser ruim, mas as miniaturas são sensacionais!

A Trindade da Justiça

Apesar de não ser um dos meus filmes de super-heróis favoritos, é inegável que a concepção visual de Batman vs Superman: A Origem da Justiça é espetacular. Os uniformes dos personagens, as cenas de luta, os cenários - tudo é muito bem feito e repleto de referências ao material fonte. Seguindo o lançamento do filme, a Iron Studios, empresa 100% brasileira que fabrica e comercializa figuras colecionáveis baseadas na cultura nerd, lançou uma coleção de estatuetas dos personagens principais da trama estrelada por Ben Affleck, Henry Cavill e Gal Gadot. O nível de detalhamento dessas figuras é incrível, prova da qualidade do profissionais da Iron Studios. As estatuetas são feitas de polystone, um composto de poliuretano que simula a aparência de pedra, como uma estátua de verdade, e são pintadas a mão. Além disso, cada uma vem acompanhada por uma base pentagonal, com a sulhueta e o nome do personagem gravados na parte inferior, além do logo do fabricante. 

O único ponto que deixa a desejar é o preço, como não poderia deixar de ser no Brasil. O preço original já é alto (algo em torno de R$ 300,00 a 350,00), e para piorar as lojas que comercializam as peças metem a mão, chegado a cobrar mais que o dobro do preço de lançamento. Ainda assim, como colecionador (ou viciado) que sou, pesquisei bastante e consegui adquirir algumas miniaturas que me agradaram mais. E são estes exemplares que vou mostrar nesta postagem.

Mulher Maravilha (Frente)

Mulher Maravilha (costas)

Mulher Maravilha (Detalhe do Laço e Espada)

A estatueta da Mulher Maravilha é a mais bonita da coleção. O uniforme, o escudo, a espada (cuja lâmina é de encaixe, sendo, portanto, um adereço removível), o Laço da Verdade, os braceletes, são idênticos ao que é retratado no filme, inclusive os tons de cor. A única ressalva é quanto ao rosto de Diana, que não está muito parecido com o de Gal Gadot. Tirando isso, a miniatura é perfeita. 

Superman (frente)

A miniatura do Superman também está idêntica à caracterização vista no filme, inclusive as feições de Henry Cavill, reproduzidas à perfeição. Os detalhes do belíssimo uniforme desenvolvido por James Acheson e Michael Wilkinson para o filme O Homem de Aço estão todos lá, inclusive as "escamas" que percorrem toda a área da vestimenta. 

Batman de Armadura (frente)

Batman de Armadura (Detalhe do Rosto)

Minha primeira estatueta! Batman com a famosa armadura inspirada naquela usada por Batman na minissérie O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Idêntica à do filme, a armadura ainda conta com os arranhões sofridos durante a batalha entre o Cruzado de Capa e o Último Filho de Kripton. O rosto por baixo do capacete é igualzinho ao de Ben Affleck, até mesmo com a barba por fazer. Só não gostei da capa, pois os idealizadores da estatueta resolveram usar uma capa de pano mesmo, ao contrário da miniatura do Superman, cuja capa de de plástico. A capa do Batman é surrada e passa um aspecto de sujeira, mas por ser de pano, me pergunto se ela não acumula mais poeira (e ácaros) e com certeza sua durabilidade é menor. 

Batman (frente)

Batman (lado)

Batman (Detalhe da Máscara de Mergulho)

Minha mais nova aquisição, esta estatueta representa o Batman como visto em Esquadrão Suicida, nas cenas em que ele captura o Pistoleiro e quando ele persegue o Coringa e a Arlequina. É uma miniatura imponente, mostrando o Batman em seu traje de combate convencional, também inspirado no uniforme usado pelo personagem em O Cavaleiro das Trevas. Nesta miniatura o Morcego está utilizando sua pistola que dispara o bat-cabo, enquanto segura a capa - que graças a Deus desta vez é feita de plástico mesmo. Por baixo do capuz podem ser acrescentadas duas opções de rosto: uma com o rosto de Ben Affleck, novamente representado à perfeição, e outra com a máscara de mergulho utilizada por ele quando precisa lutar embaixo d'água. 

É isso aí, espero que essa postagem tenha sido útil. Lembrando que, caso você tenha ficado interessado por algumas dessas belezinhas, ainda há exemplares disponíveis em várias lojas do segmento. Me despeço com essa foto mostrando os dois maiores heróis do mundo se encarando, prontos para o combate! Até mais!

BvS


sexta-feira, 5 de maio de 2017

RESENHA | Mulher Maravilha: Desafio dos Deuses


Dando sequência à publicação da fase de George Pérez à frente da revista da Mulher Maravilha, a Panini Comics lança em terras tupiniquins a revista Lendas dos Universo DC: Mulher Maravilha por George Pérez Vol.2, um encadernado em capa cartão e papel offset que reúne as edições 8-14 da revista Mulher Maravilha Vol. 2, de 1987, compreendendo uma saga pouco conhecida pelos fãs mais jovens da amazona, mas que figura entre os melhores trabalhos do artista em parceria com o roteirista Len Wein. Desafio dos Deuses, além de reintroduzir uma importante vilã da Mulher Maravilha, traz respostas para algumas das perguntas que haviam ficado no ar em Deuses e Mortais, como por exemplo de onde viera a pistola que as amazonas usaram no teste de Diana, e o que havia de tão perigoso por trás da porta de aço dentro da caverna na Ilha Paraíso.

A história começa logo após a conclusão da batalha contra Ares. A edição 8 serve de ligação entre estes eventos e o restante do Universo DC, fazendo menção à saga Lendas, na qual a heroína teve seu primeiro encontro com os membros da Liga da Justiça. A primeira coisa que se nota nesta edição é que os autores fogem do modelo convencional de quadrinhos ao optarem por narrar estes eventos na forma de texto em prosa, sob a perspectiva das quatro principais personagens femininas que dão apoio à Diana no mundo do patriarcado: a professora Julia Kapatelis, a tenente da Força Aérea Americana Etta Candy, a jovem Vanessa Kapatelis, e a publicitária Myndi Mayer. Assim como no arco anterior, Pérez e Wein buscam estabelecer a Mulher Maravilha no mundo real, e para tanto mostram-na se encontrando com figuras como o presidente Ronald Reagan e até com eles próprios, numa divertida quebra da quarta parede. Esta edição também aborda alguns assuntos sérios: machismo e intolerância religiosa são apenas algumas das reações exibidas pelos líderes mundiais em resposta ao surgimento de uma heroína cuja missão é transmitir ao mundo uma mensagem de paz.

A Nova Mulher Leopardo

A edição seguinte mostra a estreia da nova Mulher Leopardo. A vilã, que durante as Eras de Ouro e de Prata dos quadrinhos era representada como uma mulher normal em uma fantasia de leopardo, desta vez se torna literalmente um híbrido humano/felino após um ritual místico realizado em homenagem a um deus planta. Sua nova identidade é Barbara Ann Minerva, uma arqueóloga britânica cuja maior obsessão é se apossar do Laço da Verdade de Diana. Muito mais violenta e sanguinária do que suas versões anteriores, ela se mostra uma oponente capaz de rivalizar com os poderes da Mulher Maravilha, mas infelizmente a batalha entre estas duas grandes inimigas acaba terminando sem uma conclusão, e a Mulher Leopardo não volta a dar as caras neste encadernado.

O famigerado Desafio dos Deuses tem início logo após Diana retornar para Themyscira, após terminado o prazo de seu período no chamado "mundo do patriarcado". No arco anterior Pérez já havia deixado claro que a incursão da Princesa Diana no nosso mundo ainda não era definitiva, e que ela precisaria retornar à sua ilha natal, uma vez que conseguira realizar a impossível tarefa de derrotar o deus Ares. Além disso, as decepções sofridas pela amazona diante da desconfiança e preconceito do restante do mundo em relação aos seus poderes, e da inesperada oposição aos seus ideais de paz só fizeram aumentar sua vontade de voltar para Themyscira. Era preciso, então fornecer as circunstâncias necessárias para fazê-la decidir voltar ao mundo do patriarcado e se tornrar a heroína que todos conhecemos. Estas circunstâncias vêm na forma de um desafio mortal proposto pelos Deuses do Olimpo, do qual dependia a sobrevivência das amazonas.

Mais importante do que os desafios encarados pela heroína nas profundezas subterrâneas da Ilha Paraíso, é o motivo pelo qual ela foi obrigada a enfrentar estas provas. Tudo começa quando Zeus, influenciado pelo sátiro Pan, desce à Terra e  propõe que a Princesa das Amazonas se deite com ele, como prêmio por ela ter derrotado Ares. Não somente isso, ele deseja transformar o reino das amazonas em seu harém pessoal! Repare que os autores repetem a fórmula da eterna luta da mulher contra a dominação masculina, já abordada no arco anterior, apenas substituindo o semideus Héracles, que escravizara e estuprara as amazonas no passado, por seu pai, Zeus.

Zeus Assedia Diana

Mais uma vez George Pérez utiliza o arsenal de personagens da Mitologia Grega, de modo que, em muitos momentos, mais parece que estamos lendo um dos relatos do período clássico ao invés de uma história em quadrinhos. No entanto, se testemunhar a Mulher Maravilha, trajada com seu formidável traje de guerra, travando batalhas épicas contra criaturas como a Equidna, Hidra, Ciclope, Quimera, Minotauro ou o abominável Coto garantem uma excelente diversão, algumas decisões de roteiro deixam a desejar, embora não sejam de total responsabilidade do roteirista. A insistência das grandes editoras em obrigar suas equipes criativas a interromper um planejamento de meses a fim de que possam se envolver nos famosos crossovers (sagas enormes que interligam diversas revistas da editora) acabam tornando algumas histórias confusas e prejudicando o andamento de sagas que poderiam ter sido muito melhores sem essas intromissões. No caso de Desafio dos Deuses, o impacto da saga Millennium no curso geral da história é pequeno, mas a trama envolvendo a verdadeira identidade de Pan acaba sendo broxante e sem sentido, justamente por não ter nada a ver com o enredo desenvolvido até então por George Pérez e Len Wein.

Ainda assim, considero o saldo desta história bastante positivo. O ponto mais alto do enredo se dá na edição 13, intitulada Ecos do Passado, na qual Pérez explica de forma bastante plausível a relação do uniforme da Mulher Maravilha com a bandeira norte-americana, revelando a verdadeira natureza da relação de Diana com o coronel Steve Trevor. Esta relação, contudo, não é de natureza amorosa, tal como era na versão pré-Crise, pois, como visto no final deste arco, Steve começa a namorar Etta Candy, após ela finalmente se declarar para ele.

Mulher Maravilha Enfrenta a Hidra

Desafio dos Deuses é um épico em diversos sentidos: é a história de coragem e determinação de uma heroína que faz de tudo para salvar seu povo, e que no meio do caminho acaba encontrando as respostas sobre qual a sua verdadeira missão no mundo; é também a história de uma rainha e mãe que, diante da decepção com suas divindades - pelas atitudes de Zeus e pela impotência de suas deusas ante os caprichos do deus - se volta contra elas para proteger sua única filha, mesmo que isso signifique ir contra suas próprias irmãs em armas; e é também uma história de redenção, quando um ciclo de ódio entre homens e mulheres é finalmente interrompido, não pela violência, mas através do perdão e do amor.

Esta é a história que George Pérez desejava contar sobre a Mulher Maravilha desde que fora convidado para guiar a reformulação da heroína após o reboot, mas que não podia sem antes apresentar a nova origem da personagem. Embora eu considere Deuses e Mortais melhor que sua sequência, ainda assim Desafio é uma grande HQ, tanto pelo excelente roteiro como pela arte magistral de Pérez, que  se tornou referência para todos aqueles que viriam a trabalhar nas histórias da maior heroína de todos os tempos.

Boa leitura!

Capa do Vol. 2 de Lendas do Universo DC

terça-feira, 28 de março de 2017

RESENHA | Mulher Maravilha: Deuses e Mortais



É praticamente impossível falar da Mulher Maravilha unicamente no contexto das histórias em quadrinhos, quando ela é muito mais do que isso: Diana Prince é simplesmente a primeira e maior super heroína de todos os tempos; ela é um ícone cultural, um símbolo do movimento feminista, inspiração para todas as mulheres do mundo que desejam ser livres, autênticas e independentes. Ela foi criada em 1941 pelo psicólogo William Moulton Marston, famoso pela invenção do polígrafo - a versão real do Laço da Verdade -, como uma alternativa aos heróis masculinos que predominavam nos quadrinhos. Até então, as personagens femininas dessas histórias não passavam de mocinhas ingênuas que precisavam ser resgatadas ou preocupadas matronas responsáveis por costurar os uniformes dos filhos heróis. Com o surgimento de uma super heroína capaz de lutar em pé de igualdade com qualquer personagem masculino, Marston acreditava mandar uma mensagem para todas as meninas dos EUA de que elas não eram inferiores aos homens, de que elas eram capazes de conquistar os direitos que lhes eram negados, como votar, escolher qual carreira seguir, ou ocupar cargos de liderança em grandes companhias.

Ao lado do Superman e Batman, a Mulher Maravilha constitui um dos três pilares principais da DC Comics. Sua revista foi publicada ininterruptamente desde a década de 40 até 1887, quando sobreveio o fatídico reboot dos títulos da editora, sob o pomposo título Crise nas Infinitas Terras. Com a Crise todos os diversos universos paralelos, com suas diversas linhas temporais e versões alternativas dos heróis, foram eliminados da cronologia, e roteiristas de renome foram convocados para reformular os principais heróis da editora. Frank Miller criou o aclamado Ano Um do Batman, enquanto John Byrne revitalizava o mito do Superman em O Homem de Aço. Coube a George Pérez assumir o legado da Mulher Maravilha e criar uma história de origem completamente nova e atualizada para a Princesa das Amazonas, que havia morrido pelas mãos do Antimonitor nas últimas páginas da Crise. O resultado, o arco de histórias intitulado Deuses e Mortais (Mulher Maravilha v2, 1-7), foi uma das fases mais aclamadas da Mulher Maravilha, e que até hoje serve de base e inspiração para todos os escritores que passam pela revista solo da Princesa Amazona.

O Nascimento da Mulher Maravilha

George Pérez manteve os elementos principais da história de Diana, os quais remontam até sua crianção por W. M. Marston: a Ilha Paraíso, as amazonas, o piloto Steve Trevor, o torneio para decidir quem o levaria de volta ao "mundo do patriarcado", o laço da verdade. Outros aspectos sofreram alterações, como a Mulher Maravilha ser capaz de voar, o que tornou dispensável o icônico Avião Invisível. A Mitologia Grega consiste em uma das principais inspirações de Pérez para sua visão da amazona. Os deuses do Olimpo não apenas existem, mas interferem nas vidas dos personagens, seja para o bem (concedendo os poderes da Mulher Maravilha) ou para o mal (fomentando o ódio e a violência nas mentes dos líderes militares do planeta).

O apelo feminista da personagem, que é o principal legado de W. M. Marston, não é deixado de lado por Pérez, que, em plena década de 80, quando a expressão "empoderamento feminino" ainda não era utilizada, constrói um enredo repleto de personagens femininas fortes, como a Drª. Julia Kapatelis e a simpática e gorducha Etta Candy, e recheada de simbolismos, como a ideia de as amazonas sempre portarem seus braceletes como lembrança do período em que foram escravas dos homens. O próprio vilão escolhido para esta saga, Ares, o Deus da Guerra da Mitologia Grega, encarna características predominantemente masculinas - dominação pela força, ódio e violência (o que não quer dizer que todos os homens sejam assim) - que contrastam com o clamor por justiça, o amor e o carinho tão particulares às mulheres (o que não quer dizer que todas as mulheres sejam assim).

Ares, o Deus da Guerra

O roteiro de Deuses e Mortais é simples e eficiente, e a arte refinada e repleta de detalhes de George Perez é espetacular. Esta é sem dúvida a origem definitiva da Mulher Maravilha, e olha que eu conheço pelo menos mais três por aí (Terra Um, Novos 52 e Rebirth), mas todas elas são apenas releituras atualizadas de Deuses e Mortais. Com o filme solo da Mulher Maravilha estreando em junho deste ano, esta HQ é uma ótima pedida para quem quer conhecer mais a história da Princesa das Amazonas nos quadrinhos.

Mulher Maravilha: Deuses e Mortais está sendo publicado pela Panini Comics na série Lendas do Universo DC: Mulher Maravilha Vol. 1, com capa cartão e papel offset; mas quem deseja ter este material em edição de luxo também pode aguardar um pouco mais, pois ele faz parte da coleção de Graphic Novels DC da Eaglemoss, se eu não me engano na edição 38. Boa leitura!


domingo, 10 de julho de 2016

[RESENHA] Mulher Maravilha: Hiketeia


Muitas vezes cumprir a lei ao pé da letra pode levar a um dano muito pior do que não fazê-lo. Todos ouvimos desde criança que é errado matar; no entanto, imagine uma situação em que um bandido invade a sua casa e ameaça a sua vida ou de alguém que você ame: seria errado matar o ladrão, nestas circunstâncias? A lei ao pé da letra não leva nada em consideração a não ser o seu total cumprimento, para ela só existe preto e branco, certo e errado. Mas a lei não deve ser usada como um instrumento que escraviza o ser humano; dependendo da situação, a consciência humana pode nos levar a tomar uma decisão contrária à lei, e ainda assim ser uma decisão correta, uma vez que acarretaria menos dano. Este, de fato, é o "espírito" por trás das leis: evitar conflitos, e, consequentemente, dano à vida humana. De fato, a legislação já evoluiu o bastante para não permitir paradoxos como o do exemplo do bandido, mas as leis nunca conseguirão englobar todas as situações da vida humana e suas relações interpessoais, que estão em constante modificação. Sempre haverão debates, como o uso de substâncias proibidas por lei no tratamento de doenças degenerativas, ou a delicada questão do aborto ou da eutanásia. 

Mulher Maravilha: Hiketeia é uma HQ escrita por Greg Rucka, roteirista de longa data das histórias da heroína, com arte de J.G. Jones e Wade Von Grawbadger, que trata justamente deste dilema. De um lado temos Danielle Wellys, uma jovem que cometeu um crime de assassinato em Gotham City; de outro o Batman, que assume na trama a figura do agente cumpridor da lei, cuja missão é levar a jovem perante a justiça para que seja julgada e pague por seus atos. O que o Cavaleiro das Trevas não esperava, contudo, é que Danielle fosse procurar a embaixadora das amazonas no mundo do patriarcado e invocasse o juramento de Hiketeia:

O Juramento de Hiketeia

Diana Prince, a Mulher Maravilha, sem conhecer a história de Danielle, aceita a jovem como sua protegida, e ao fazer isso coloca seu destino nas mãos das Erínias, também conhecidas como Fúrias, aquelas três entidades femininas da mitologia greco-romana que são a personificação da vingança. Se Diana falhar em sua missão de proteger a moça, deverá pagar com a própria vida. Seu juramento a coloca em conflito direto com seu companheiro de Liga da Justiça, o Batman, o qual possui seu próprio juramento, feito diante do túmulo de seus pais, de acabar com o crime em Gotham.

As Erínias

Nesta história Rucka nos apresenta um outro lado da Mulher Maravilha que tem sido pouco explorado ao longo de sua trajetória nos quadrinhos; ao invés de ser retratada como uma guerreira, sempre sisuda e muitas vezes dada a atos de violência, aqui ela aparece de fato como a Embaixadora da Paz, tal qual ela fora inicialmente concebida na Era de Ouro dos quadrinhos, por William Moulton Marston. Vemos como é o dia a dia de Diana Prince trabalhando na ONU, mediando conflitos entre países, ajudando grupos humanitários e fazendo pronunciamentos.

O roteiro Greg Rucka consegue equilibrar perfeitamente elementos da mitologia grega, na qual o mito da própria Mulher Maravilha está fundamentado, com uma trama policial moderna. Além disso, sendo uma história da maior heroína dos quadrinhos, ele não poderia deixar de abordar questões que dizem respeito às mulheres, e o faz de maneira até madura demais para uma história em quadrinhos regular da DC. Já a arte de J. G. Jones e Von Grawbadger está excelente: sua Mulher Maravilha aparece altiva e imponente, mas também é retratada como uma mulher quase normal quando está em sua residência. Já o Batman é mostrado como uma figura sombria, com o corpo quase sempre oculto pelo manto negro, um verdadeiro vigilante das sombras.

A luta propriamente dita entre Diana e o Batman é a única coisa que deixa a desejar nesta história. Desde o início ficamos ansiosos para o embate, mas quando pensamos que ele vai começar ele já acaba. Rucka é bem sóbrio com relação à superioridade de poder da Mulher Maravilha em relação ao Cavaleiro das Trevas, que tenta derrotá-la usando mais a astúcia do que força. Mas desde o início, conforme a própria capa da HQ já entrega, ele não tem nenhuma chance contra a princesa das amazonas.

Hiketeia para mim é uma das melhores histórias da Mulher Maravilha, e sua leitura não exige nenhum conhecimento prévio das aventuras da Princesa Amazona. O roteiro é muito bem estruturado, a premissa de colocar dois heróis reverenciados pelos públicos em confronto um contra o outro não é original, porém é desenvolvida com inteligência, e o autor tem sucesso em nos revelar como a é a vida da Mulher Maravilha quando ela é Diana Prince, com fidelidade e respeito à essência humanitária da personagem, estabelecida por seus predecessores durante décadas de publicação. Bo leitura! 

Capa de Mulher Maravilha: Hiketeia