quarta-feira, 1 de março de 2017

[RESENHA] John Constantine, Hellblazer Origens - Volume 7: O Coração do Menino Morto


Como tudo que é bom um dia acaba, assim foi com a passagem do roteirista britânico Jamie Delano pela revista solo do mago mais cínico dos quadrinhos, John Constantine. Após 37 edições mensais e uma anual, chegou o momento dele ceder a cadeira para o irlandês Garth Ennis, responsável por uma das fases mais aclamadas do título. Após décadas de espera angustiante, os fãs brasileiros finalmente puderam ter em sua coleção o arco final de histórias escritas por Delano, em um encadernado em capa cartão e papel pisa brite (a nova publicação, que deverá ser lançada este ano, virá com papel LWC) lançado pela Panini Comics em 2014.

Delano conclui com chave de ouro a última saga de Hellblazer de sua autoria, e, assim como no caso de Grant Morrison em Homem Animal, com total liberdade criativa para contar a história que ele queria. Isso com certeza fez com que a qualidade do roteiro subisse a um nível bem superior ao das sagas anteriores, embora a qualidade da arte em alguns momentos prejudique um pouco a qualidade do produto final, mas deixarei para falar disso mais adiante.

Delano usa e abusa de simbolismos, artifícios metalinguísticos e referências ao ocultismo moderno, tendo como principal influência o polêmico mago e ocultista do século XIX, Aleister Crowley. Seguindo o caminho do volume anterior, o autor continua se afastando da temática sobrenatural e do horror para explorar o psicológico de John Constantine, buscando em eventos de seu passado a explicação para sua vida ser tão estranha e conturbada. No início deste volume vemos um Constantine mais amargurado, melancólico e autodestrutivo do que nunca, e motivos não faltam: desde sua estreia nas páginas do Monstro do Pântano, o anti-herói já sacrificou diversos amigos em prol de sua guerra santa contra o sobrenatural, enfrentou demônios e sociedades secretas, e até mesmo um serial killer, que o obrigou a tomar medidas extremas até mesmo para alguém como ele. Mas, com a ajuda de Marj, Mercury e a xamã Zed - que novamente cruzam o caminho do mago -, ele irá descobrir que a causa de seu tormento possui raízes muito mais profundas, remontando a um crime que ele cometeu quando ainda estava no útero da mãe!

Constantine Encara seu Destino

A cereja do bolo fica por conta da edição nº40, a qual nos apresenta uma espécie de realidade alternativa, onde um Constantine que tomou decisões totalmente diferentes na vida se tornou um poderoso e respeitado mago. O final que Delano cria para esta história é perfeito, justamente porque ele poderia ser considerado um final definitivo para as aventuras de Constantine, se a DC Comics assim o quisesse, e ao mesmo tempo deixa o destino do mago em aberto para os próximos roteiristas. Esta edição foi ilustrada por Dave McKean, artista responsável pelas primeiras capas de Hellblazer e The Sandman, além da aclamada Graphic Novel Batman: Asilo Arkham. A arte surreal de McKean não é o que se pode considerar "convencional", e geralmente costuma dividir opiniões: enquanto uns amam de paixão e defendem ferozmente seu estilo como uma forma de arte mais complexa e abstrata, outros simplesmente a detestam. Quanto à minha opinião, confesso que não sou muito fã do cara, embora, neste caso, a arte de McKean acabe sendo a melhor do encadernado, em comparação com a arte de Sean Philips, a qual está bem aquém daquilo que ela viria a se tornar futuramente; e com Steve Pugh, com sua arte suja e desleixada.

Para finalizar, este encadernado conta ainda com um interlúdio de duas edições na qual Delano faz críticas aos maus tratos aos animais (assunto que ele iria abordar mais a fundo em sua passagem pelo Homem Animal), um conto extraído de Hellblazer Secret Files e outras duas histórias isoladas que ele escreveu anos depois de sua saída - Hellblazer 84 e 250 -, sendo a primeira uma história absurda sobre a mãe do taxista Chas e um demônio em forma de macaco travesti!

Se você é fã de Constantine, não perca esta excelente oportunidade de ter em mãos não apenas este encadernado, mas todos os da fase Origens, pois é a primeira vez que este material é relançado em ordem cronológica, não apenas aqui no Brasil, mas também nos EUA. A fase de Jamie Delano, apesar de seus altos e baixos, foi a que estabeleceu os principais elementos da mitologia do anti-herói - os acontecimentos de Newcastle, a apresentação do melhor amigo de Constantine, o taxista "Chas" (inclusive este personagem foi uma homenagem de Delano à sua antiga profissão!) e da sobrinha de aquela m3r%@ de filme estrelado por Keanu Reeves e a série água com açúcar da NBC.

Boa leitura, e até Hellblazer Infernal!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

[RESENHA] Um Conto de Batman: Veneno

 

Apesar de ser um dos heróis mais conhecidos do mundo, de integrar a maior equipe de super heróis do planeta, ao lado de superseres como Superman, Mulher Maravilha e Lanterna Verde, de possuir habilidades extraordinárias no campo das artes marciais e investigação forense, além de ostentar uma grande fortuna inteligência, o Batman é apenas um ser humano, e compartilha das mesmas fraquezas e limitações das pessoas normais. Muitos roteiristas preferem ignorar este pequeno "detalhe", retratando-o como um combatente do crime perfeito, invencível e incapaz de cometer erros, e se tem algum problema que ele não consegue resolver, algum dispositivo em seu famoso cinto de utilidades é capaz de dar conta. O aclamado roteirista Dennis O'Neil, contudo, decide ir na contramão desta tendência, expondo as fraquezas do Homem Morcego e confrontando-as de maneira genial com o senso de dever férreo que norteia todas as suas ações.

Veneno (no original Venom) é uma história em 5 edições publicada na lendária Legends of the Dark Knight (publicada aqui no Brasil pela Abril como Um Conto de Batman) em 1991. Nela, O'Neil coloca Batman diante de uma situação que nenhum ser humano normal seria capaz de resolver, e sua impotência frente a este desafio acaba provocando a morte de uma criança. Completamente abalado e culpando a si mesmo pela tragédia, Batman decide experimentar uma nova droga chamada Veneno, capaz de aumentar sua força a um nível sobre-humano, ao custo de uma forte dependência. Esta não foi a primeira vez que Dennis O'Neil usou a temática das drogas em uma HQ. Na década de 70 ele e o artista Neal Adams já haviam revolucionado a indústria dos quadrinhos com a excelente Lanterna Verde/Arqueiro Verde nº 85, na qual revelava que o parceiro do Arqueiro Verde, o Ricardito, era viciado em heroína. Desta vez ele traz o tema para as páginas de uma revista do Batman, mostrando uma fase da carreira do vigilante da qual ele não se orgulha nem um pouco. Dos fãs mais novos do Cruzado de Capa, poucos já leram esta história, pois, apesar de sua inegável qualidade, ela não figura entre as mais famosas do Morcegão, justamente por ir contra a ideia do super herói perfeito e infalível.

Batman Usando Veneno

Ao longo das três primeiras edições vemos o Cavaleiro das Trevas atravessar o que eu chamo "ciclo do vício". Nos primeiros dias de uso do superesteroide, além da mudança em seu corpo - que fica mais bombado - vemos uma clara mudança no humor do Batman, que passa até a sorrir (o simples fato de ver o Batman rindo já demonstra que algo está fora do normal). No entanto, conforme o tempo vai passando, a droga começa a exercer uma influência nociva em seu comportamento, fazendo-o ficar mais  e mais violento e nublando seu raciocínio. A necessidade de consumir a substância também começa a distorcer seu senso de moral, de modo que, em alguns momentos, ele age quase como um criminoso. Para se ter uma ideia, há uma passagem em que, em troca de mais drogas, Batman é chantageado por seu fornecedor para matar o Comissário Gordon!

Por fim, e esta é a parte mais difícil e dolorosa, vem a fase do reconhecimento da dependência química, a decisão de parar de usar a droga, e a consequente crise de abstinência. Neste ponto é crucial a participação do mordomo Alfred, a figura mais próxima de um pai que Bruce possui, ilustrando a importância da família e dos amigos na recuperação do viciado. Não são raros os casos em que estes precisam tomar atitudes drásticas para impedir que o viciado caia na tentação de usar a droga, e não é diferente com Bruce Wayne: a forma que ele encontra para não usar a droga é extremamente dolorosa e traumática. Confesso que fiquei arrepiado com a cena em que ele emerge das trevas, com o cabelo e a barba enormes e desgrenhados, como se fosse um mendigo, após o período da abstinência. Esta, para mim, é a cena mias icônica desta HQ, e uma das mais chocantes de toda a história do Batman na nona arte.

Batman Decide Pedir Ajuda

Nas demais edições Batman, já livre da influência do Veneno, vai atrás dos responsáveis pela criação da droga, a fim de impedir que aconteça com outros o que aconteceu com ele. A partir daí o enredo se aproxima mais de uma história de aventura comum, com o herói seguindo o rastro dos traficantes pelo mundo, mas mantém o estilo mais sombrio e adulto que marca as aventuras do título Legends. As cenas de ação são muito bem montadas, com destaque para a sequência final, onde vemos Batman usar toda sua astúcia e sagacidade para escapar de uma armadilha semelhante à que provocou a morte da menininha. Para quem viu o filme Lego Batman, na edição nº4 é possível entender a piada sobre o tal "repelente para tubarões" que gera uma das cenas mais engraçadas do filme.

A arte desta HQ fica por conta da dupla Trevor von Eeden e Russel Braun. Seus desenhos são simples, porém competentes, sobriamente contidos dentro dos quadrinhos, dispensando o uso das splash pages, o que, diga-se de passagem, para mim não é nenhum defeito: é melhor uma arte mais contida do que um carnaval de técnicas mal empregadas. A arte das capas é assinada pelo eterno José Luis García-Lopez.

Antes de finalizar, gostaria de ressaltar uma curiosidade sobre esta HQ: ela foi a primeira do título Legends of the Dark Knights - concebida originalmente para mostrar os primeiros anos da carreira do Batman -, a ser referenciada nos títulos regulares do Cavaleiro das Trevas. A droga Veneno mostrada aqui é a mesma utilizada por Bane na megassaga A Queda do Morcego, bem como a ilha de Santa Prisca, que aparece aqui como o reduto dos traficantes, é a mesma onde o vilão nasceu e onde ele teve seu primeiro contato com a droga.

Então é isso, galera! Espero que tenham gostado desta resenha, e já deixo registrado aqui que postarei mais histórias da revista Um Conto de Batman, que para mim narram o melhor período do Homem Morcego, quando ele ainda combatia o crime como um vigilante mais sombrio e solitário, menos dependente de seus aparatos tecnológicos e de sua bat-família. Boa leitura!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

[RESENHA] Batman: O Nascimento do Demônio



Desde sua criação pelas mãos da talentosa dupla Dennis O'Neil e Neal Adams na década de 70, pouco se sabia sobre a origem do supervilão e ecoterrorista internacional Ra's al Ghul além das poucas informações colhidas aqui e ali ao longo dos anos, fruto da contribuição de diversos roteiristas, dentre os quais Mike W. Barr, autor das Graphic Novels Filho do Demônio e Noiva do Demônio. No início da década de 90 - exatos 20 anos após a estreia do personagem na revista Batman nº 232 -, a DC Comics decidiu pôr fim a este mistério, e escalou o próprio criador do vilão para nos revelar os principais acontecimentos que levaram Ra's a ser uma das maiores mentes criminosas do mundo e um dos adversários mais notáveis do Homem Morcego.

O enredo de Dennis O'Neil situa o Cavaleiro das Trevas num cenário totalmente diferente do que estamos habituados; as opressivas e claustrofóbicas ruas e becos de Gotham City dão lugar aos amplos e desolados desertos do norte da África, relembrando os primeiros encontros de Batman e Ra's Al Ghul na década de 70. A história começa mostrando um obstinado Batman indo até as últimas consequências para colocar em prática o plano definitivo para derrotar seu mais brilhante adversário, e, para que possa alcançar este objetivo, ele investe uma grande quantia de sua fortuna para descobrir a verdadeira história de Ra's al Ghul. É neste momento que entra em cena Talia, uma mulher dividida entre o amor que sente pelo Cruzado de Capa e a lealdade ao pai. Nesta história ela serve como o elemento narrativo responsável por transportar o leitor para o passado, na época das Cruzadas, até um reino atualmente esquecido onde vivia um prodigioso médico cujo maior objetivo era vencer a Morte. Ele consegue realizar seu objetivo ao estudar as miraculosas propriedades de um banho químico, mas esta vitória lhe custa aquilo que ele mais amava.


O Poço de Lázaro

Dennis O'Neil nos entrega uma história de origem completa, amarrando todas as pontas soltas deixadas por ele mesmo e diversos outros escritores ao longo das décadas sobre a história desde importante vilão do Universo DC. Indo desde a explicação para o nome escolhido por ele, até os mistérios que pairam sobre a natureza mística/científica do Poço de Lázaro, não há pergunta que não seja respondida. O verdadeiro foco deste conto, porém, é dissecar todos os eventos que contribuíram para a transformação de um homem comum no líder da maior organização terrorista da Terra. Ao longo das páginas acompanhamos a transformação do médico bom e piedoso, que utiliza seus conhecimentos científicos para aliviar a dor do povo oprimido, em um líder cruel e insensível, capaz de utilizar estes mesmos conhecimentos para forjar a primeira arma biológica de que se tem notícia. O catalisador para esta transformação, assim como foi no caso do Batman, é a perda de um ente querido, mas no caso de Ra's al Ghul a dor da perda removeu de sua alma praticamente todo o traço de humanidade, haja vista a cena em que ele ordena a destruição de toda uma civilização - não apenas de seus edifícios e pessoas, mas de toda e qualquer lembrança e registro histórico de que aquele povo um dia existiu. É como se o Batman, por causa do assassinato de seus pais, resolvesse extirpar o crime de Gotham varrendo a cidade do mapa.

A relação antagônica entre Ra's al Ghul e Batman também é trabalhada neste roteiro; desde o início, o grande confronto entre o Cabeça do Demônio e o Detetive, que é o clímax desta Graphic Novel, é antecipada e até mesmo prevista nos sonhos e visões que Ra's tem sempre que está próximo a um dos lugares sagrados onde são escavados os Poços. Ele julga a criatura monstruosa, coincidentemente parecida com um Morcego, como a personificação de sua morte, a grande inimiga que é o objetivo de sua vida derrotar. Não é por acaso que a "última" batalha entre ele e o Detetive seja travada diante de um Poço de Lázaro.

Batman vs. Ra's al Ghul

Como não é só de um excelente roteiro que se faz uma Graphic Novel de qualidade, o que mais chama atenção neste conto é a arte empregada por Norm Breyfogle, toda feita em tinta, que nos presenteia com a história mais "colorida" do Homem Morcego. Suas cores vivas e vibrantes, repletas de vermelhos, laranjas e verdes, quase nos fazem sentir o calor escaldante dos desertos da terra natal de Ra's e o fedor dos tóxicos utilizados no Poço de Lázaro.

Esta é uma obra que realmente vale a pena ler, principalmente para aqueles que querem conhecer mais sobre este que é um dos principais vilões do Universo do Morcego da atualidade. Nos últimos anos pudemos ver a popularidade de Ra's al Ghul crescer exponencialmente devido a ele ter sido escolhido como o principal vilão do filme Batman Begins - o primeiro da "Trilogia Nolan" -, e também por participações nos jogos da franquia Arkham e nas animações da Warner. Esta HQ ajuda a estabelecer as principais bases que constituem o entendimento das ações e motivações de Ra's al Ghul em todas essas mídias, tendo em vista que em todas estas adaptações sua essência têm permanecido a mesma. O Nascimento do Demônio fecha um conjunto de três histórias intitulada "Trilogia do Demônio", e aqui no Brasil ela foi publicada, juntamente com os outros dois volumes, nas edições de número 15 e 16 da coleção de Graphic Novels da Eaglemoss, em formato de luxo. Boa Leitura!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Minhas Coleções - Batman Universe: Vilões II


Na postagem anterior apresentei uma parte muito querida da minha coleção de miniaturas de chumbo: os vilões clássicos do Batman. Eles são denominados assim tanto por terem sido os primeiros vilões criados para desafiar o Cavaleiro das Trevas, além de serem mais conhecidos do público em geral, em grande parte graças a participações nas diversas adaptações cinematográficas e à famigerada série de TV da década de 60.

Com mais de 75 anos de existência, o Universo do Batman continua em franca expansão. Enquanto alguns autores preferem se apegar aos vilões antigos, outros decidem navegar em águas desconhecidas, apresentando novos vilões ao público. Alguns desses vilões são completamente descartáveis, porém outros rapidamente amealham uma legião de fãs e conquistam o direito de integrar a famosa Galeria de Vilões do Batman. Foi o que aconteceu com Bane e Arlequina, na década de 90, e Silêncio, nos anos 2000.

Nesta postagem irei apresentar alguns vilões mais desconhecidos do público em geral, e falar sobre as características de suas miniaturas, já que o foco aqui é, mais do que falar sobre os vilões, apresentar minhas miniaturas e fazer uma avaliação das mesmas. Também deixei para o final as miniaturas especiais, chamadas assim devido ao preço  tamanho e peso diferenciados. Vamos lá!


Arlequina

Se na postagem anterior eu comecei a apresentação dos vilões pelo Coringa, começarei esta falando de sua psicótica parceira de crimes. A Drª Harleen Quinzel era uma médica psiquiatra do Asilo Arkham responsável pelo tratamento do Coringa, mas ela acabou se apaixonando pelo paciente e foi corrompida pela loucura dele. Ela vestiu um uniforme de Arlequim (um personagem em roupas coloridas responsável por animar a plateia nos intervalos de espetáculos teatrais da Itália) e assumiu a identidade de Arlequina (em inglês Harley Quinn, como um trocadilho misturando seu nome verdadeiro e a palavra Harlequin). No entanto, não se engane pensando que os dois vivem uma bela história de amor e crime como a famosa dupla Bonnie e Clyde; sendo maligno por natureza, o Coringa não seria capaz de amar ninguém; ele apenas a usa para atingir seus objetivos, e não pensa duas vezes em descartá-la. Sua relação é pautada por abusos e agressões, tanto que a Arlequina já deixou de trabalhar com o Coringa para se unir à Hera Venenosa e à Mulher Gato na minissérie Sereias de Gotham, bem como passou a fazer parte do supergrupo Força-Tarefa X, mais conhecido como o Esquadrão Suicida.

A miniatura da Arlequina está bem legal, retratando-a com o uniforme original no qual ela apareceu pela primeira vez, ao invés das poucas vestimentas mais modernas que ela usa atualmente, embora ainda mantendo as cores originais. Ela a aparece segurando uma pistola exagerada que ela costuma usar em seus crimes, mas confesso que preferiria a boa e velha marreta.


Pistoleiro

Embora comumente associado ao Esquadrão Suicida, Floyd Lawton, o Pistoleiro, foi criado para ser um vilão do Batman. Ele é um assassino de aluguel, comumente contratado por vilões desejando eliminar seus rivais ou como guarda-costas, e possui uma habilidade impressionante com armas de fogo. Quando ele aceita um contrato, seu alvo pode se considerar um homem orto, pois ele não tem o costume de errar. Em certa ocasião, Batman só conseguiu impedi-lo de matar uma vítima impedindo-o de receber o pagamento pela morte. Sem grana, sem morte!

A miniatura do Pistoleiro retrata o vilão em seu uniforme clássico, com as pistolas especialmente adaptadas em seus punhos. Ela apresenta umas pequenas falhas de pintura, mas nada muito grosseiro ou que comprometa a qualidade da peça.


Chapeleiro Louco

Jarvis Tech era um talentoso cientista que desenvolveu um dispositivo capaz de controlar a mente das pessoas. Ele sofre de esquizofrenia e transtornos obsessivo-compulsivos, e é obcecado pela história infantil Alice no País das Maravilhas, motivo pelo qual se disfarça como o famoso personagem do conto, o Chapeleito Louco. Já foi sugerido em algumas histórias que ele é pedófilo: ele rapta crianças e as obriga a representarem a famosa Festa do Chá do Chapeleiro Louco. Uma de suas vítimas foi Barbara Gordon, a filha do Comissário Gordon, mas o Batman conseguiu resgatá-a antes que algo "pior" acontecesse.

A miniatura do Chapeleiro o retrata como nos quadrinhos, um homem com corpo mal desenvolvido, como um adulto em corpo de criança, vestido com o famoso sobretudo verde, gravata borboleta e a inseparável cartola. No entanto, a miniatura originalmente foi concebida com uma falha: o cartão que ele exibe na cartola, com os dizeres In This Stile 10/6 (muita gente não sabe o que significa estes dizeres; na verdade eles indicam apenas o preço do chapéu!) na miniatura não passa de um borrão branco muito mal pintado. Eu tive que improvisar com plástico tipo de cartão de crédito para fazer um cartão semelhante ao dos quadrinhos, e colei a peça com superbonder na cartola do boneco. O resultado, como podem ver, não ficou lá muito ruim, pelo contrário, ficou melhor do que o original, só lamento não ter podido escrever os famosos dizeres, com medo de estragar a peça. Mas tirando este detalhe a miniatura é bem fiel ao personagem.


Ventríloquo

Arnold Wesker é um senhor tímido, passivo e até mesmo inseguro, que tem o sonho de levar a alegria às pessoas usando sua habilidade de projetar a voz, a ventriloquia. No entanto, ele sofre com transtorno dissociativo de identidade, que é um termo pomposo para dupla personalidade. Sua outra personalidade é totalmente o oposto da primeira. Inescrupulosa, fria e violenta, ela se manifesta da maneira mais estranha: através de um boneco, que ele batizou de Scarface, em homenagem ao mafioso da década de 20: Al Capone. O boneco é a perfeita encarnação do gângster, com direito a chapéu, terno e uma metralhadora Tommy, além da própria cicatriz, é claro. O mais interessante deste personagem é a própria ironia da relação entre o Ventríloquo e seu boneco: seria o homem que controla o boneco, ou o boneco controla o homem? Alumas histórias já sugeriram, inclusive, uma natureza sobrenatural para o boneco, que teria sido construído a partir da madeira de uma forca da penitenciária Blackgate, na qual estariam aprisionadas as almas dos 313 criminosos enforcados nela.

A miniatura do Ventríloquo também é uma das minhas preferidas: ela traz Arnold vestido com um terno de gala, que ele usaria em uma apresentação de ventriloquismo, enquanto carrega nos braços o pequeno Scarface, completamente trajado de gângster e com a metralhadora Tommy apontada para o "público".


Ra's al Ghul

Ra's al Ghul é um dos maiores adversários do Batman. Nascido nos desertos do Oriente Médio há 600 anos, ele descobriu uma forma de prolongar sua vida muito além do tempo normal mergulhando seu corpo nos Poços de Lázaro. Tendo vivido tantos anos, ele testemunhou todos os males que a raça humana causou ao planeta Terra em sua jornada rumo ao progresso, como o aquecimento global, a poluição dos oceanos e a extinção de centenas de espécies animais. Sendo um amante da Natureza, ele tomou para si a responsabilidade de salvar o planeta das mãos do homem. Para tanto, ele visa provocar uma redução drástica da população humana, de modo que ele se torne o novo guia e governante daqueles que restarem. Ele já tentou fazer isso de diversas formas: através de catástrofes climáticas, espalhando vírus mortais na atmosfera, ou provocando conflitos entre nações, mas sempre foi impedido por Batman e seus aliados.

Embora o Poço de Lázaro possa mantê-lo vivo por tempo indefinido, Ra's al Ghul não pretende viver para sempre; ele busca um herdeiro, alguém para continuar sua nobre tarefa, e, por incrível que pareça, a pessoa que ele considera mais apta para o trabalho é ninguém menos que o Batman. É claro que o Detetive de Gotham sempre recusou a oferta de Ra's, por não concordar com seus métodos genocidas e tirânicos.

A miniatura de Ra's al Ghul retrata o personagem no auge de sua forma física, como se tivesse acabado de sair de um Poço de Lázaro, e vestido com o manto verde e dourado que é característico de sua posição de liderança dentro da Liga dos Assassinos. Também se destacam a coloração morena de sua pele e suas feições orientais, que torna sua etnia difícil de identificar, como foi proposto pelos criadores do personagem, Dennis O'Neil e Neal Adams.


Silêncio

Silêncio é um dos vilões mais recentes da galeria de vilões do Batman. Ele costuma atacar o Cruzado de Capa a partir das sombras, manipulando seus inimigos e aliados para atingi-lo aonde dói mais. Ao contrário dos outros vilões, sua rixa é com o próprio Batman, mais especificamente com Bruce Wayne. Thomas "Tommy" Elliot, antigo e único amigo de infância de Bruce, era constantemente abusado pelo pai - enquanto a mãe não fazia nada -, e por isso tentou provocar a morte dos próprios pais, mas o pai de Bruce, que era médico, conseguiu salvar a mãe de Thomas. O garoto foi então obrigado a passar grande parte de sua vida tomando conta da megera e ficou impossibilitado de colocar as mãos na fortuna da família. Sentindo inveja de Bruce, que ficou órfão e não precisou passar por nada do que ele passou, e determinado roubar a vida do ex-amigo a qualquer custo, Silêncio realizou dezenas de cirurgias plásticas em seu próprio rosto para se parecer co Bruce, e chegou a substitui-lo por um tempo, até ser descoberto pelo mordomo dos Wayne, Alfred Pennyworth. 

A miniatura do Silêncio está bem fiel ao personagem, retratando-o da forma que ele apareceu na minissérie de Tim Loeb e Jim Lee, com o sobretudo bege, as bandagens no rosto e as duas pistolas.


Crododilo

Waylon Jones nasceu com uma rara doença cutânea que o faz parecer com um crocodilo, motivo pelo qual desde criança serviu como atração de circo. Já adulto, ele entrou para o mundo do crime e se tornou o Crocodilo. Conforme o tempo passou o monstro que ele era por fora dominou completamente a sua personalidade, de modo que ele começou a viver como um crocodilo de verdade, habitando os esgotos de Gotham e passando a praticar canibalismo. Sua condição física e mental piorou ainda mais quando o vilão Silêncio ministrou um tratamento genético que fez com que ele se tornasse um monstro descontrolado. 

Esta é a primeira das chamadas miniaturas especiais da coleção da Eaglemoss dentro do contexto dos vilões do Batman. Embora não seja maior que as demais no quesito altura, sua base possui quase o dobro do diâmetro e e ela é bem mais pesada. É uma miniatura muito bem feita e repleta de detalhes, como as protuberâncias ósseas nas costas da criatura e em seus cotovelos. Os desenvolvedores da coleção optaram por representá-lo em sua forma mais monstruosa, ao invés daquela em que os traços humanos são mais dominantes. Apesar de preferir esta última, achei que o resultado final ficou muito bom, e vale a pena ter esta miniatura na coleção. Atualmente as miniatura especiais não são feitas mais com chumbo, e sim resina metálica, o que faz a miniatura ficar bem mais leve, embora se perca um pouco de qualidade.   


Bane

Bane é um vilão que conseguiu fazer o que nenhum outro já havia feito: quebrar o Morcego, tanto física como psicologicamente. Ele nasceu na ilha caribenha de Santa Prisca, onde seu pai tentou tomar o poder numa revolta fracassada. Sendo punido pelos crimes do pai, Bane foi enviado para a prisão de segurança máxima Peña Dura ainda um bebê. Conforme crescia, Bane decidiu gastar seu tempo livre lendo o maior número possível de livros e aperfeiçoando seu corpo através pra prática exaustiva de exercícios e artes marciais. Ainda na prisão, ele foi submetido a um experimento do exército para criar supersoldados e foi injetado com a droga Veneno, que aumenta a força do usuário. Após escapar da prisão com seus associados, Bane decidiu se tornar o senhor do crime em Gotham, e para isso bolou um plano para derrotar o protetor da cidade, o vigilante Batman. Ele libertou todos os vilões que o Batman havia prendido no Arkham, forçando o herói a gastar todas a suas energias para recapturá-los; quando Batman estava completamente exausto, Bane o enfrentou no auge do seu poder e quebrou a coluna do Morcego, que foi obrigado a abandonar a carreira de combatente do crime por um tempo.  É claro que Batman acabou se recuperando e se vingando de Bane, que voltaria a atormentá-lo em outras ocasiões. 

A miniatura de Bane também faz parte das especiais, e mostra o vilão segurando o manto e o capuz do Batman, simbolizando seu triunfo sobre o Cavaleiro das Trevas. Esta miniatura tem vários detalhes, como as veias saltadas nos poderosos músculos do vilão, devido à injeção de Veneno em seu sistema. Contudo, a miniatura foi concebida com um defeito: a máscara do vilão está errada! Ela foi pintada toda de preto, omitindo os detalhes brancos em volta dos olhos e na boca, o que descaracterizou a parte mais importante de seu uniforme de lutador de lucha livre. Tive que pintar estes detalhes eu mesmo, usando tinta acrílica branca. 

Cara de Barro

Este é um vilão que já teve não apenas um, mas vários alter-egos. O primeiro foi Basil Karlo, um ator que enlouqueceu após descobrir que seria substituído e, usando a máscara do monstro do filme, o Cara de Barro, assassinou toda a equipe de produção. Anos mais tarde surgiu Matt Hagen, que, após entrar em contato com uma substância misteriosa se transformou em uma criatura feita de lama, capaz de assumir a forma quem ele desejar, além de poder transformar partes de seu corpo em armas afiadas. Outras pessoas também adquiriam estes poderes, como Preston Payne e Sondra Fullerr. Mais tarde, Basil Karlo retornou e, injetando-se com o DNA dos Caras de Barro anteriores, se tornou ele mesmo também um monstro. 

A miniatura especial do Cara de Barro faz jus à categoria em que está inserida, devido ao tamanho: é bem maior que as miniaturas convencionais, só não é mais pesada porque o modelo que eu tenho é de resina metálica. Esta miniatura retrata o vilão em toda a sua monstruosidade, com partes de seu rosto e braços literalmente escorrendo, como se fossem de fato feitas de lama. Detalhe para os contornos de rostos desesperados aparecendo em suas costas, provavelmente de inocentes que ele aprisionou dentro de seu corpo de lama. 


Solomon Grundy

Embora seja originalmente um inimigo da Sociedade da Justiça da América original, eu considero Solomon Grundy um vilão do Batman por dois motivos: seu surgimento se deu nos arredores de Gotham, e ele já enfrentou o Cavaleiro das Trevas inúmeras vezes. Ele era originalmente um mercador chamado Cyrus Gold, que foi assassinado e desovado num pântano nas cercanias de Gotham. Por algum motivo que só viria a ser revelado mais tarde - ele era uma tentativa falha de se produzir um avatar do Verde, como o Monstro do Pântano -, Cyrus voltou à vida como uma espécie de zumbi superpoderoso, e recebeu a alcunha de Solomon Grundy, graças ao poema inglês homônimo

A miniatura de Solomon Grundy é uma da maiores da coleção, e a versão de chumbo é bem pesada também. Retrata a criatura de pele mortiça vestindo trapos, numa posição de ataque. As vestes envelhecidas e rasgadas estão muito bem esculpidas e pintadas.

Morcego Humano

Robert Langstrom era um cientista especializado em morcegos, que queria criar um supersoro capaz de dar ao homem as qualidades dessas criaturas, como audição apurada e capacidade de voar. Mas algo deu errado e ele acabou se transformando uma criatura híbrida humano-morcego, e causou muitos problemas em Gotham. 

A miniatura do Morcego Humano que eu tenho é de resina, e o detalhe é que sua coloração após a mudança de chumbo para resina também mudou, saindo do cinza escuro, que ressaltava a aparência monstruosa da criatura, para um marrom avermelhado. Tirando este "pequeno" detalhe a miniatura é bem esculpida, retratando a criatura de forma fiel à sua contraparte dos quadrinhos. 

Então é isso, pessoal! Espero que tenham gostado da postagem. Minha coleção ainda não acabou, e espero poder mostrar mais miniaturas e carrinhos que eu coleciono aqui no Gotham. Até a próxima!