quinta-feira, 1 de setembro de 2016

[RESENHA] Sandman - Arco IV: Estação das Brumas


A ideia de que existe um lugar para onde são mandadas as almas dos pecadores após a morte para serem punidos não é exclusividade do cristianismo; os gregos já acreditavam na existência do Tártaro, o mundo dos mortos governado por Hades, e na mitologia nórdica havia o Helheim, similar ao Tártaro e governado pela deusa Hel (aliás, a palavra em inglês para inferno, Hell, tem sua origem na deusa nórdica). Faço esta tenebrosa introdução porque é justamente este lugar que é tão temido por milhões de pessoas ao redor do mundo o objeto de disputa entre deuses e demônios na fabulosa Estação das Brumas, quarto arco de histórias de Sandman, do britânico Neil Gaiman.

Nesta história, o maioral do inferno, chamado Lúcifer, a Estrela da Manhã, decide abdicar de seu posto, e não somente isso: ele dispensa todos os seus súditos demoníacos e manda as almas dos pecadores se mandarem do inferno para qualquer lugar que desejarem. Já dá pra imaginar a confusão de proporções bíblicas que tal atitude causa, não é mesmo?

Os Perpétuos

Mas o que levaria o Estrela da Manhã a tomar uma decisão tão radical? É aí que entra Morfeu dos Perpétuos. Se você pegou o bonde andando e não sabe quem são os Perpétuos, clique aqui para ler minha resenha sobre o primeiro arco de histórias de Sandman. Para resumir, os Perpétuos são uma raça de seres superiores aos próprios deuses, os quais encarnam conceitos metafísicos abstratos referentes à natureza humana: Destino, Morte, Sonho, Desejo, Desespero, Delírio e Destruição. Sandman acompanha as histórias de Sonho, que também é chamado muitas vezes de Morfeu, Devaneio, Moldador, Oneiros ou Kai'ckul.

Tudo começa em uma reunião dos Perpétuos na casa de seu irmão mais velho, o Destino. Todos estão presentes, exceto Destruição, cujo paradeiro é desconhecido. Se entre nós, meros mortais, quando fazemos aquelas reuniões de família não é difícil haver um "pega pra capar", imagine uma reunião entre os membros da família mais antiga do mundo! Desejo mais uma vez age como uma pedra no sapato de Morfeu, e aproveita a ocasião para jogar na cara do irmão uma atitude que ele tomara durante os anos em que ele ainda era um Perpétuo orgulhoso e cruel.

Milênios atrás ele tivera um caso com uma humana chamada Nada, mas, ao ser recusado pela mulher, só de raiva condenou sua alma a uma eternidade de sofrimento no inferno. Após se aconselhar com sua irmã mais chegada, a Morte, Morfeu reconhece seu erro e decide resgatar Nada do inferno, mesmo sabendo que precisará comprar uma briga com o chefão do mundo inferior. Acontece que Lúcifer já vinha meio pau da vida com Sonho devido à batalha que este vencera quando fora ao inferno recuperar seu elmo, e desta vez está decidido a se vingar de uma vez por todas do orgulhoso Perpétuo, e da forma mais improvável possível.

Morfeu Confronta Lúcifer

Imagine o espanto de Morfeu (e do próprio leitor, o tempo todo levado a acreditar que irá testemunhar uma grande batalha pela alma de Nada) ao chegar ao inferno e encontrá-lo vazio. Ao invés de confrontar diretamente seu inimigo, Lúcifer decide presenteá-lo com algo que só irá lhe trazer mais dor de cabeça: a chave do próprio inferno. Considero este capítulo um dos melhores de toda a série, e talvez até dos quadrinhos. Gaiman, conhecido por utilizar conceitos filosóficos e muitas referências históricas em suas narrativas, sempre dotadas de grande profundidade e significado, o faz com com maestria nesta obra. O diálogo entre Morfeu e Lúcifer em um inferno completamente desolado é memorável: o autor aproveita a ocasião para falar sobre religião, o conceito de céu e inferno, punição e livre-arbítrio.

Deste diálogo, é possível perceber que o autor procura passar a ideia de que o ser humano é responsável direto por todas as suas ações, sejam elas boas ou ruins, mas que se recusa, na maior parte das vezes, a assumir tal responsabilidade. Então ele cria a ideia do diabo, um ser invisível e intangível que é a personificação de toda maldade do mundo, de todos os atos pérfidos e condenáveis que uma pessoa pode cometer, alguém que pode levar a culpa sempre que o ser humano tropeça. A própria fábula da criação, narrada em Gênese, apresenta o diabo como o tentador, alguém que induz o ser humano pecar e cair em desgraça perante o Criador. E se existe um diabo, é necessário que exista um inferno, um lugar onde os pecadores devem ser punidos. O mais incrível de tudo é que o diabo não pune os humanos porque quer, ou porque seja seu dever: os próprios pecadores, ao serem enviados para o inferno, pedem para si mesmos a punição, numa espécie de ódio auto-infligido que beira o masoquismo. Na verdade, o catalisador para este ódio é a culpa, o remorso. Em várias religiões do mundo vemos exemplos de pessoas que, uma vez tendo sucumbido aos desejos do corpo (ou até mesmo só pensado em sucumbir), infligem terríveis castigos físicos a si mesmos.

Um exemplo interessante disso na história é quando Lúcifer está terminando de esvaziar o inferno, e se depara com a alma de um homem chamado Breschau da Livônia, o qual, em seu tempo, teria cometido as mais terríveis atrocidades, e que se recusa a deixar o seu castigo, acreditando que seu pecado é grande demais. A resposta de Lúcifer explica tudo:

"Mas hoje ninguém mais se lembra de você. Ninguém. Eu duvido que um mortal vivo em cem mil possa até mesmo indicar no mapa onde ficava a Livônia. O mundo esqueceu você."


Morfeu Recebe os Demandantes

Morfeu, já sendo soberano do Sonhar, o estranho mundo para onde vamos quando sonhamos, não tem muita utilidade para o inferno, de modo que não sabe o que fazer com essa "batata quente" que lhe caiu nas mãos. No entanto, os antigos domínios de Lúcifer são objeto de desejo de praticamente toda divindade para a qual a humanidade já prestou culto: deuses egípcios, nórdicos, japoneses, representantes da Ordem e do Caos, anjos celestiais e até mesmo alguns demônios descontentes com o fechamento do inferno. Todos eles estão de olho grande no presente de Morfeu, e decidem infernizar a vida do Perpétuo para obterem o objeto de sua cobiça. Assim começa um instigante jogo de negociações, onde Morfeu recebe várias ofertas, é bajulado e até mesmo ameaçado para entregar as chaves do inferno.

Particularmente interessante é a forma como o autor descreve essas divindades. O deus do trovão Thor é retratado como o exímio machão: alto, musculoso, ignorante e sexista, porém sua arma, pela qual é tão famoso e sobre cujo poder tanto alardeia, revela-se um martelinho mixuruca, como aqueles homens que estão sempre exaltando suas qualidades másculas apenas para disfarçar a falta destas. O enviado dos Lordes da Ordem possui a forma de uma caixa de papelão(!) - objeto muitas vezes associado à ideia de organização - carregada por um monge, e o emissário do Caos não passa de uma criancinha (quem nunca viu o caos que uma criança largada sozinha em casa pode fazer talvez não irá entender esta metáfora). O que eu achei mais interessante, contudo, foi o deus nipônico, que encarna a curiosa característica do povo japonês de absorver elementos de culturas estrangeiras e adaptá-los à sua própria cultura; neste caso, Susano-o-no-Mitoko planeja se apossar o inferno e pretende pagar o que for preciso para obtê-lo.

Morfeu e Azazel

Morfeu escuta pacientemente as demandas de todos esses deuses e entidades, os quais ele fez questão de convidar para seu castelo no Sonhar. Quem acaba dando mais trabalho são os antigos demônios, liderados por Azazel, uma estranha criatura disforme que possui inúmeras bocas. O problema é que eles possuem a custódia de Nada, que foi justamente o estopim dos problemas de Morfeu, e oferecem a liberdade da moça em troca do inferno.

ATENÇÃO, SPOILER ALERT!!!! SE NÃO QUISER SABER O FINAL DA HISTÓRIA, NÃO PASSE DESTE PONTO!

Você deve estar se perguntando então qual foi a decisão de Morfeu.  É aí que entra em ação a genialidade de Neil Gaiman. Morfeu acaba entregando a chave do inferno para os anjos enviados pelo Criador, após ouvir uma mensagem do Próprio! Acontece que, como o inferno é o oposto do Paraíso, uma "sombra" ou um "reflexo" deste, é preciso que exista um inferno, que exista punição, para que o paraíso faça sentido! Como que as almas dos santinhos iriam se sentir "recompensadas" se os pecadores não tivessem seu justo castigo? No entanto, desta vez o inferno deverá ser administrado diretamente pelo Céu, e Deus designa os dois anjos que enviara para o castelo de Morfeu para serem os administradores do inferno. Um deles não aceita a decisão divina, achando-se ultrajado, rejeitado, e sem perceber, acaba se rebelando como Lúcifer; o Criador não dá ponto sem nó, e, além de conseguir de volta o inferno ainda fabricou seu novo diabo. Quanto à Nada, Morfeu consegue recuperar sua antiga amada, derrotando o demônio Azazel até com certa facilidade. Quanto às outras divindades, todos acabam aceitando a decisão de Morfeu e partindo.

Por fim, Neil Gaiman ainda nos apresenta a história de um menino chamado Charles Rowland, preso em um colégio interno durante as férias, devido a seu pai estar fora de casa em viagem. É quando os fantasmas de antigos alunos e professores começam a retornar para a velha escola (lembre-se que as almas que povoavam o inferno foram liberadas para irem aonde quisessem) e atormentar a vida do menino, até que ele acaba encontrando seu próprio destino. Tal história serve à narrativa principal para mostrar as consequências do fechamento do inferno e da liberação das almas que antes o povoavam.

Lúcifer Aposentado

Há pouco o que falar a respeito da arte. Kelley Jones ilustra a maior parte dos capítulos da saga, com Mike Drinkenberg desenhando o prólogo e o epílogo. Ambos são desenhistas razoáveis, embora eu prefira a arte de Jones. Já o capítulo sobre Charles Rowland é desenhado por Matt Wagner, cuja arte é bem fraquinha.

Trata-se de uma obra impressionante justamente por seu conteúdo. Neil Gaiman nos entrega a melhor saga de Sandman até então, com um roteiro adulto e bem estruturado, recheado de temas que remetem à religião e mitologia, os quais ele voltaria a abordar em diversos romances, como Deuses Americanos e Mitologia Nórdica. Além disso, conhecemos melhor os Perpétuos - aqui temos um primeiro vislumbre de Destino e Delírio, os quais ainda não havíamos conhecido, e descobrimos sobre o sumiço de Destruição. O final da obra também é tocante, com a reencarnação de Nada, e têm uma ponta de humor com a astúcia de Loki, que consegue escapar do aprisionamento, trocando de lugar com uma certa divindade. Mas a cereja do bolo é mesmo ver Lúcifer, agora como um mortal, admirar um pôr do sol em uma praia na Austrália, curtindo a sua "aposentadoria".

A Estação das Brumas é uma das histórias que compõem o segundo volume de Sandman - Edição Definitiva, o qual reúne nada mais do que 620 páginas em papel couchê num encadernado com capa dura e ótimo acabamento, publicado pela Panini Books e vendido nas principais lojas especializadas em quadrinhos.

Boa leitura!

Capa de Sandman - Edição Definitiva Vol. 2

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

MINHAS COLEÇÕES #1

O Gotham Vertiginosa orgulhosamente apresenta: MINHA COLEÇÃO DE MINIATURAS DE CHUMBO DC DA EAGLEMOSS!!!!!

Minha coleção

Em 2013 a empresa Eaglemoss lançou aqui no Brasil uma coleção de miniaturas de chumbo dos personagens de quadrinhos da DC Comics. A coleção de miniaturas da Marvel já era um sucesso, mas ao contrário desta última, a da DC já vinha com os principais personagens logo no começo da coleção: Batman, Superman, Coringa, Lanterna Verde, Flash... não resisti! Assinei durante um ano, recebendo um total de 26 miniaturas, porém quando se trata de coleções muito grandes (e eu já havia aprendido a lição com a coleção de naves Star Wars da DeAgostini) sempre tem uma gama de itens menos interessantes que você é obrigado a adquirir para ter os que realmente quer. Assim, não renovei a coleção, e fui adquirindo apenas as que me interessavam mais, via Mercado Livre, Ebay, bancas de jornal e, mais recentemente, através do próprio site da Eaglemoss, que também comercializa as miniaturas individualmente, de acordo com a disponibilidade.

Dentre as dezenas de miniaturas que integram minha coleção, decidi começar por um grupo de personagens que, digamos, não é lá muito conhecido pelo público em geral, embora recentemente a DC Comics tenha anunciado sua mais nova animação: Justice League Dark, e também existam planos para um filme em live action da Liga da Justiça Sombria. Tais personagens têm uma característica em comum: seus poderes são baseados em magia, e, ao contrário da Liga da Justiça original, eles combatem inimigos sobrenaturais, muitos deles oriundos do além.Vamos conhece-los!

O Monstro do Pântano

Começamos com o Monstro do Pântano. Na coleção da Eaglemoss, esta peça integra o conjunto de miniaturas especiais, que se diferenciam das demais pelo tamanho, basicamente. No começo essas miniaturas eram de chumbo, mas recentemente começaram a ser produzidas em resina metálica, que é muito mais leve. Houveram muitas reclamações com relação à qualidade, mas desta peça em específico não tenho nada a reclamar. Está muito bonita e fiel ao personagem, até mesmo os tubérculos que nascem nas costas do personagem, que nas histórias agem como poderosos alucinógenos, estão lá, conforme pode ser visto na foto abaixo.

Monstro do Pântano - Costas

Quanto ao personagem propriamente dito, não há muito sobre o que falar que já não tenha dito muito aqui no blog. Para quem quiser conhecer mais da história dele clique aqui e aqui.

Constantine

Uma das últimas miniaturas da coleção, o lançamento da miniatura do Constantine ainda está um pouco distante aqui no Brasil, mas como não gosto de esperar, a adquiri (infelizmente, por um preço mais caro) no Mercado Livre. Esta miniatura capturou a essência do personagem: o visual clássico, com o capote bege surrado, e até mesmo o cigarro. A camisa branca está manchada com uns respingos de sangue, provavelmente de algum ritual que não deu certo. Trata-se de outro personagem sobre o qual eu já falei bastante aqui no Gotham, e se você ainda não viu pode conferir clicando aqui e aqui.

Etrigan, o Demônio

Meu primeiro contato com Etrigan foi no desenho da Liga da Justiça, quando ainda passava no SBT, nos episódios 20 e 21: Um Cavaleiro das Sombras. Etrigan é um demônio que foi trancafiado no corpo de um homem chamado Jason Blood pelo seu irmão Merlin, na época do Rei Artur. Apesar de não ser um cara "do bem", Etrigan muitas vezes se alia aos heróis da DC quando algum grande mal ameaça a Terra. Quando ele precisa tomar o lugar de Jason Blood, o misterioso demonologista de Gotham precisa proferir o seguinte poema:

"Transforma-te, homem, transforma-te! Abandone as impurezas da carne, Pois no peito de fogo o coração arde! Abandone a forma humana, vilã! Erga-se o demônio Etrigan!"

Esta miniatura também integra o grupo de miniaturas especiais, feitas de resina metálica. Na minha opinião ela também encerrou bem as características monstruosas do personagem, que exibe claramente sua natureza demoníaca.

Vingador Fantasma

O Vingador Fantasma é um dos personagens mais misteriosos do Universo DC. Sua origem até hoje não foi explicada com clareza: seria ele um homem normal ou um espírito? Um anjo que não se aliou a Lúcifer nem ao Céu? Ou um cientista do futuro que observou a origem do Universo? Ou seria Judas Iscariotes, como mostrado na saga pós reboot Novos 52. Enfim, tudo que sei é que ele age mais como um observador durante os grandes eventos da editora, não assumindo um papel muito ativo, emba aparente possuir grandes poderes.

Senhor Destino

Senhor Destino é uma identidade usada por vários personagens: Kent Nelson, Eric Strauss e Hector Hall. Seus poderes vêm do elmo de Nabu, que pertencera a Nabu, um Lorde da Ordem. Os Lordes da Ordem pertencem a uma raça de seres muito antigos e místicos que combatem os Lordes do Caos. Os Lordes da Ordem controlam os Agentes da Ordem, conferindo-lhes grandes poderes mágicos. O Senhor Destino é um destes Agentes da Ordem, e integra a famosa Sociedade da Justiça da América.

Desafiador

O Desafiador é o fantasma do acrobata Boston Brand, assassinado por um misterioso homem que usava um gancho na mão. A entidade hindu Rama Kushina lhe deu a chance de vagar pela Terra em busca de seu assassino, até vingar sua morte. Como um fantasma, ele não pode ser visto pela maioria das pessoas, exceto por aqueles com dons sobrenaturais, e possui a habilidade de possuir corpos. Já apareceu várias vezes nas histórias do Monstro do Pântano, onde era visto ajudando as almas dos mortos a passarem para o além. Ele estava presente quando o Monstro do Pântano encontrou a alma de Alec Holland, quem ele pensava ser antes de descobrir que era um vegetal com as memórias de Holland.

A Tumba de Boston Brand

A miniatura do Desafiador é bastante interessante. Ele está de pé sobre o túmulo quebrado de Boston Brand, indicando que ele não está morto. Mas há uma pequena falha nesta miniatura: a letra D no peito do personagem não está pintada de branco, mas de vermelho, e mal pode ser notada. É uma falha não só da minha miniatura, mas de todas deste personagem; provavelmente um erro da editora, que escapou aos olhos dos licenciadores.

Espectro

O Espectro é um dos seres mais poderosos do Universo DC. Ele é um Espírito da Vingança de Deus, e normalmente escolhe um hospedeiro morto, como o policial de Gotham Jin Corrigan, Crispus Allen e até mesmo Hal Jordan, para exercer a vingança de Deus contra pessoas corruptas. Seus poderes são imensos, de forma que seu corpo pode crescer até ficar maior que o próprio planeta, domina o teletransporte, cria ilusões para aterrorizar criminosos e pode transmutar a matéria.

Esta miniatura está muito fiel ao personagem, que aparece ameaçador com uma das mãos estendidas pronto para estender a vingança divina àqueles que a merecem!

Zatanna

Zatanna é uma maga filha do feiticeiro John Zatara, famosa por trajar vestes de mágica (incluindo cartola) e por pronunciar seus feitiços de trás para a frente. Seus poderes são muito grandes; ela é capaz de transformar pessoas em coelhos, por exemplo, curar ferimentos e manipular a mente das pessoas, porém suas habilidades têm um limite, e se ela usá-las por muito tempo pode ficar exaurida. Já teve um caso com John Constantine na juventude, e viu pai morrer na sua frente enquanto combatiam o Mal invocado pela seita brujeria.

Sua miniatura está muito bonita, com a famosa pose segurando a cartola, provavelmente após conjurar algum feitiço.

Então é isso, galera! Espero que tenham gostado! Se quiserem conhecer mais sobre esta coleção, visitem o site da Eaglemoss ou procurem nas bancas de jornal próximo a suas casas!

SITE DA EAGLEMOSS

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

[RESENHA] Batman: A Piada Mortal

O Coringa

A Piada Mortal é uma história em quadrinhos publicada em 1988 pela DC Comics, escrita pelo aclamado roteirista britânico Alan Moore e com a arte assinada pelo magistral Brian Bolland. Esta obra é uma das mais icônicas do Batman,  sendo considerada uma das melhores histórias do Cruzado de Capa ao lado de clássicos como O Cavaleiro das Trevas e Ano Um, ambas de Frank Miller. Ela foi publicada no formato one-shot, ou seja, os eventos desta HQ não se conectariam com as histórias publicadas na mensal do Batman, ou era isso o que se pretendia antes que as decisões criativas de Moore deixassem perplexos os leitores de tão ousadas  e impactantes, de tal maneira que foi inevitável que acabasse fundindo-se à cronologia oficial do Homem Morcego.

Mas o que de tão especial assim Alan Moore fez para que esta HQ ficasse tão famosa?, você deve estar se perguntando. Em primeiro lugar, ela forneceu uma história de origem “plausível” para o arqui-inimigo do Batman, o Coringa. Até então os fãs tinham apenas a história contada na edição 168 da revista Detective Comics, na qual foi revelado que o vilão, antes de tornar o Coringa, era o famoso criminoso conhecido como o Capuz Vermelho, que atuara nos primeiros anos de Batman como combatente do crime, e cuja identidade nunca havia sido descoberta. Após um encontro com o Batman na Fábrica de Baralhos Monarca, ele caiu em um tanque de rejeitos químicos e acabou se transformando no Coringa.

Capa da Detective Comics #168

Alan Moore aproveita grande parte desta história, mudando apenas alguns detalhes, como o fato de que o Capuz Vermelho na verdade era uma identidade assumida por vários "buchas de canhão" usados por uma quadrilha de ladrões para distrair a polícia. Moore insere um elemento psicológico crucial, sobre o qual montou o argumento central de A Piada Mortal: o de que só é preciso um dia ruim para levar uma pessoa normal à loucura. Moore revela então que o Coringa, devido a sérios problemas financeiros e uma esposa grávida que ele era incapaz de sustentar, aceitou um trabalho para realizar um assalto na Fábrica de Baralhos Monarca. Porém os ladrões são surpreendidos quando tentavam atravessar as instalações da empresa de produtos químicos ACE, e quando o Batman surge na cena do crime o Coringa acaba caindo em um tanque de produtos químicos e sofrendo a mutação que o transformaria no criminoso mais perigoso e instável de Gotham City. Note que, nas duas histórias o elemento em comum é a presença do Homem Morcego na criação do Coringa, e que este evento foi responsável por criar um laço de ódio que uniria estes dois personagens para sempre. 
É importante ressaltar também que esta não se trata de uma origem definitiva, uma vez que o próprio vilão deixa claro ao final da história que ele não sabe se as lembranças apresentadas ao leitor na forma de flashbacks realmente aconteceram  da forma como foram mostradas:
"Algumas vezes me lembro de um jeito. Outras vezes, de outro... Se eu vou ter um passado, prefiro que seja de múltipla escolha! AH AH AH!
Como o leitor pode perceber, esta declaração também demonstra a extensão da loucura do Coringa, uma vez que toda sua vida até o momento em que ele se torna o Palhaço do Crime não tem nenhuma importância real para ele.

Barbara Gordon é Baleada

O segundo acontecimento que gerou mais polêmica em A Piada Mortal foi o momento em que o Coringa atira à queima roupa na barriga da Barbara Gordon, a filha do Comissário de Polícia de Gotham City e Batgirl nas horas vagas, aleijando-a e condenando-a a uma cadeira de rodas. A cena impressiona pela frieza com que o Coringa muda completamente o destino de uma importante personagem da batfamília. Hoje é quase impossível que um leitor de quadrinhos não saiba de antemão o que acontece à Barbara quando vai ler esta história, devido ao hype que ela possui entre a nerdaiada, mas fico imaginando como foi para os primeiros leitores testemunharem a moça, inocente e despreocupada, atendendo a porta de casa e dando de cara com um Coringa completamente insano vestido com camisa havaiana e máquina fotográfica, apontando uma arma para ela e puxando o gatilho enquanto sorri.. Muita coragem desse Alan Moore fazer uma coisa dessas, não é? Mas ele não para por aí: embora isto não fique totalmente claro, ele deixa implícito que o Coringa abusa sexualmente de Barbara enquanto ela está incapacitada, e ainda tira fotografias do ato para depois torturar psicologicamente o pobre pai da moça. Fico pensando na repercussão que tal cena causaria se esta HQ fosse lançada nos dias de hoje, devido ao forte movimento feminista, que luta ferrenhamente contra a tendência dos roteiristas de usarem personagens femininas apenas como "donzelas em perigo", muitas vezes usadas como alvos pelos vilões com o intuito de atingir seus inimigos, devido ao laço afetivo entre elas e os heróis. O próprio Alan Moore - criador de várias personagens femininas fortes e um dos primeiros roteiristas a tratar abertamente do caso dos abusos cometidos pela sociedade machista contra as mulheres - em uma entrevista já declarou se arrepender de ter tomado esta decisão. Mas o que está feito está feito, e, embora as feministas torçam o nariz, na minha opinião foi uma decisão acertada, no contexto da história.

Gordon é Torturado

Embora o Coringa não precise necessariamente de motivos para fazer as loucuras que faz, desta vez ele tem um plano: ele quer provar que qualquer pessoa pode ficar como ele, desde que tenha um dia ruim. Assim, a cobaia escolhida para este experimento é o Comissário Jim Gordon, que para o maníaco é um exemplo perfeito de homem normal. Por isso ele fez o que fez à Barbara, e obriga o velho a ficar passeando por um parque de diversões abandonado em um carrinho enquanto assiste às fotografias de sua filha ensanguentada e sofrendo todo tipo de abuso. Realmente o Coringa passou dos limites. Outro ponto interessante é que desta vez o Palhaço não se cerca de seus capangas habituais: nada de bandidos vestidos de palhaços; desta vez seus "aliados" são aberrações de circo: anões, mulher barbada, siameses, todo tipo de excluído da sociedade ordinária.
Após saber o que o Coringa fez, Batman parte sozinho para resgatar seu mais antigo aliado das garras do louco. E a relação entre o herói e o vilão é explorada com excelência pelo mago das HQs. Fica muito claro a dicotomia entre estes dois personagens: apesar de antagônicos, um não existe sem um outro, eles se completam. Assim como o Coringa, o Batman também teve um dia ruim - no caso, o dia em que seus pais foram mortos - , e assim como o Coringa, o Batman também enlouqueceu, de certa forma. Afinal, que homem são, após perder a família, decidiria sair por aí todas as noites vestido de morcego para combater criminosos? A própria jornada do Batman é uma espécie de loucura, uma obsessão, pois ele sabe que jamais obterá sucesso, mas continua mesmo assim. Onde o caminho dos dois se divide é que o Coringa desistiu do mundo, acreditando que tudo não passa de piada, e isso tira todas as amarras psicológicas que impede que um ser humano saia por aí matando todo mundo sem motivo. Ele é, sob todos os aspectos, um autêntico agente do caos. Já o Batman é um agente da ordem, que não descansa enquanto não vê aquilo que ele acredita ser a "justiça" ser realizada. E assim, os dois continuam sua luta infindável, até que um acabe finalmente matando o outro. Isto é debatido durante toda a história, desde o começo, quando o Batman vai visitar o Coringa no Asilo Arkham:
"Talvez você me mate. Talvez eu te mate. Talvez mais cedo. Talvez mais tarde. Eu só queria estar certo de que realmente tentei mudar as coisas entre nós. "

O Final Dúbio

Há quem acredite que, ao final da história, o Batman realmente mata o Coringa. Tal hipótese foi levantada há alguns anos pelo também roteirista de quadrinhos Grant Morrison. Na última página, vemos o Batman e o Coringa rindo juntos de uma piada (sim, o Batman está rindo!). Não é possível dizer com certeza, mas parece que o Batman coloca as mãos no pescoço do Coringa, porém a imagem vai descendo até se fixar em uma poça d'água. Assim, há aqueles que acreditam que o Batman cansou de vez das maldades do vilão e resolveu pôr um fim em sua vida, estrangulando-o. A animação que saiu este ano que adapta esta história também segue por este caminho, atiçando ainda mais as discussões engtre os fãs. Considerando que esta HQ não era para integrar a cronologia do Batman, não é difícil imaginar que Alan Moore sutilmente quis mostrar o confronto derradeiro entre o herói e o vilão. Para mim, pessoalmente, trata-se de um final em aberto, tal qual o final de Inception, filme de Christopher Nolan. Parafraseando o Coringa, se é pra ter um final, que seja um final de múltipla escolha!
Por fim, é preciso falar sobre a arte de Brian Bolland. Os desenhos detalhistas, a diagramação simples, constituída na maior parte das vezes por quadros retangulares lado a lado, dão a impressão de que não estamos apenas lendo uma história em quadrinhos, mas vendo um filme. Quanto às cores, existem duas versões: a original, tal qual foi publicada, por John Higgins; e a nova edição lançada recentemente e com a colorização feita pelo próprio Bolland, tal qual ele imaginou que deveria ter sido. A nova colorização, na minha opinião, ficou muito mais bonita, tornando uma obra que já era perfeita ainda melhor. A maior diferença fica por conta dos flashbacks, que na nova versão aparecem em preto e branco, apenas com as cores mais quentes (vermelho, por exemplo) destacadas.

Embora controversa, esta é sem dúvida uma das melhores histórias do Batman e item OBRIGATÓRIO na prateleira de quem se declara fã de quadrinhos. Foi publicada aqui no Brasil pela Panini Comics em capa dura e se encontra disponível nas melhores lojas especializadas, a um preço bem em conta. Boa leitura!

Famosa Capa de A Piada Mortal

quinta-feira, 21 de julho de 2016

[RESENHA] Capitão América: O Soldado Invernal


Capitão América e Soldado Invernal

Capitão América: O Soldado Invernal é uma história em quadrinhos escrita pelo roteirista ganhador do prêmio Eisner Ed Brubaker e desenhada pelo artista Steve Epting, reunindo as edições #01 a #14 da revista mensal do Capitão América, da Marvel Comics. Antes de iniciar minha resenha sobre esta história, farei uma breve introdução sobre este herói, cuja popularidade tem crescido vertiginosamente nos últimos anos devido à seus filmes solo e sua participação nos dois filmes dos Vingadores, da Marvel Studios (Disney). Embora sua imagem seja amplamente conhecida pelos geeks, que ostentam orgulhosamente seu escudo vermelho, azul e branco em camisetas e acessórios, nem todo mundo conhece sua trajetória nos quadrinhos.

O Capitão América, cujo nome deveria ter sido Super American (não o foi devido à existência de outro famoso "super" nos quadrinhos), foi criado pelos quadrinistas norte-americanos Joe Simon e Jack Kirby, e estreou em 1941 nas páginas da Capitain América Comics #1, da Timely Comics - predecessora da atual Marvel Comics. Após receber o famoso soro do supersoldado, que lhe conferiu força e agilidade sobre-humanas, Steve Rogers combateu as potências do Eixo, principalmente os nazistas, ao lado do parceiro mirim Bucky, durante a Segunda Guerra Mundial. Naquela época a popularidade dos quadrinhos de super heróis estava em alta nos EUA, especialmente o Capitão América, por se tratar de um símbolo patriótico.

Quando a guerra acabou, no entanto, as vendas diminuíram, levando ao cancelamento da revista do Sentinela da Liberdade. Em 1953 ele retornou brevemente, desta vez lutando contra os comunistas nos primórdios da Guerra Fria, mas foi um fracasso de vendas, e também foi cancelado. O herói só retornaria pra valer em 1964, quando foi ressuscitado por Stan Lee, autor da célebre história que conta como o Capitão América, ao tentar impedir um drone experimental lançado pelo Barão Zemo, caiu no Atlântico Norte e ficou congelado durante décadas, mantido em animação suspensa pelo soro do supersoldado em suas veias. Seu jovem parceiro, Bucky, também teria morrido nesta ocasião, vítima da explosão do drone. O Capitão América foi reanimado anos depois e passou a integrar e liderar a equipede super heróis conhecida como Os Vingadores.

A Morte de Bucky

Tendo sido criado em um momento histórico específico, com um objetivo claramente político - o de incutir o sentimento nacionalista nas crianças americanas - não é uma tarefa fácil manter o Capitão América atualizado para as novas gerações. A grande dificuldade de se trabalhar com este personagem, que outros não enfrentam, é desvincular sua imagem do país cuja bandeira ele exibe no escudo. No mundo globalizado como o de hoje, obter apelo fora do território norte-americano, e até mesmo dentro dos próprios EUA, onde a cada ano cresce a população de imigrantes, não é uma tarefa fácil. Por esta razão ele teve que ser continuamente reinventado, e aos poucos deixou de ser o defensor de uma pátria específica para ser o sentinela dos ideais que esta pátria representa. Mas isto não seria o bastante para alçar o Capitão América ao panteão dos heróis mais famosos da Terra. E foi aí que entrou Ed Brubaker, roteirista recém saído da DC Comics, que assumiu o comando do título em 2005, quando a popularidade do herói estava em baixa, e iniciou uma fase que se tornaria a mais aclamada do personagem até os dias atuais.

Vários foram os motivos que levaram esta saga a ser um sucesso de crítica e vendas: tramas no estilo dos filmes de espionagem, abordando temas históricos remetendo à Segunda Guerra Mundial e à Guerra Fria; a arte realística de Steve Epting, capaz de imergir o leitor no ambiente permeado de mistérios, ficção e cenas de ação espetaculares; e sobretudo a coragem e sagacidade do roteirista ao alterar um dos principais pilares do cânone do Capitão, que por décadas foi considerado algo imutável nos quadrinhos: a morte de Bucky. Tal qual a morte do tio Ben, ou dos pais de Bruce Wayne, a morte de Bucky era um fato concreto, o que é algo raro no mundo dos quadrinhos, seja da Marvel ou da DC, onde a ressurreição de personagens é algo quase corriqueiro. Assim sendo, ressuscitar Bucky poderia ser um tiro no pé, ou como mexer em merda seca: só de tocar começa a feder. Porém Ed Brubaker, ignorando todos os avisos, seguiu em frente com o seu plano, e o resutado foi o nascimento de um novo personagem de sucesso da Marvel: o Soldado Invernal.

O Soldado Invernal

O Soldado Invernal começa logo após a dissolução dos Vingadores no evento A Queda, no qual a Feiticeira Escarlate perdeu o controle de seus poderes e matou o Visão, o Homem Formiga e o Gavião Arqueiro, provocando o fim dos Vingadores. O Capitão América ainda está muito abalado pela perda dos amigos, e isto se reflete em sua maneira de lidar com os criminosos, que está muito mais violenta do que o normal. Em parceria com a Agente 13 e Nick Fury, da força-tarefa de manutenção da paz da ONU, a SHIELD, ele descobre um elaborado plano de seu inimigo mais antigo, o Caveira Vermelha: o vilão pretende recarregar um cubo cósmico - objeto que possui a capacidade de tornar desejos em realidade - através da morte de milhares de pessoas nas principais cidades do Ocidente: Nova York, Paris e Londres. Mas o inesperado acontece: o Caveira Vermelha é morto por um misterioso soldado e o cubo é roubado.

Enquanto investiga as circunstâncias da morte do Caveira, o Capitão América começa a ter várias lembranças de seu passado destravadas. Estas lembranças são mostraras para o leitor na forma de flashbacks desenhados pelo artista Michael Lark, e podem ser diferenciadas dos quadros normais pela colorização em tons preto e brancos, fazendo alusão aos filmes e documentários produzidos na época da Segunda Guerra Mundial, que tinham este aspecto. Brubaker usa as lembranças de Steve Rogers para costurar a trama do Soldado Invernal, embora não se perceba isto a princípio. E aproveita para atualizar alguns acontecimentos do passado do herói para os novos fãs, menos predispostos a aceitar explicações que os fãs mais ingênuos do século passado aceitariam. Ele muda a idade e Bucky, que passa a ter 16 anos na época da guerra, uma idade mais próxima da do Capitão, e estabelece que a parceria dos dois foi planejada pelo exército para estimular os jovens americanos a se alistarem.

Brubaker também mostra que fez o dever de casa ao fazer algumas citações de eventos que muitos desconhecem da época da Segunda Guerra Mundial. A que eu achei mais interessante, talvez devido aos ataques terroristas que a França vem sofrendo nos últimos dias, foi o massacre de mais de 600 civis franceses pelos nazistas porque eles haviam impedindo os tanques alemães de chegarem à Normandia no Dia D. Steve Rogers cita este acontecimento como motivo suficiente para os americanos não considerarem os franceses covardes por terem se rendido aos alemães na guerra.

O Capitão América Assiste ao Treinamento de Bucky

Outro ponto positivo no roteiro de Ed Brubaker é o respeito pelo legado deixado pelos seus antecessores à mitologia do Capitão América. Ele faz menção aos outros homens que vestiram o uniforme do Capitão após a Segunda Guerra, quando Steve Rogers estava congelado, amarrando alguns pontas soltas deixadas por décadas de histórias do personagem. Brubaker dedica um capítulo inteiro, denominado A Solitária Morte de Jack Monroe, a Jack Monroe, a versão de Bucky dos anos 50, quando o Capitão América era na verdade um professor que queria ser Steve Rogers. É uma belíssima homenagem a um personagem que possui um papel pequeno na trama, mas que teve sua importância na mitologia do Capitão.

Capitão América e Bucky dos Anos 50

Todas estas lembranças e homenagens que Brubaker utiliza em seu enredo, no entanto, possuem o objetivo de preparar o leitor para o grand finale que ele elaborou tão cuidadosamente . Ele foge do habitual ao contar a origem do Soldado Invernal através de anotações médicas e relatórios ultrassecretos da KGB, mostrando como o corpo de Bucky foi encontrado no oceano pelos russos, seu condicionamento mental que o transformou num assassino sangue frio, e as diversas missões que ele realizou para os camaradas comunas. Talvez o grande trunfo no roteiro de Brubaker tenha sido nos apresentar uma história de origem convincente, sem apelar para explicações impossíveis como viagens no tempo, socos na realidade ou poços milagrosos. Até o fato de Bucky não ter envelhecido é explicado com maestria: o Soldado Invernal passava a maior parte do tempo em animação suspensa, e só era acordado quando tinha um alvo para eliminar.

O final desta história é agridoce, porém Brubaker deixa claro que a história do Soldado Invernal está apenas começando. Contamos também com a participação especial de dois importantes membros dos Vingadores: o Falcão e o Homem de Ferro. Com certeza uma HQ indispensável para os fãs do Sentinela da Liberdade, e para aqueles que querem saber mais sobre este incrível personagem além do que aparece nos filmes. Esta história faz parte de uma coleção de encadernados intitulada Marvel Deluxe: Capitão América, que até agora é composta por 6 edições em capa dura, de excelente qualidade, e também da coleção de Graphic Novels Marvel da Salvat. Eu usei como base para esta resenha o encadernado da Panini.

Boa leitura! 

Capa de O Soldado Invernal