sexta-feira, 1 de julho de 2016

[RESENHA] John Constantine, Hellblazer - Origens Volume 2: Triângulos Infernais



John Constantine é um homem atormentado. Esta é a primeira impressão que se tem ao começar a ler o segundo volume de Hellblazer Origens, um conjunto de 7 encadernados que conta com as primeiras edições do título sob a tutela do roteirista Jamie Delano. O mago trapaceiro da DC/Vertigo continua sua pendenga contra os fundamentalistas da Cruzada da Ressurreição - os Línguas da Fogo -, e os demônios e delinquentes liderados por Nergal. A razão do tormento de Constantine é o fato de que ele começa a perceber que todos que se aproximam dele acabam morrendo ou encontrando um destino ainda pior. Apesar de tentar manter a aparência inabalável e até lidar com as piores situações com uma boa dose de humor, a culpa o corrói por dentro, a tal ponto que sua sanidade começa a se despedaçar. Nos questionamos se os fantasmas dos amigos mortos que ele vê não seriam apenas uma parte do seu subconsciente materializando este sentimento de culpa, através de uma forma que ele consiga entender. Tal afirmação fica ainda mais evidente quando o vemos ser perseguido por um fantasma que tem a aparência de quando ele estava bem, encorajando-o a sair da fossa.

Constantine é Assombrado por Si Memso

Se você pensa que não há como afundar mais, Constantine consegue descer mais fundo ao fazer um pacto com o demônio Nergal para impedir os Línguas de Fogo de trazerem ao mundo o seu próprio Messias, só que para isso ele precisará trair novamente uma pessoa que ama, e ainda permitir que o sangue do demônio corra em suas veias. Ele não permite, contudo, que Nergal saia vitorioso, e consegue ludibriá-lo ao fazer a profecia dos cruzados se cumprir com o Monstro do Pântano e Abby Cable.

Este volume também apresenta o primeiro crossover entre duas revistas da Vertigo: Hellblazer e Monstro do Pântano, agora capitaneada por Rick Veith e Alfredo Alcala, os quais já haviam trabalhado com Alan Moore em sua brilhante fase na revista do Musgoso. Como acontece com a maioria das tramas compartilhadas por diferentes títulos, o leitor encontra dificuldade em acompanhar todo o desenvolvimento da história; são várias idas e vindas dos Estados Unidos e menções vagas aos Elementais - sem contar a cronologia confusa dos eventos - que, para quem não acompanha a revista do Monstro do Pântano o entendimento do plano de Constantine não é completo, e fica a sensação de estar deixando algo passar. E é exatamente por isso que resolvi fazer uma breve explanação sobre o que estava acontecendo na revista do Monstro do Pântano até então, e de que forma estes acontecimentos se relacionam com a trama de Delano.

Constantine Recebe o Sangue de Nergal

Após a suposta morte do Monstro do Pântano na parte final da grandiosa saga criada por Alan Moore, o Parlamento das Árvores começa a providenciar um substituto; porém o Elemental retorna de suas aventuras no espaço, e decide se retirar para os pântanos com sua "esposa" Abby. Como não podem ter dois elementais da Terra, o Monstro do Pântano é convocado pelo Parlamento e eles lhe dão duas opções: ou se junta a eles na Amazônia ou destrói o "Broto", que é o embrião do próximo Elemental. Mas a criatura se recusa a ser um assassino, e tampouco está disposto a abandonar a vida com Abby na Lousiana, e sua teimosia faz com que a Natureza comece a entrar em colapso. Após diversas encarnações malsucedidas do Broto (incluindo uma tentativa de possuir o corpo de Solomon Grundy), o Monstro do Pântano encontra a solução perfeita para seus dois problemas: a evolução do Broto e a tão sonhada paternidade, e é aí que Constanitne entra na história. A criatura só não contava que o mago tivesse tido a mesma ideia...

Em L'Adoration de la Terre o Monstro do Pântano possui o corpo de John Constantine, expulsando seu espírito para a dimensão astral, e com isso consegue acasalar com Abby e depositar nela sua "semente". Particularmente gosto de ver o humor do mago ao lidar com a Criatura dos Pântanos: em um determinado momento ele enrola um cigarro usando como fumo a erva que reveste o corpo do Monstro; em outro, vemos ele estragar o momento romântico da criatura com Abby ao voltar para seu corpo antes da hora. Se a mulher já não gostava do canalha, agora menos ainda; mas os dois acabam fazendo as pazes, ou pelo menos formando uma trégua em Triângulos Infernais, que empresta o título ao volume, justamente por lidar com essa espécie de "triângulo amoroso" que se forma entre J.C., Abby e o Monstro do Pântano.

O Monstro do Pântano e Abby Acasalam

O enredo de Delano continua afiado, porém acaba sofrendo com a decisão editorial de realizar o crossover de Hellblazer com Monstro do Pântano, culminando num adiamento da conclusão da saga iniciada no volume anterior. Quanto à arte de John Ridgway, que se despede do título na edição 9, há pouco do que se falar: seu desenho não é bonito, mas consegue transmitir com eficiência o clima sobrenatural e a decadência humana das histórias de Delano.

DICA DE LEITURA: Excelente enredo, arte não tão boa assim, mas vale a pena ler para conhecer as primeiras histórias do anti-herói mais querido da DC/Vertigo. História publicada pela Panini Books, um encadernado em capa cartão e papel pisa britte.

Capa de Hellblazer Origens Vol. 2

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